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Fugaz

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Deitada no chão da sala.
Na cara, o sol que pulou a janela.
Na certa, felicidade não é coisa tão rara.


P.S.: Minhas desculpas aos amigos que insistem em vir aqui. Faz tempo que não os visito e obviamente eu estou perdendo mais que vocês. Mas ando num daqueles períodos de ter tanto o que dizer que não se consegue dizer nada... ou escrever. Como sempre, uma hora ou outra, eu volto. E não, isso não é uma ameaça... rs.

Estranha(mente) vestida

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É, meninos, vocês têm razão. Nós, mulheres, somos muito estranhas. Mas vamos combinar que também é bem estranho sangrar "em bicas" todos os meses, sentir uma dor dos diabos, ter vontade de sair pelas ruas metralhando todos os idiotas desse mundo e ao mesmo tempo ter vontade de se esconder embaixo do edredon e não sair de lá nunca mais. E além disso continuar acordando todos os dias, fazer 350 coisas ao mesmo tempo e ainda ouvir às 8 da manhã que você é a nora que a mamãe do pedreiro da esquina (que não necessariamente é pedreiro) espera ansiosamente. É isso aí, meus queridos, ser mulher não é a-coisa-mais-fácil-desse-mundo. Tudo bem, isso tudo justifica mas não explica. Vocês provavelmente continuam nos achando estranhas e eu, de bom grado, continuo aceitando o rótulo, até porque admito que sinto e faço coisas que corroboram essa sua opinião.

A pessoa aqui apesar de longe de se classificar como um exemplar da mulher moderna culta, viajada, mega esperta e bem resolvida, também não se encaixa no perfil garota sarada cabeça oca. Estudar sempre foi uma opção. Ler, em alguns momentos, quase tão prazeroso quanto um orgasmo múltiplo. Se um dia eu resolver aderir a algum culto extravagente, será ao cérebro, ao meu, inclusive. Já viajar, no sentido literal ou não, é um hábito. Quanto a ser bem resolvida, digamos que eu tenha uma relação de amor e ódio com meus próprios sentimentos.

Acontece que ontem estava eu procurando um bat-vestido para as mulheres criticarem e os homens nem notarem num casamento que pretendo ir hoje mais tarde e eis que me peguei tendo a satisfação pessoal mais perceptível dos últimos dias. Ganhei na sena? Dei de cara com um príncipe encantado (lê-se cara gente boa, inteligente, divertido e lindo!!!)? Saiu aquela bolsa tão esperada pro mestrado na Europa? Nãoooooooo. Serviu-me (muito bem, minha falta de modéstia tem que acrescentar) um vestido "P".

Você está rindo? Provavelmente é homem ou tem medidas de uma menina de 12 anos. Porque, sinceramente, qualquer mulher com medidas de gente grande, que tenha bunda, perna e todo o resto que uma pessoa normal tem, sabe que entrar num vestido "P" não é assim uma coisa tão banal. Portanto, chamem-me de fútil, vazia ou ESTRANHA. Mas o fato é que hoje à noite vou "me enfiar" num vestidinho "P" e, por algumas horas, vou brincar de ser livre, leve e solta.


P.S.: Ando me divertindo com um novo brinquedinho. Pensou bobagem??? Nada. Resolvi me render ao twitter (www.twitter.com/@daspe3).

Da merda à luz

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Não é novidade pra ninguém que o Impressões não é um diário. Eventualmente, posto comentários sobre coisas que estão acontecendo, mas os meus preferidos (e mais comuns) são mesmo os textos ficcionais. Acontece que, em algumas situações, a vida "real" e minha imaginação fundem-se de tal forma que fico sem saber onde uma acaba e a outra começa. Foi isso que aconteceu ontem.

Um dia estranho no meio de uma fase difícil. Achei que pudesse ser uma boa ideia tentar escrever um pouco. Colocar uma boa música, chamar o teclado pra dançar e ver os riscos que deixamos na tela. Depois de alguns minutos de um bailado meio sem jeito, pus-me a ler o que tinha saído.

O texto falava de alguém que se chocava com formas diretas de suicídio, sem perceber que não viver é o jeito mais lento e doloroso de morrer. Confesso que já escrevi coisas bem piores. Além do mais, não tenho nada contra melancolia e obviedade, mesmo quando me soa cafona. A pieguice, por vezes, muito me agrada. Mas, por um motivo que naquele momento não consegui distinguir, não publiquei o post.

Não publiquei mas também não deletei. Seria muita ironia "matar" um texto meu sobre formas de não viver. Um suicídio literário. Ou será que suicídio literário seria justamente publicar aquele texto de gosto bem duvidoso? Não importa, esse não é mesmo o assunto em questão. O fato é que salvei o post, desliguei o pc e as luzes. Ficamos nós, eu, a música e o escuro do quarto.

Abri a janela, a Lua linda imperava soberana num céu sem estrelas. O sopro da noite e o banho de luar invadiram o claustro do quarto sem a menor cerimônia, assim como invadiu minha cabeça um pensamento reconfortante. Na falta de luz humana, ainda haverá lua.

De repente, pela janela aberta, entrou um vagalume. Enquanto eu acompanhava rodopios de luz esverdeada na imensidão do quarto escuro, meus pensamentos também rodopiavam na escuridão que havia se instalado em mim. Pensava em tudo e em nada exatamente. Mas de repente toda minha atenção se fixou numa única coisa. O vagalume.

Lembrei dos tempos de criança, quando eu acreditava que vagalumes eram pedacinhos de Lua. Na época me parecia uma conclusão óbvia, os vagalumes vinham dos céus e eram feitos de luz, o que mais poderiam ser? Lembrei de outras conclusões simples e singelas da época de infância. Aliás, sempre me encanta a poesia genuína que há nos pensamentos de uma criança.

De repente pensei no quão metafórica era aquela situação. Num quarto escuro, eu abro a janela pra ver a Lua e surge um vagalume, com sua bunda brilhante. A bunda. Num sentido figurado, essa parte do corpo tem muito a ver com situações de crise. A bunda amortece as quedas, e ela que é chutada quando não te querem mais, além de que é a bunda que assenta o corpo cansado numa cadeira enquanto o mundo continua a girar. E por fim (e não menos importante), é da bunda que sai um monte de bosta.

Só que o vagalume estava ali, invadindo a minha escuridão com sua bunda reluzente, me fazendo lembrar de quão versáteis são as coisas, da infinidade de opções que nos são apresentadas a cada segundo, da diversidade de posturas que podemos adotar em cada situação.

Foi o vagalume que me lembrou que de merda à luz, a gente pode encontrar tudo, basta abrir a janela.

Banho de chuva

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Escutei tua chegada. Fingi que nada havia acontecido. Eu sabia o domínio que exercias sobre mim. Sabia também que não poderia resistir por muito tempo. Mas havia uma chance. Tua natureza passageira poderia te fazer partir logo. Antes que me convencesses a te ouvir, a me ouvir. Isso não aconteceu. Não a tempo.

Tu já estavas próximo o bastante pra me fazer ouvir com clareza o teu convite. Chamava-me pra dançar a tua música, no compasso ritmado, em que, naquele momento, já pulsava meu corpo. Senti teu cheiro e todos os efeitos que ele causava em mim. Ainda tentei controlar, mas era tarde. Eu já sabia o que aconteceria a seguir.

Levantei-me e caminhei em tua direção. A cada passo, despia-me mais um pouco. Percorri a distância que nos separava, deixando pra trás um caminho de vestes jogadas ao chão. Entreguei-me plenamente desnuda.

Nua, pude sentir o prazer de tuas carícias. Deixei que percorresses todo meu corpo. Libertando-me de tudo que eu havia sido. Lavando a pele, renovaste a alma. As pernas afastadas uma da outra faziam com que eu te sentisse entre as coxas. A boca aberta permitia que eu provasse teu gosto de vida. Gosto pela vida. Gozo pela vida.

Aos poucos, senti acalmarem-se teus murmúrios e abrandar-se a força do teu toque. Eu já sabia exatamente o que aconteceria a seguir. Era naturalmente inevitável. As tempestades sempre tranformam-se em chuva fina até... secar.

Após sentir que já tinhas ido. Voltei pelo caminho de roupas que eu havia traçado. Vesti-me com o corpo ainda molhado pra manter por mais tempo o frescor que deixaste em mim.

Com um sorriso mudo nos lábios, pensei antes de adormecer. Aquela tempestade se foi, outras virão e eu, apesar do frio e dos riscos, continuarei sempre disposta a um bom banho de chuva.

Um breve agradecimento

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Fragmentos de 3 conversas com 3 pessoas absolutamente diferentes, com as quais eu tenho relações totalmente distintas. Foi o que me veio à cabeça no momento em que me abandonei aqui, à frente deste teclado, que tem sido meu parceiro e algoz, há mais ou menos 1 ano.

Fico pensando o que têm essas 3 pessoas em comum. E as palavras que me vêm à cabeça são intensidade e liberdade. Vida em tamanha abundância que, em certos momentos, parece que um só corpo não os conterá. Será pouco, bem pouco, pra abrigar tanto sentir e tanto pensar.

Intensidade e liberdade. Fácil antever quais efeitos essa mistura causa em mim. Encanto, interesse e está acionado o botãozinho que desencadeia uma série de pensamentos que levam a outros pensamentos num ciclo que parece interminável.

Uma mulher madura, segura, experiente, encantada, absolutamente encantada por um menino que, com uma doçura absurda, foi fazendo caírem todas as máscaras, foi limpando toda a camada espessa de pó que cobria o rosto da tal mulher. E ela, tão acostumada a cravar com segurança os dois pés no chão firme, fica sem saber o que fazer quando se sente caminhando num chão de nuvens. O garoto aparentemente tão frágil, a mulher firme como rocha. E no fim das contas, não se sabe mais quem corre mais riscos nesse encontro improvável.

Um homem que, mesclando sagacidade, sarcasmo e delicadeza, vai deixando uma série de mensagens subliminares, as quais vão formando uma corrente de elos arredondados. Um caminho de migalhas de pão que vou trilhando com a total certeza de que é preciso atenção, apesar de todas as alegorias que enfeitam a estrada. Um caminhar sem ponto de chegada, apenas o prazer de continuar descobrindo o que se apresentará mais adiante. Quais serão as novas mensagens, quais pensamentos elas desencadearão em mim, quantos sorrisos mais?

Uma mulher muito jovem, uma menina muito velha. Uma pessoa daquelas que nos faz oscilar entre a reflexão mais profunda e a piada mais infame, fazendo com que a reflexão não pareça tão "pesada" e a piada não pareça tão tola. Confidências trocadas. Muita prosa. Poesia, sempre. E a capacidade de ler minhas palavras com uma sensibilidade tamanha que, por muitas vezes, me faz ficar feliz por tê-las escrito.

3 pessoas que, sem nem saberem da existência umas das outras, uniram-se pra me passar uma só mensagem dividida em partes, como num geograu (?) daqueles de escola primária. Cada um, em seu momento e com uma eficiência ímpar, falou a sua parte. E quando foi dita a última palavra do último participante ficou muito claro que, nem sempre, as mensagens vêm inteiras, de uma só vez, nem passadas por uma só pessoa, por uma só situação.

A moral da história é que apre(e)nder não é algo tão fácil quanto pode parecer à primeira vista. Requer atenção, percepção e... boas companhias, é claro... rs.

Meias flutuantes em céu de carpete azul

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Nada melhor pra representar o que foi meu dia hoje do que essa imagem. Percebi isso assim do nada. De repente, olhei pros meus pés, mais exatamente pras meias de flores coloridas flutuando num céu feito de carpete azul. É, meu céu estava azul sim. Azul e sob meus pés. A ordem natural das coisas estava invertida a meu bel prazer.

Lá fora um dia cinza. Frio que gela os ossos. Chuva fina, intermitente. Neblina que faz do chão, nuvem, que faz dos homens, espectros. Aqui dentro, o calor. Calor de xícara, de livro, de alma, de meia de flores coloridas.

Acabado o chá e o capítulo, fechei o livro e fui até a cozinha. Na volta, olhei a TV desligada (há dias) e resolvi, sabe-se lá por que, ligar o tal aparelho. Você deve estar pensando que fui movida por uma incapacidade absoluta de conviver com o que chamam de "paz de espírito". Não? Pois foi nisso que pensei quando apertei o botão.

O fato é que hoje tudo estava conspirando a meu favor, até a humanidade. Era o jornal do fim da tarde, passava uma matéria sobre pianos. É isso. Pianos espalhados pela cidade, posicionados em espaços públicos, a livre acesso de todos. Música individualizando a multidão. Arte retirando da massa disforme mãos habilidosas, olhos atentos, lágrimas, aplausos.

Desliguei a TV. Afinal, melhor não dar sorte pro azar (mais uma expressão fofa do baú da vovó), estava tudo muito perfeito pra eu arriscar ver a matéria seguinte. Televisão devidamente calada, voltei a meu mundinho provisoriamente colorido e particular. Mais uma xícara fumegante, mais um capítulo do livro, mais um sobrevôo de flores coloridas pelo céu de carpete azul.

A rendição e a redenção

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Era o final de uma tarde daquelas. Trabalho, correria, calor, trânsito infernal. Sinal fechado. Avalanche de pedidos, ofertas, lamentos. Esmola, antena de tv, cegueira.

O motorista praguejou. Ela ouviu apenas recortes. Culpa... governo... trabalho... desgraça. O botão "não preciso ouvir isso pra completar um dia infeliz" estava acionado. Não ouviria o discurso inteiro. Ela já o conhecia de cor. Além do mais, não faltariam oportunidades de ouvir e falar sobre o assunto. Era só esperar o amanhã chegar e torcer pra que ele não fosse tão ruim a ponto de fazer com que ela se recusasse a ouvir de novo.

De repente, algo furou a barreira acústica. Gritos. Muitos gritos. Vozes finas, estridentes. Pivetes, certamente. Teriam roubado alguém? Seria a euforia do álcool, das drogas? Quis que tudo aquilo acabasse logo. O dia, o calor, o barulho. Ela só queria chegar em casa. Era pedir demais?

O homem tinha parado de discursar. Teria percebido que ela não estava disposta a servir de platéia? Provavelmente não. Ela duvidava até mesmo de que ele realmente estivesse falando com ela. O fato é que os gritos não pararam. Eles insistiam em fazê-la lembrar que não havia como ignorar um mundo inteiro. Tudo bem. Rendição. Ela se voltou para a direção dos gritos.

Não viu pivetes correndo com uma bolsa na mão. Não viu pequenos seres devastados pelo vício. Ela viu meninos. Eles eram crianças ainda. Como ela sabia? O sorriso. Eles ainda sorriam com a alma. Ela podia ver isso até de dentro de um carro, do outro lado da rua.

Pronto. Ela não podia mais ignorar. A vida estava ali, gritando através das bocas miúdas daqueles meninos. Eles berravam e olhavam pro céu. Ela olhou também. Viu várias pipas coloridas que dançavam ao sabor do vento. As linhas. Havia uma linha presa a cada pipa. Na outra extermidade, mãos pequenas faziam movimentos seguros. Ela percebeu naquele momento o motivo dos gritos, dos sorrisos abertos. As pipas voavam. Os meninos voavam.

Ela quis voar também. Quis correr e gritar com aqueles meninos. Ela não se moveu. Também não emitiu qualquer som. Mas alguma coisa havia mudado.

Ela não tinha uma linha na mão. Não se sentia capaz de abrir a porta daquele carro e correr junto com as crianças. Estava cansada demais. Mas ela ainda podia perceber o quão azul estava aquele céu de pipas dançantes, ainda era capaz de mudar de idéia e ver a beleza daquele dia. Um dia que ela chamara de infeliz há uns segundos atrás.

Tudo bem. Ela não podia voar, mas ainda podia sorrir. Sorrir com a alma. Ela ainda era criança. Um sinal. O sinal. Abriu. O carro prosseguiu e ela sorrindo, despediu-se dos seus pequenos e barulhentos redentores.

Quem é mesmo o delinqüente?

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Estava aqui procurando notícias toscas pra fazer uma postagem (que ficará pra depois) e eis o que acho: "Ladrão devolve carro com criança dentro."

Sério !!! Dá pra acreditar ???? Imagina só...

O pobre do ladrão estava trabalhando (à noite, hora extra, entende o sacrifício?) e, depois de muito procurar (cor, modelo, estado de conservação, kit gás, sem alarme), encontra o carro perfeito. Cuidado, muito cuidado. Abrir sem ser notado, sem amassar a porta, sem danificar a fechadura. Pronto. Porta aberta. Partida. Agora é entregar logo o carro, receber (a ninharia) do receptador (aquele explorador) e pronto. Mais um dia de trabalho encerrado.

Só falta uma quadra. Quase chegando. Olhadinha no banco de trás. Seria ótimo encontrar um presentinho para a patroa ou para as crianças. Criança !!! Um menino dormindo no banco de trás. Ele não acredita. Isso não está acontecendo.

Vira a esquina. Não vai mais entregar o carro ao receptador. Procura um orelhão. Encontra. Polícia. "Acabo de roubar um carro. Encontrei um menino dormindo no banco de trás. Sou ladrão, não sou um desalmado. Não faço mal a crianças. Tenho os meus meninos em casa." Avisa onde deixou estacionado o carro, não sem antes recomendar ao policial que se apresse. A criança pode acordar e ficar assustada.

Anda uns metros. Esconde-se e aguarda. Meia hora depois, a viatura chega. Uma mulher chorosa e um homem careca acompanham os policiais. A mulher pega a criança nos braços. Felizmente, o inocente nem acordou. Vida de ladrão é curta e dura. Mas ele vai morrer em paz, nunca fez uma criança chorar.

Hora de ir pra casa. Bolso e estômago vazios. Cabeça cheia. Onde fomos parar, meu Deus? Que mundo é esse? Pais deixam crianças abandonadas em carros no meio da rua, em plena madrugada.

O casal esquecido (cidadãos honrados) ouve o policial explicando delicadamente que teria que comparecer à delegacia no dia seguinte pra prestar esclarecimentos sobre o fato. Enquanto isso, o meliante caminha e pensa se conseguirá chegar em casa a tempo de levar os filhos até a porta da escola.

P.S.: Está certo, eu dei uma viajada, mas a notícia é real. Ou seria surreal?

Achou a "graça"?

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Um dia inteiro de palestras, 500 jovens divididos em 3 grupos. Corpo cansado. Mente em ebulição. Voz? Já era. Disposição? Renovada. Sabe de uma coisa? Sou mesmo teimosa feito mula empacada. Não largo essa "estranha mania de ter fé na vida".

Cheguei em casa assim, como aqueles atletas que depois de quilômetros de corrida, arrastam-se em direção à linha de chegada. Banho. Longo, quente, muito quente. Caixa de e-mails, afinal o mundo não parou pra acompanhar minha preguiça. Ótimo, e-mail da minha amiga/irmã (aliás, saudade). Piadinha. Lá vem...

Gargalhada. É tão boa assim a piada? Nem sei. Talvez só estivesse esperando uma oportunidade pra rir. Aqueles risos solitários, como quem ri pra vc mesma.

Boa ou não, aí vai a tal piada. Faço questão de te repassar a oportunidade de rir sozinho olhando pra uma tela de computador. Viu como sou gente boa?

Chega de embromação e vamos ao sorriso (ou não)... rs.

Cada um com seu cada um

Um casal recém casado vai viver em sua nova casa. O homem diz:

- Se quer viver comigo, as regras são:
1) Segundas e terças-feiras à noite, vou jantar com os amigos;
2) Quartas-feiras à noite, cinema com o pessoal;
3) Quintas e sextas à noite, cerveja com os colegas de trabalho;
4) Sábados, pescaria com a turma, retornando domingo pela manhã;
5) E, aos domingos, deito cedo para descansar.
Se quer... Quer... Se não quer... Azar!

Então a mulher responde:

- Pra mim só existe uma regra:
Aqui em casa tem sexo todas as noites. Quem está, está. Quem não está... Azar!!!!!!!!!!!!!

Mais uma metáfora

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A falta de ar. Lá estava ela de novo. Com seu sorrisinho de lado, como quem diz: "Vim pra te ensinar umas coisinhas." Ela ensinava mesmo. Talvez não ensinava, mas fazia lembrar. Às vezes é bem útil lembrar alguns detalhes importantes.

Respiramos o tempo todo, isso nos mantém vivos, ainda que não tenhamos consciência. O fato de não termos consciência não faz com que a necessidade não exista. Aliás, nossa falta de consciência não altera nada à nossa volta, desconfio de que nem dentro de nós.

E se tivéssemos "consciência", respiraríamos melhor? Boa pergunta. Acredito que não. Talvez não mudaria nada. Talvez tivéssemos só mais cuidado. Talvez...

Eu vou pensando, tentando respirar, tentando existir, tentando resistir. Ela não pensa. Ela simplesmente existe. Há falta. A falta de ar. A falta de consciência. A falta.

Retrato (3x4) de domingo

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Domingo
Almoço em família
Sonolência dos satisfeitos
Adormecer nos braços do afeto
Olhar o céu da minha terra
Pisar na terra do meu céu

P.S.: É, hoje estou de nariz pintado, brincando de ser feliz...

Viagem de volta

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Você já viajou de costas? Não, não estou bêbada, nem louca (eu acho). Falo daqueles ônibus e vans que têm bancos em que vc viaja de costas para o motorista.

Pois é, estava eu, num daqueles ônibus que levam a gente até a pista do aeroporto pra embarcar, de costas, Bob Dylan cantando, sol acabado de "nascer", céu azul, brisa gelada... O ônibus ia em frente, sem pressa, com a calma de quem está na hora certa, no local exato. E eu, ali sentada, sem saber se estava indo na hora certa, pro local exato, mas com pressa de chegar, de ver, de saber.

Fiquei olhando não pra onde estávamos indo, mas olhando de onde vínhamos. O ponto de partida, o espaço percorrido, as marcas deixadas, o que foi. Nós, desde que nascemos, ouvimos que temos sempre que olhar pra frente, viver o agora e enxergar adiante.

Pois eu, naquele momento, senti que a "vida" estava me dando uma oportunidade de olhar pra trás, olhar de onde eu vinha, por onde tinha andado. Na verdade, era eu mesma que estava me dando esse direito, não foi um presente caído no meu colo, foi uma percepção, uma opção.

Então, passei aqueles cinco minutos pensando em milhões de coisas que tinham passado, que tinham ficado. Ao olhar o caminho que os pneus do ônibus tinham acabado de trilhar, eu revivia os caminhos que eu tinha percorrido com meus próprios pés.

Eu sou uma pessoa que ama o fato de estar viva, que não vive em busca da felicidade, mas que encontra partes de felicidade por viver. Não tenho muita paciência pra ficar medindo o passado, fazendo contas, calculando os saldos.

Mas, naquele momento, percebi o quanto o que passou não passou, ficou, estava ali, fazendo parte de mim, indo junto comigo, não só naquele trecho Rio-Salvador, mas por toda a viagem.

Alegria de "coffee break"

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Sabe um daqueles dias em que parece que vc já acordou correndo? Foi o que aconteceu hoje, milhões de coisas a resolver, ajeitar os efeitos da última viagem, tentar amenizar os efeitos da próxima viagem... aff...

Só que, como ainda insisto em achar que sou "dona do meu tempo", no meio da tarde, parei tudo e me dei ao luxo de 10 minutos de nada. Foi isso mesmo que vc leu, NADA. Porta da sala fechada, xícara de café em punho, celular desligado (já disse que detesto meu celular?), um "não estou pra ninguém" (essa expressão é horrorosa e sem sentido, mas foi exatamente a que eu usei) expresso e indiscutível, silêncio externo e interno também, até a pensar eu estava determinada a me negar por aqueles preciosos 10 minutos.

Olhei pela janela e vi uma cena que me chamou a atenção. Pronto, acabou-se, já estava pensando... rs.

Um avô e um neto. Está certo, não havia como saber que era mesmo essa a relação de parentesco, aliás nem dava pra saber se havia mesmo qualquer ligação consangüínea entre os dois. Mas, na minha cabeça foi essa a relação que criei entre eles e não discuta porque a história deles agora passou a ser a minha estória.

Voltando ao assunto, estavam lá os dois, o garoto, de uns dois anos, vinha no colo do senhor que apontava em todas as direções, mostrando ora um "bichinho" estranho que andava pela calçada, ora um pássaro que voava bem lá no alto. O menino, empolgado, falava e gesticulava para um avô de sorriso largo e ar interessado.

Fiquei ali olhando aquela cena. O homem maduro apresentando o "mundo" àquela criança, que, por sua vez, mostrava ao avô um novo olhar pra coisas tantas vezes já vistas.

Quem será que via com mais clareza o que os rodeava? Quem dos dois realmente enxergava o que a "vida" lhes apresentava? Sinceramente, não sei as respostas. Na verdade, essas são perguntas absolutamente irrelevantes pra mim e aposto que pra eles também.

Naquele momento, entre aquelas duas pessoas, não importava quem "sabia" mais, quem estava ensinando a quem. Não havia posições fixas de professor e aluno. O que havia eram duas pessoas, com suas características individuais, compartilhando um momento de observação, de descoberta, de troca.

Fiquei ali, parada, pensando no quão poética era aquela cena. Lembrei do post da Ana sobre o quanto esperamos situações grandiosas pra fazer com que valha à pena estar vivo. De repente me senti alegre, alegre por ter me dado o direito de olhar pela janela, alegre por ter "conhecido" aqueles dois, alegre, principalmente, por não ter perdido a capacidade de me sentir assim... simplesmente alegre...

Um paralelo

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Hoje aconteceram dois fatos dignos de nota no meu (maçante) dia.

O primeiro foi ainda bem no início da manhã. É queridos, vi o dia amanhecer de novo. A insônia está de volta, chegou de mãos dadas com o retorno ao trabalho. Será por quê? rs...

Bom, voltando ao assunto, o primeiro fato relevante foi que finalmente acabei de ler o livro que vinha me divertindo e martirizando há alguns meses.

Podia ressaltar vários aspectos desse meu companheiro "de viagem" (literalmente), mas minha relação com livros é bem parecida com a que tenho com pessoas. Não me sinto muito à vontade pra fazer análises. Verdade ! Minha relação com a literatura é muito mais intuitiva, emocional, do que propriamente intelectual. Contraditório? Novidade... rs.

Mas vou sim destacar uma citação do livro. Só que antes, vou contar a outra coisa que aconteceu hoje.

Fui convidada (na verdade, intimada, mas abafa o detalhe... rs) a desenvolver um trabalho com adolescentes, objetivo: conscientização política. Formação de disseminadores de conceitos de cidadania, tentar transformar estudantes em educadores e fiscais de práticas abusivas nas campanhas eleitorais locais.

Já sei o que vc está pensando. Acredite, pensei mais ou menos a mesma coisa. Como fazer com que um jovem seja "fiscal da ética" dos candidatos num país em que falar de ética, especialmente na política, parece até piada infame?

Foi justamente nesse momento que me lembrei do trecho do livro sobre o qual falei mais acima. Ele defende a idéia de que a imaginação positiva não é mera questão moral, e sim um meio concreto de alcançar desenvolvimento político, social e econômico. Em seguida, questiona: "Como se faz pra nutrir em outras pessoas uma imaginação mais esperançosa, mais afirmativa, mais tolerante?"

E essa é a minha questão de hoje. Complexa? Imagina... rs. Mas sabe de uma coisa? Acho sim que tenho o perfil pro trabalho. Por quê? Porque sou tão cara-de-pau que tenho a petulância de acreditar e ainda defender a idéia de que esse mundo pode sim ser um pouco melhor...

É, dessa vez, aceito a camisa-de-força, mas, pelo menos, compra uma bonitinha, tá? rs... rs...

Dessa vez, o jornal trouxe uma boa nova (ou seria bossa nova?)...

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Tenho uma revelação a fazer... (que rufem os tambores)...

EU SOU PATÉTICA, ABSOLUTAMENTE PATÉTICA !!!

Posso até ouvir vcs: "Ahhhhhhhh !!!!!"... e pensando "Cadê a novidade?"

Tudo bem, não é mesmo novidade, mas enfim, foi uma boa forma de iniciar o post... rs. Mas, deixa eu explicar o motivo dessa revelação.

Estava eu no banheiro (seja educado e nem imagine fazendo o que... rs)... Então, estava no banheiro e vi um jornal em cima da pia, puxei o jornal, pensando no quão apropriado era ler jornal no banheiro. Atualmente, tenho achado o jornal quase um vaso sanitário (lugar onde descarregamos nossas sujeiras e colocamos sachês cheirosos pra disfarçar o mau cheiro... rs)... Tudo bem, peguei pesado, esse tom não combina mesmo com o momento "sweet" desse post. Continuando a história...

Quando eu puxei o jornal, vi, em cima da pia do banheiro da casa da minha mãe, um grande amor da minha adolescência, que achei ter perdido numa das minhas várias mudanças de caminho. Ele estava ali, bem diante dos meus olhos, e só sabe do que estou falando quem já reencontrou um amor do passado, daqueles de quem vc se perdeu antes que tivesse "gastado" toda sua paixão, antes que tivesse compartilhado tudo que sonhou compartilhar.

Toquei nele, senti o seu cheiro, reparei de novo nas suas partes que mais me atraíam, achei outras mais. Chorei, chorei copiosamente, de alegria, de tristeza, de emoção. Pensei no passado, nas noites mil em que dividimos sonhos, dores, ilusões. Fiz planos pro futuro, desejei explorar cada faceta que eu podia ver agora e que não podia perceber há 10 anos atrás, só pra compensar aquelas que a "maturidade" me impediria de ver.

De repente, lembrei que não era mais uma menina, que não passaria mais noites agarrada a uma coletânea de poesias, ainda que de Vinícius. Lembrei que eu não precisava mais possuir pra amar. Percebi que era realmente bom poder rever aquelas páginas amareladas, sombras das lágrimas que derrubei, mas que toda aquela beleza que descobri há anos, agora já fazia parte de mim.

Bom, confesso que, desde o reencontro, não desgrudei dele, às vezes me pego procurando por ele só pra ter certeza de que ainda está ali. Mas já estou pensando em deixá-lo ir. Os livros, assim como as pessoas, não merecem o claustro. A sua beleza, as suas delícias precisam ser aproveitadas por outras pessoas. Só assim eles terão realmente existido.

Agora vc deve estar achando que pensar assim me faz uma pessoa destinada à solidão. Pode até ser. Às vezes, me sinto realmente só, mas quem é que nunca se sente assim?

A solidão é nossa sina, não é possível nascer sem cortar o cordão umbilical. Talvez esse seja o primeiro ensinamento que a vida gentilmente nos dá. "Marvin, agora é só vc."

Então, se a solidão é inevitável, o melhor é aproveitar intensamente os encontros (e reencontros), ainda que isso signifique chorar com um livro nas mãos em um local nada romântico (se bem que um banheiro pode ser bem romântico, dependendo do ponto de vista... rs).

Além disso, só o que nos resta é esperar o que encontraremos "embaixo do jornal de amanhã".