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PAPELe
O poeta pinta o mundo com as cores dos seus devaneios. Transforma a sua arte na veste que esquenta, protege e acalenta a alma da mulher. O poeta sabe dela, das suas angústias, melhor do que ela mesma poderia explicar. Ele penetra profundamente nas cavidades mais obscuras do espírito mundano e vadio da mulher. O poeta já a enlaçou tantas e tantas vezes com seus rabiscos despudorados que ela já não sabe mais quando tudo isso começou. Mas a mulher não é poeta. Ela é prosa. Prosa de seus encantos tanto quanto dos seus equívocos. A mulher não encontrará o poeta no paraíso de sua criação. Ela tem um coração vagabundo e os pés plantados no chão. A mulher não sonha como o poeta. Ela deseja o poeta. A mulher deseja que ele use o corpo dela pra riscar um soneto-encontro. Pele de papel, tinta rubra, vinho tinto. Ela quer ser despida literalmente. Literatura de alcova. A mulher quer ver o poeta se perdendo nas curvas do seu corpo, se encontrando na direção de seu desejo. Desejo. Ela deseja. Ele poema. Eles, rabiscos errantes numa linha. Linhas paralelas esperando o ponto de intersecção ou o ponto final.
Meu casaco de general
Nesta temporada no Rio tive um interessante companheiro de viagem. Ele preencheu parte do meu tempo ocioso, me fez repensar algumas opiniões, ajudou a fortalecer umas idéias, me lembrou de uma época importante da minha vida. Enfim, foi uma convivência intensa, profunda, mas tranqüila.
"Meu Casaco de General", escrito por Luiz Eduardo Soares, trata de segurança pública, política, violência no Rio de Janeiro, mas principalmente de crenças, a capacidade que as pessoas têm de acreditar e até onde podem chegar para defender seus pontos de vista.
Luiz Eduardo foi sub-secretário de Segurança e depois coordenador de Segurança, Defesa Civil e Justiça do governo Garotinho. Mas não se trata de um integrante das "forças armadas", trata-se, essencialmente, de um pensador, um homem que acreditou ser possível combater a violência no Rio de Janeiro com planejamento, organização e credibilidade.
Como já se poderia antecipar, ele saiu do governo antes do fim da gestão Garotinho por pura e total incompatibilidade de objetivos, embora a versão "oficial" tenha sido seu suposto envolvimento no caso João Moreira Salles/Marcinho VP (caso este que também gira em torno da capacidade humana não só de acreditar, mas também de agir conforme suas crenças).
P.S.: Mais detalhes sobre o envolvimento entre João e Marcinho VP (na época da matéria o "apoio" de Luiz Eduardo ainda não tinha sido usado como cortina de fumaça pra mascarar os reais motivos de sua exoneração):
http://www.zaz.com.br/istoe/1588/brasil/1588guerraparticular.htm
"Meu Casaco de General", escrito por Luiz Eduardo Soares, trata de segurança pública, política, violência no Rio de Janeiro, mas principalmente de crenças, a capacidade que as pessoas têm de acreditar e até onde podem chegar para defender seus pontos de vista.
Luiz Eduardo foi sub-secretário de Segurança e depois coordenador de Segurança, Defesa Civil e Justiça do governo Garotinho. Mas não se trata de um integrante das "forças armadas", trata-se, essencialmente, de um pensador, um homem que acreditou ser possível combater a violência no Rio de Janeiro com planejamento, organização e credibilidade.
Como já se poderia antecipar, ele saiu do governo antes do fim da gestão Garotinho por pura e total incompatibilidade de objetivos, embora a versão "oficial" tenha sido seu suposto envolvimento no caso João Moreira Salles/Marcinho VP (caso este que também gira em torno da capacidade humana não só de acreditar, mas também de agir conforme suas crenças).
P.S.: Mais detalhes sobre o envolvimento entre João e Marcinho VP (na época da matéria o "apoio" de Luiz Eduardo ainda não tinha sido usado como cortina de fumaça pra mascarar os reais motivos de sua exoneração):
http://www.zaz.com.br/istoe/1588/brasil/1588guerraparticular.htm
Tempo, chuva e até logo
- Uns dias fora. Tempo.
- Tempo pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
- Ei, é o tempo, não é a chuva. Não há ligação entre os dois.
- Será mesmo?
- O tempo não tem "cara" de infância, não cheira a mato molhado, não tem som de acalanto.
- É, pode ser que não mesmo. Mas ele pode ser assustador e também nosso maior aliado; ele cai dos céus em nossas cabeças, sem pedir licença, sem perguntar se estamos preparados; ele destrói mas também é renascimento.
- O tempo?
- E a chuva.
- Sabe de uma coisa?
- Não.
- Você precisa mesmo de um tempo.
- Pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
P.S.: Eu vou mas volto, viu? Comportem-se e deixem um monte de recados pra eu pensar que fiz falta... rs... brincadeirinha... Até sábado.
- Tempo pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
- Ei, é o tempo, não é a chuva. Não há ligação entre os dois.
- Será mesmo?
- O tempo não tem "cara" de infância, não cheira a mato molhado, não tem som de acalanto.
- É, pode ser que não mesmo. Mas ele pode ser assustador e também nosso maior aliado; ele cai dos céus em nossas cabeças, sem pedir licença, sem perguntar se estamos preparados; ele destrói mas também é renascimento.
- O tempo?
- E a chuva.
- Sabe de uma coisa?
- Não.
- Você precisa mesmo de um tempo.
- Pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
P.S.: Eu vou mas volto, viu? Comportem-se e deixem um monte de recados pra eu pensar que fiz falta... rs... brincadeirinha... Até sábado.
Uma gaveta, um vazio e um consolo
Enquanto arrumo a mala pra voltar pra casa, penso em como tudo passa...
Sempre tive a sensação de que a vida é um eterno ir e vir de fatos, momentos, sentimentos, pessoas. Mas, em algumas situações específicas, essa sensação ganha peso, forma e se materializa bem diante dos meus olhos, sem aviso prévio.
É fácil lidar com essa inevitável alternância quando vc sente mesmo que chegou o momento de abrir espaço pro novo, pro desconhecido, pro que ainda está por vir. Mas é frustrante quando a "fila anda" e vc só queria mais um minuto, queria fincar os pés ali e não ir pra frente, muito menos pra trás.
Sabe quando vc arruma uma gaveta? Você encontra o que já foi muito importante, mas não tem mais qualquer serventia; encontra o que nunca foi muito útil e se pergunta por que guardou aquilo por tanto tempo; mas encontra também o que nem o tempo, nem a falta de contato direto foram capazes de tornar menos valioso. E no meio de tantas coisas suas, vc, de repente, encontra algo que não é seu, algo cujo lugar não é ali e sabe que tem que deixá-lo ir, tem que permitir que toda sua potencialidade seja explorada, aproveitada, e percebe que vc, ao menos naquele momento, não pode fazê-lo.
Está certo, minhas metáforas, muitas vezes, parecem mais "meta-fora" (essa é ótima, Melia). O fato é que algumas coisas não têm como ser descritas com clareza mesmo. Mas, por cada palavra escrita, compartilhada, tenho certeza de que vc sabe bem do que estou falando.
Sempre tive a sensação de que a vida é um eterno ir e vir de fatos, momentos, sentimentos, pessoas. Mas, em algumas situações específicas, essa sensação ganha peso, forma e se materializa bem diante dos meus olhos, sem aviso prévio.
É fácil lidar com essa inevitável alternância quando vc sente mesmo que chegou o momento de abrir espaço pro novo, pro desconhecido, pro que ainda está por vir. Mas é frustrante quando a "fila anda" e vc só queria mais um minuto, queria fincar os pés ali e não ir pra frente, muito menos pra trás.
Sabe quando vc arruma uma gaveta? Você encontra o que já foi muito importante, mas não tem mais qualquer serventia; encontra o que nunca foi muito útil e se pergunta por que guardou aquilo por tanto tempo; mas encontra também o que nem o tempo, nem a falta de contato direto foram capazes de tornar menos valioso. E no meio de tantas coisas suas, vc, de repente, encontra algo que não é seu, algo cujo lugar não é ali e sabe que tem que deixá-lo ir, tem que permitir que toda sua potencialidade seja explorada, aproveitada, e percebe que vc, ao menos naquele momento, não pode fazê-lo.
Está certo, minhas metáforas, muitas vezes, parecem mais "meta-fora" (essa é ótima, Melia). O fato é que algumas coisas não têm como ser descritas com clareza mesmo. Mas, por cada palavra escrita, compartilhada, tenho certeza de que vc sabe bem do que estou falando.
Viagem de volta
Você já viajou de costas? Não, não estou bêbada, nem louca (eu acho). Falo daqueles ônibus e vans que têm bancos em que vc viaja de costas para o motorista.
Pois é, estava eu, num daqueles ônibus que levam a gente até a pista do aeroporto pra embarcar, de costas, Bob Dylan cantando, sol acabado de "nascer", céu azul, brisa gelada... O ônibus ia em frente, sem pressa, com a calma de quem está na hora certa, no local exato. E eu, ali sentada, sem saber se estava indo na hora certa, pro local exato, mas com pressa de chegar, de ver, de saber.
Fiquei olhando não pra onde estávamos indo, mas olhando de onde vínhamos. O ponto de partida, o espaço percorrido, as marcas deixadas, o que foi. Nós, desde que nascemos, ouvimos que temos sempre que olhar pra frente, viver o agora e enxergar adiante.
Pois eu, naquele momento, senti que a "vida" estava me dando uma oportunidade de olhar pra trás, olhar de onde eu vinha, por onde tinha andado. Na verdade, era eu mesma que estava me dando esse direito, não foi um presente caído no meu colo, foi uma percepção, uma opção.
Então, passei aqueles cinco minutos pensando em milhões de coisas que tinham passado, que tinham ficado. Ao olhar o caminho que os pneus do ônibus tinham acabado de trilhar, eu revivia os caminhos que eu tinha percorrido com meus próprios pés.
Eu sou uma pessoa que ama o fato de estar viva, que não vive em busca da felicidade, mas que encontra partes de felicidade por viver. Não tenho muita paciência pra ficar medindo o passado, fazendo contas, calculando os saldos.
Mas, naquele momento, percebi o quanto o que passou não passou, ficou, estava ali, fazendo parte de mim, indo junto comigo, não só naquele trecho Rio-Salvador, mas por toda a viagem.
Pois é, estava eu, num daqueles ônibus que levam a gente até a pista do aeroporto pra embarcar, de costas, Bob Dylan cantando, sol acabado de "nascer", céu azul, brisa gelada... O ônibus ia em frente, sem pressa, com a calma de quem está na hora certa, no local exato. E eu, ali sentada, sem saber se estava indo na hora certa, pro local exato, mas com pressa de chegar, de ver, de saber.
Fiquei olhando não pra onde estávamos indo, mas olhando de onde vínhamos. O ponto de partida, o espaço percorrido, as marcas deixadas, o que foi. Nós, desde que nascemos, ouvimos que temos sempre que olhar pra frente, viver o agora e enxergar adiante.
Pois eu, naquele momento, senti que a "vida" estava me dando uma oportunidade de olhar pra trás, olhar de onde eu vinha, por onde tinha andado. Na verdade, era eu mesma que estava me dando esse direito, não foi um presente caído no meu colo, foi uma percepção, uma opção.
Então, passei aqueles cinco minutos pensando em milhões de coisas que tinham passado, que tinham ficado. Ao olhar o caminho que os pneus do ônibus tinham acabado de trilhar, eu revivia os caminhos que eu tinha percorrido com meus próprios pés.
Eu sou uma pessoa que ama o fato de estar viva, que não vive em busca da felicidade, mas que encontra partes de felicidade por viver. Não tenho muita paciência pra ficar medindo o passado, fazendo contas, calculando os saldos.
Mas, naquele momento, percebi o quanto o que passou não passou, ficou, estava ali, fazendo parte de mim, indo junto comigo, não só naquele trecho Rio-Salvador, mas por toda a viagem.
Perdida entre roupas, encontro-me com palavras...
Decididamente arrumar as malas é a pior parte da viagem. Sempre acho que estou esquecendo alguma ou várias coisas. Além da inevitável sensação de que vou precisar de algo que optei por não levar comigo.
Bom, perdida entre roupas, papéis e providências, encontro-me aqui, entre palavras...
É, queridos, pé na estrada de novo. Não vou dizer que o "trânsito" em si seja um problema, realmente não é. Mas, neste ano, estou acumulando mais milhas do que comissária de bordo... rs... Desde o começo do ano, não faço nada além de controlar os efeitos de minha última viagem e minimizar os efeitos da próxima.
Mas, quer saber? Ficar sentada, olhando a vida pela janela não seria mesmo uma opção considerável. Então, só o que me resta é pagar o custo de ser eu mesma. Está bom, eu sei que essa foi meio piegas, mas não é verdade? A gente sempre tem o ônus de ser quem é, ou por ser como é, nada nessa vida traz só "bônus", ou traz?
Bom, perdida entre roupas, papéis e providências, encontro-me aqui, entre palavras...
É, queridos, pé na estrada de novo. Não vou dizer que o "trânsito" em si seja um problema, realmente não é. Mas, neste ano, estou acumulando mais milhas do que comissária de bordo... rs... Desde o começo do ano, não faço nada além de controlar os efeitos de minha última viagem e minimizar os efeitos da próxima.
Mas, quer saber? Ficar sentada, olhando a vida pela janela não seria mesmo uma opção considerável. Então, só o que me resta é pagar o custo de ser eu mesma. Está bom, eu sei que essa foi meio piegas, mas não é verdade? A gente sempre tem o ônus de ser quem é, ou por ser como é, nada nessa vida traz só "bônus", ou traz?
Então, como pra chegar, é necessário partir, lá vou eu...
Até sexta-feira, queridos.
P.S.: Já ia esquecendo, obrigada pelos comentários ao post anterior. Não pretendo mesmo parar de escrever. Estava me referindo especificamente a ontem. Entendam como uma rápida "crise existencial", está bem?... rs...
Nuvens de algodão
Quarta-feira, 7 horas, pista do Galeão, manhã fria, céu azul, nuvens de algodão, fila pra embarcar, desconhecidos à frente e atrás, aviões passando...
Não estava indo pra casa, tampouco vinha de casa. Não mesmo? Afinal, onde é minha casa? Será que há mesmo o tal "lar, doce lar"? Será?
Sentia-me em paz, não me afligia mais o que deixara pra trás, ainda não pensava no que me esperava no ponto de chegada. Estava ali, no meio do caminho, partindo, indo, e a sensação de movimento me trazia uma estranha calma, eu diria mesmo, leveza.
É, naquele momento, eu me sentia em paz, desprovida de grande euforia, mas também de qualquer agonia. Vontade só de me deixar levar, um degrau de cada vez, sem pressa, sem atropelo, curtindo a segurança que encontrei no meio daquela aparente instabilidade.
Agora, estando em "casa", não me sinto mal, bom estar aqui. Mas a lembrança daquele momento ainda me faz sorrir, fecho os olhos e ainda sinto o calor do sol no rosto, o som das turbinas, as nuvens de algodão...
Ihhh... Acabo de lembrar que um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão... Sorte a minha que não acredito em verdades absolutas, muito menos, estou sempre à procura de chaves que "abrem" prisões... rs.
Sorte? Azar? Apenas nuvens de algodão...
Não estava indo pra casa, tampouco vinha de casa. Não mesmo? Afinal, onde é minha casa? Será que há mesmo o tal "lar, doce lar"? Será?
Sentia-me em paz, não me afligia mais o que deixara pra trás, ainda não pensava no que me esperava no ponto de chegada. Estava ali, no meio do caminho, partindo, indo, e a sensação de movimento me trazia uma estranha calma, eu diria mesmo, leveza.
É, naquele momento, eu me sentia em paz, desprovida de grande euforia, mas também de qualquer agonia. Vontade só de me deixar levar, um degrau de cada vez, sem pressa, sem atropelo, curtindo a segurança que encontrei no meio daquela aparente instabilidade.
Agora, estando em "casa", não me sinto mal, bom estar aqui. Mas a lembrança daquele momento ainda me faz sorrir, fecho os olhos e ainda sinto o calor do sol no rosto, o som das turbinas, as nuvens de algodão...
Ihhh... Acabo de lembrar que um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão... Sorte a minha que não acredito em verdades absolutas, muito menos, estou sempre à procura de chaves que "abrem" prisões... rs.
Sorte? Azar? Apenas nuvens de algodão...
"Amanhã volto pra casa." Essa frase quando veio a minha cabeça me soou muito estranha porque me lembro que quando iniciei essa viagem, disse que estava indo pra casa. Então, onde será minha casa? Onde nasci e vivi até bem pouco tempo ou onde estou morando agora? Creio que, na última postagem, respondi a essa pergunta concluindo que minha casa agora é lá. Mas, após pensar um pouco sobre o assunto, chego à conclusão de que minha casa é aqui e é lá também, minha casa é qualquer lugar do mundo porque o meu verdadeiro lar sou eu mesma. É sério. Sou uma pessoa que se relaciona com o mundo externo com muito prazer, gosto de pessoas, gosto de viver e conviver, mas resido dentro de mim mesma. Como tudo na vida, ser assim tem seu lado bom (uma grande facilidade de deixar coisas e pessoas pra trás sem muita dor), mas tem seu preço e o custo, às vezes, é extremamente alto.
Mas, voltando ao assunto, a viagem chegou ao fim. Levo comigo doces lembranças, algumas decepções, mas, acima de tudo, grandes revelações. Algumas me trouxeram um certo pesar, mas a maior parte delas me deixou feliz com as decisões tomadas no passado.
Enfim, tenho que ir e me sinto pronta pra isso. Lamento por ir pra tão longe da minha família e amigos, mas me sinto feliz quando penso que a partida daqui representa uma chegada lá e um reencontro pelo qual já venho esperando ansiosa.
Música do dia: "Encontros e despedidas" na voz de Maria Rita... "Chegar e partir são dois lados da mesma viagem..."
Mas, voltando ao assunto, a viagem chegou ao fim. Levo comigo doces lembranças, algumas decepções, mas, acima de tudo, grandes revelações. Algumas me trouxeram um certo pesar, mas a maior parte delas me deixou feliz com as decisões tomadas no passado.
Enfim, tenho que ir e me sinto pronta pra isso. Lamento por ir pra tão longe da minha família e amigos, mas me sinto feliz quando penso que a partida daqui representa uma chegada lá e um reencontro pelo qual já venho esperando ansiosa.
Música do dia: "Encontros e despedidas" na voz de Maria Rita... "Chegar e partir são dois lados da mesma viagem..."
Diário de bordo: Balanço de viagem...
Faltam poucos dias pra voltar à vida real. Hora de organizar a bagagem, e não estou falando de coisas materiais. Decidir o que fica por aqui, o que levo comigo, tomar cuidado com o excesso de bagagem, ele tem um preço e, muitas vezes, esse preço é alto. Há pessoas e situações que não caberiam na minha vida atual, por isso tenho que deixar aqui. Outras foram resgatadas, descobri que o vínculo nunca se desfez, e as levarei comigo. O interessante é que ME levarei de volta, me reencontrei, com todas as minhas qualidades e defeitos, meus conflitos e questionamentos. Lembrei o quanto posso ser forte e impetuosa, mas também o quanto preciso de freios, de ter um porto seguro que me faça ter vontade de voltar pra casa depois de navegar além do horizonte. Aliás, por falar em casa, descobri também que minha casa agora não é mais aqui, minha casa, minha vida, meu lugar agora é no mundo que escolhi pra mim. E quer saber? Isso não me deixa nem um pouco angustiada. As pessoas aqui podem até ter me visto pequena, conhecido a minha essência, mas, pra conviver em paz, não há que se conhecer a essência de alguém, é muito mais importante saber como aquela pessoa se porta diante das alegrias e pressões externas, como ela funciona, seus gostos e desgostos... Enfim, pode até ser que eventualmente eu tenha que voltar aqui pra reencontrar pessoas, situações, eu mesma, mas, passado um tempo, é lá, perto das pessoas que eu escolhi e das coisas que eu construí, que me sinto segura e realizada.
P.S.: A música do dia é "Fogo", Capital Inicial... saudade de quem pode até não ter me visto crescer, pode até não conhecer todos os meus motivos, minhas raízes, mas me percebe como sou agora e me faz feliz sem nem fazer força pra isso.
P.S.: A música do dia é "Fogo", Capital Inicial... saudade de quem pode até não ter me visto crescer, pode até não conhecer todos os meus motivos, minhas raízes, mas me percebe como sou agora e me faz feliz sem nem fazer força pra isso.
Voltando ao jogo
Voltar pra casa depois de um período longe é uma experiência incrível. Tudo parece estranhamente novo e antigo ao mesmo tempo. Apesar de, à primeira vista, tudo parecer muito diferente. Apesar da sensação inicial de desconforto e desamparo por me sentir forasteira no lugar em que nasci e estranha às pessoas que me rodearam por boa parte da vida. Passado bem pouco tempo, fica muito claro que as pessoas, assim como os lugares, ganharam alguns sinais do tempo, uns positivos, outros nem tanto, mas, no fundo, são as mesmas. E o mais incrível ainda continuam olhando pra mim da mesma forma, com os mesmos olhos que me viram criança... Criança... Será que eles estão certos? Será que ainda há mais daquela menina em mim do que eu poderia supor? Será que o que me difere da criança que fui é só uma camada (bem grossa por sinal) de poeira que o tempo deixou? Quantas perguntas... Sempre me senti muito incomodada com perguntas sobre mim, meus sentimentos, mas, dessa vez, é diferente, tenho sentido uma estranha paz em me sentir cercada de perguntas (talvez seja porque agora minha inquisidora seja eu mesma) e tenho me percebido ávida por todas as respostas... Aliás essa sensação pode já ser uma resposta àquela pergunta inicial. Afinal, não são as crianças que adoram fazer o jogo de perguntas e respostas?
De volta para mim mesma!!!
Em algumas outras situações da minha vida tive a impressão de que estava me perdendo de mim mesma, que precisava voltar alguns passos (ou muitos passos) e acertar o caminho. Mas dessa vez não é impressão, de repente senti uma necessidade incontrolável de me reencontrar. É como se algo em mim tivesse se descolado e tive certeza de que se não encontrasse o desacerto não poderia prosseguir em paz. Eu até poderia continuar caminhando, mas a esmo, sem rumo e, pior ainda, sem vontade. Por algum tempo tentei fingir que nada estava acontecendo, tentei pensar como uma pessoa "normal" (Será mesmo que alguém o é?), mas estava me ferindo a tal ponto que fiquei com medo de me mutilar. Enfim, me vi obrigada a fazer algo por mim mesma. Mas o quê? Como? Quando? O destino (ou seria o acaso, ou mesmo anjos ou deuses?), enfim, alguém resolveu me ajudar, surgiu uma oportunidade de voltar pra casa por uns dias, retornar para onde nasci, cresci e de onde parti cheia de sonhos e expectativas (que aliás, pouco a pouco vêm sendo realizados). Aliás, se meus sonhos estão sendo conquistados e os projetos realizados, o que está errado? Voltamos ao ponto de partida. O que está acontecendo comigo? O primeiro passo já está dado, sei o que vim buscar agora falta o resto...
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