Morreu de pensar

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Pensaste que eu te amava
Quando, através de meus olhos,
deixei-te vasculhar os recônditos de minh'alma

Pensaste que eu te amava
Quando chorei em teu colo e te ofereci a face
para que secaste rastros úmidos de dor e medo

Pensaste que eu te amava
Quando beijei tua boca e te fartaste em minha saliva
da vida que já havia te escapado por entre os dedos

Pensaste que eu te amava
Quando colei meu corpo ao teu
e sentiste o descompasso de um coração sôfrego por ti

Pensaste que eu te amava
Quando cerrei os olhos e me ofereci inteira
para que tu pudeste brincar de deus

Pensaste que eu te amava
Quando pousei meu rosto cansado em teu peito nu
esquecida de que havia mundo além de nossa alcova

Pensaste que eu te amava
Quando, assombrada pelos meus fantasmas,
tateei no escuro do quarto buscando o refúgio do teu abraço

E de tanto pensar
Tu, corrompido por todas as idéias de amores vãos,
Não pudera compreender o quanto eu realmente gostava de ti.

7 comentários:

Candy disse...

E quando é que sabemos que é amor?
:T

*lindo, lindo!!!!

;***

tossan disse...

Belo poema, diferente! Gostei muito.
Pensou demais, se sentiu o máximo e não percebeu nada? Não é? Bj

Bill Falcão disse...

Parece que pensar, em certas ocasiões, não funciona mesmo! É melhor viver os momentos, sem grandes questionamentos.

O biografado aprovou meu trabalho. Mas ainda dependo de alguns acertos com a editora. Na sexta, temos nova reunião. Vamos ver.
Quero mesmo é entrar logo no espírito natalino e só voltar a pensar em trabalho em 2009!!
Hehehe!!!
Bjooooooooooo!!!!!!!!!

Léo Mandoki, Jr. disse...

gosto disso....mulher falando de paixão e de amores...me sinto voyeur!!! e ao ler...fantasio que as palavras ao para mim...de resto...gosto + de vc ácida e cáustica!!! com teus dialogos cenicos
saudade viu

Melia Azedarach L. disse...

Sabe aquela noite maldita?
Enxaqueca, filmes que me deixaram na fossa...Não sei, mas sinceramente lendo a poesia, eu fiquei pior, não de maneira ruim, será que você me entende, mas acho que você sempre me entende, mesmo que seja em frações.É isso, me senti mais vazia, mais sozinha, me senti amando e não amando, não sendo amada e sendo amada, como um vazio tão cheio que me agonia.
Acho que agora você que se deu bem, por que vou colocar a boca no mundo, ou os dedos, vou transcrever tudo.Gritando o que sinto quem sabe melhora, quem sabe passa.
Quem nunca foi tão tolo e pensou em correr atrás, mesmo sabendo ser inutil?
Fico brincando de caçar esperança onde não existe.
Sou masoquista?
Me perdi nisso tudo, me perdi nele e agora vou dizer...Essa porra de verdade não liberta é caralho nenhum...quanto mais eu falo que gosto, mais fica uma droga só (perdoem minha crise, euforia, as palavras de baixo calão).
É que hoje me peguei pensando nas minhas doenças, aquelas que fazem você me mandar ao médico, me peguei pensando em quanto tempo resta, se aguento até o final, se existe final.Eu me peguei perdida em mim mesma, nesse vazio que transborda a alma.
É só mais uma noite, uma crise, a cama que me engole, o teto que se distancia, essas palavras jogadas aqui e a certeza de que acordarei com o celular que uso de despertador, jogarei do outro lado da cama e fingirei por oito longos minutos que o mundo morreu e eu nem preciso levantar, que não existe trabalho, papelada, problemas, que tudo lá fora se calou.Os oito minutos mais reconfortantes que existem apôs acordar.
Sim, eu surtei, hoje eu finalmente surtei, estava em tempo!
Logo eu engulo toda a insatisfação e fico sorrindo para minha desgraça, faço piada como você mesma diz.
Eu só estou cansada e sem sono, perdida no lugar que deveria conhecer "eu mesma".
Um beijo dessa pessoa desesperada!

Ana Karenina disse...

é como diz você: este poema me fez pensar e eu escrevi justamente algo hoje que ainda não postei mas vou postar, algo que diz respeito ao ato de "falar sem pensar"

e lendo você é como se fosse a conclusão de minhas idéias, o fechamento, sabe aquele ponto final que faltava? sabe como se eu te dissesse já o que eu escrevi e você neste poema indiretamente concordou com minhas conclusões, que engraçado.

e que conclusão que cheguei? bom esta: melhor não pensar muito em agir porque fazemos deduções por vezes óbvias, mas que não são as faces verdadeiras da realidade.

então, eu só penso em fazer o que dá vontade, sou livre e quero que os outros ao meu redor também estejam, quero que me amem e me gostem pelo que eu sou e não pelo que deixo escapar somente nas minhas meras e singelas falas e escritas.

viva a liberdade então, liberdade pra ser o que quiser, sem pensar no que há por trás de cada ação e apenas curtir a alegria e a graça simples de cada momento que se vive.

razões? quem precisa delas quando se tem tantas emoções por viver? rs

abraços saudosos querida! :)

paula barros disse...

Acontece demais. Alguém pensa que o outro ama, não valoriza, não presta atenção, não ama, e quando vê, já foi.

beijos e bom final de semana.