Mostrando postagens com marcador Poetando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poetando. Mostrar todas as postagens

Corrente

| | 13 comentários »



Fim de tarde... Tarde

de sol... Sol

enamorado por um mar de mansas ondas... Ondas

lambendo a fofa areia... Areia

arena de meninos (alguns não tão meninos) correndo atrás da redonda... Redonda

curva da musa morena, ainda que loura... Loura

gelada saindo da lata num chiado-melodia... Melodia

doce do violão safado no dueto com o mar... Mar

que apaga os passos dados e descortina outros caminhos... Caminhos

tortuosos de um cigano coração... Coração

mambembe que, à beira-mar, brinca de estar em paz... Paz

de fim de tarde... Tarde

furta-cor, cambiante, passageira... Passageira...


(Não)Ser

| | 16 comentários »



É um vazio cheio, lotado, transbordante.

Uma lacuna que clama e se proclama.

Avisa aos quatro cantos a sua existência.

Mas ela não existe. É um não-ser.

E quando alguém a encara face a face,

depara-se com o que não pode conceber.

Um paradoxo sem aparente contradição.

O que é consumido sem, contudo, fenecer.

A certeza mais dúbia que uma interrogação.

P.S.: É isso. Estou de volta. Senti saudade de todos, daqui, de uma parte de mim.

Desejo

| | 18 comentários »


Estou lhe convidando a entrar no meu mundo.
Me vire do avesso, chegue até o fundo.
Leve tudo o que puder carregar.
Não se preocupe. Não estará me espoliando.
Tudo que for, renascerá.
Não pense em utilidades, conveniências, convenções.
Não deseje nem me ofereça retribuições.
Não me faça feliz. Não faça sexo. Não faça amor.
Faça verdade. Faça de verdade. Seja o que for.
Percorra minhas curvas, caminhe à beira dos meus abismos.
Não socorra náufragos, não construa pontes em precipícios.
Seja corajoso e esqueça os heroísmos.
Tire a armadura, baixe a guarda. Arregace o peito, mostre a alma.
Não pense em parar o tempo, nem romper com o mundo lá fora.
Não fique aí imaginando o que eu espero.
Eu não espero. Eu quero.
Quero que seja aqui. Quero que seja agora.

Respeitável público

| | 22 comentários »
Atenção ao picadeiro

Que comece o espetáculo

Ele, em trapézio de versos

Eu, olhos atentos

Coração aos saltos

Ele não é o que parece ser

Nem só poeta

Nem só palhaço

É o que não se pode conceber

Doma o tempo

Adestra sentimentos

Ele é o mago

P.S.1: "Respeitável Público" foi literalmente uma lembrança dada a um querido amigo. Um dia estava na estrada, indo pra uma audiência numa cidade próxima, quando, de repente, Tossan veio a minha cabeça e esse poema surgiu assim, quase completo, como se já estivesse pronto, gravitando entre as nuvens que cobriam o céu naquela manhã nublada. Acho que ele (o poema, assim como o próprio Tossan) já vinha se construindo não só a partir de minhas próprias impressões, como de cada comentário que li no http://www.klictossan.blogspot.com/. Enfim, "Respeitável Público" não nasceu só da minha enorme simpatia por pessoas sensíveis, que não têm o menor pudor em mostrar sua delicadeza, em oferecer sua gentileza, tal poema nasceu antes do encantamento que vi se repetir incontáveis vezes nas palavras das dezenas de pessoas que o visitam a cada novo post.

P.S.2: Aproveito a oportunidade pra agradecer o recorrente carinho da In Natura que, mais uma vez, publicou um texto meu (www.goldinnatura.blogspot.com/2010/02/respeitavel-publico) e, ainda, me deu a oportunidade de homenagear um querido amigo.

Mais que perfeito

| | 22 comentários »


O amor perfeito
tem raízes profundas, pra se manter nutrido
caule flexível, pra se manter de pé
pétalas delicadas, pra espalhar beleza, renovar a fé

O amor imperfeito
é exatamente igual.
mas você o cultiva em casa
como quem olha uma flor que cresce
no quintal.

Então, meus caros, aviso:
amem assim... mas olhando a flor
no jardins do mundo.
pois o amor perfeito
é feito a luz de rio e mar:
é ora doce, ora salgado, ora leve
e ora profundo.

Mário Liz e Dani Pedroza - 30/01/10

P.S.: Escrever em parceria é como fazer sexo. Até que, no início, você tem algumas expectativas, pretensões, mas, ao fechar os olhos, abrir os lábios, entregar o corpo, o que realmente passa a determinar os acontecimentos, os sentimentos, os desejos, é o próprio desenrolar dos movimentos. Movimentos de corpos, almas, mãos. 4 mãos.

Convite

| | 19 comentários »
Ciranda girando,
corando a cara da criança.
Melodia pairando no ar
tal qual o ritmo da dança.

Roda de mãos atadas é mundo.
Círculo de elos entrelaçados é tempo.

O compasso pode mudar de direção no próximo segundo.
A roda gira pra um ou outro lado.
Portanto, menino, fique atento !

Cuidado pra não tropeçar na saia da garota.
Ela é faceira e pode lhe enredar.
Não olhe fixo em seus olhos.
São águas profundas e turvas.
Você pode se afogar.

Mas se não tiver medo e ainda houver no seu coração
a vontade de brincar...

Aperte as mãos,
acerte o passo,
arregace o peito.

A vida tem jeito.
Não é jogo, não é armadilha.
É só a menina rimando um convite.
É só a ciranda que continua a rodar.

P.S.: Não é essa a formatação original do poema. Mas, acho que não é mais segredo pra ninguém minha falta de jeito com essas ferramentas tecnológicas. Enfim, travamos uma batalha aqui e, no fim das contas, o editor de texto me ganhou... rs.

P.S.2: Alguns comentários referiram-se a música (sem crase mesmo, sem artigo). Pois é, vocês têm toda razão. Por motivos técnicos (mais alguns... rs), não postei um vídeo. Mas, enquanto escrevia o post, foi a música Falsa Baiana que esteve pairando por aqui.

Viagem de volta

| | 14 comentários »

A morte chegou numa noite de lua minguante,
Suas mãos eram quentes, seu olhar insinuante.
Chegada a hora de começar a minha jornada
Não voamos, era abaixo a caminhada.
Já imaginava que os céus não se abririam pra me receber,
Há na morte uma justiça absoluta e irrestrita
Que a vida jamais será capaz de conceber.

Descíamos escadas e mais escadas,
Já iniciando minha penitência.
O corpo, em torpor pelas drogas,
Arrastava-se com extrema lentidão.
A alma, anestesiada pela resignação,
Entregara-se sem qualquer resistência.

Ao chegar às profundezas do meu inferno particular,
Não mergulhei num poço fétido e incandescente.
Os degraus desembocaram num corredor de gelo
Terrivelmente iluminado por luzes fluorescentes.
O enxofre não pairava no ar,
Não ouvia gritos de dor lancinante.
Só havia uma ausência de perfume, de tudo
E sussurros abafados de uma desesperança angustiante.

Quis procurar alento nas mãos quentes da morte,
Ela já não estava mais ao meu lado.
Dando por fim sua breve visita,
Largou-me à própria sorte.
Por costume, persistência ou uma espécie de fé
Continuei percorrendo aquela geleira deserta
Margeada por gemidos de dor e portas entre-abertas.

Ao erguer os olhos, avistei-a mais adiante.
Estava à minha espera, ao fim da linha,
Com um risinho irônico e braços estendidos,
Lá estava ela, a Vida que um dia fora minha.

P.S.: Viagem de volta é um dos poemas escritos no hospital durante a minha recuperação do transplante. Ele foi escrito no dia 9 de julho deste ano, 2 dias depois da cirurgia. Por que estou postando justamente agora? Porque chegou a hora. Simples assim.

Breve adeus

| | 11 comentários »
Hoje erguerei um brinde à morte,
a tudo o que fomos ontem,
a velhas crenças, a antigos hábitos.
Hoje beberemos a nossos cadáveres decompostos.
O adubo que fertilizará a terra firme de um outro caminho.
Hoje brindaremos às lágrimas de decepção, ódio, frustração.
A água que regará a semente de um novo tempo
e o fará germinar.
Hoje beberemos à dor mais profunda
que fez cair por terra cada verdade absoluta.
A luz que nos fortalecerá as entranhas
e nos trará a clareza de uma bela manhã.
Hoje erguerei um brinde à morte,
luz, água e adubo,
à morte que fará a vida novamente florescer.

Mais uma vez

| | 18 comentários »
Ela abriu a porta e o pó invadiu suas narinas causando uma forte ardência. Era a velha alergia à estagnação que lhe roubava ar e paciência. Prendeu a respiração e entrou. Foi logo abrindo as janelas, tomando aquele espaço que considerava seu. Ao menos, temporariamente.

Depois de claro todo o ambiente, encostou num canto e começou a planejar: Como ocuparia aquele grande espaço vazio? Ligou a velha vitrola, deixando que seu som atemporal pairasse no ar. Qualquer um que passasse por perto, de padre a vadio, saberia que ali era um lugar sem tempo determinado, uma ponte, um elo perdido.

Ela, cujo habitat sempre fora negro com pequenos adereços brilhantes, decorado por um grande enfeite prateado de forma variante. Ela, sempre tão criatura, resolveu brincar de criador, sentou no chão, remexeu a terra e plantou uma roseira, com uma estranha sensação que bem poderia chamar amor. Plantou a roseira pensando que faria todo sentido criar raízes naquele jardim que facilmente poderia ter saído de uma das telas que um certo pintor melancólico e frustrado vendia naquela praça de anos atrás, um ano que não se recorda agora, de quem ninguém se lembra mais.

Por dias, trabalhou incansavelmente. Quando chegavam as noites, ela dormia sono profundo, cansada de dias inteiros de labuta, na lida. Limpou, perfumou, ocupou. Ocupou-se daquele lugar, daquele momento, daquela vida. Até que num momento qualquer, que hoje não consegue determinar quando, surpreendeu-se com uma constatação a atordoada mulher. As paredes estavam todas ocupadas, estava pronta a acomodação. Seu cheiro estava em cada canto, sua música ecoava senhora da situação. A semente havia germinado, em pouco tempo a roseira começaria a brotar. Mas aquele cheiro não era mais o seu, tampouco era seu aquele lugar. Não reconhecia aqueles rostos nas fotografias, muito menos a face que via retratada em cada espelho. Voltou a perambular nas noites, a não ver mais passarem os dias. E a alergia ao pó que somente ela via tornou insuportável a respiração naquele ambiente de rotina, estagnação.

E quando, enfim, fechou a porta, antes de partir novamente, olhou o botão de rosa que não veria ser deflorado e riu de sua própria tolice ao imaginar em outro momento que um dia poderia não ser mais angústia, frustração, tormento, plantar seu destino em terra fresca e firme, colher o que fora plantado, deixar de arrumar malas, preparando-se pra partir. Descansar de olhos fechados, sem a brutal sensação de que nunca mais os poderia abrir.


P.S.: Depois de dias de gripe, mudança e adaptação, estou de volta (isso soou meio trágico). Ao abrir o blog e ler algumas mensagens deixadas, percebi o quanto senti falta desse meu reino de palavras, ideias e (cada vez) mais sentimentos.
.

Legado

| | 12 comentários »


E quando o Criador determinou:
- Nascei, crescei e multiplicai-vos.
Cada homem resolveu a seu modo
seguir a orientação.
Uns procuraram ter mulheres
para gestarem filhos.
Outros procuraram ter ideias
para gestarem a evolução.

P.S.: Querido Sibarita, espero que goste da letra e do que diz a letra... rs.

Pecadora

| | 10 comentários »


Você planta os joelhos no chão,
por minha alma vadia pede perdão
e rende graças a seus ocos cofres santos.
Você passa noites inteiras refém de sua fé arrogante,
orando em sussurros incompreensíveis
como quem conspira escondida pelos cantos.
Pois eu passo as minhas noites
pecando sem rumo, sem hipocrisia.
Minha gula é de gente.
Minha sede, de alegria.
À beira mar, espero o rei sol nascer
e cega de vida pelo banho de luz,
peço clemência por sua alma pequena
que se interessa mais por um buraco de fechadura
do que pela imensidão brilhante da lua.

Sempre meu

| | 15 comentários »


O sempre não é trono em que se senta
usufruindo da vitória conquistada
Sempre é caminho
é caminhada

O sempre não é um destino em que se chega
um descanso, uma segura parada
Sempre é viagem
é estrada

É flor delicada, luz perene
Há que vencer as intempéries
Sempre há que ser renovada

É conjunto de ciclos finitos
promessa a ser merecida
Sempre dádiva a ser alcançada

Você pode?

| | 11 comentários »


Eu posso rasgar a capa que me cobre o peito
Mas você sobreviverá sem sua armadura?

Eu posso deixar que mergulhe no abismo que é meu leito
Mas você aprenderá a voar antes de chegar ao chão?

Eu posso desatar todos os nós, largar as rédeas
Mas você terá fôlego pra me acompanhar?

Eu posso entreabrir a boca
Mas você ainda pode fechar os olhos?

Você está pensando o quanto sou torpe
Que nada faço ou ofereço sem ganhar algo em troca
Você tem razão
Meu amor não é sagrado
É secular escambo
Olho por olho
Tem que pagar pra ver
Jogar as cartas na mesa
Correr os riscos

Eis sua chance
Acalme seu coração
Diga a ele que eu não posso
Que sou uma grande covarde
E vá em paz
Sem pensar nos seus próprios medos
Sem lembrar do que você não pôde

Pensamentos existenciais

| | 11 comentários »
"Penso logo existo."
Talvez devesse dizer:
Penso que existo.
Não seria tudo isso
uma grande ilusão?
Quer saber?
Melhor não pensar mais nisso.
Apenas continuar existindo.
Ou não.

Aberta

| | 6 comentários »
A porta está aberta.
Daqui posso sentir o perfume do gramado molhado
e o frescor da brisa que toca zelosa as pétalas das flores.
Posso ver a noite estrelada.
Há tantas flores e estrelas lá fora,
um mundo inteiro à sua espera.
Pode ir.
Nós seremos como a semente que seca antes de germinar.
Depois da decomposição vira chão de onde surgirá nova vida.
Vida... Morte.
Esse nós formado por mim e por você morrerá sem dar os primeiros passos errantes,
sem aprender a se comunicar com o mundo, sem se multiplicar.
Triste.
Vagar no espaço vazio que me tornarei sem você será imensamente triste, doloroso.
Dor... Nada fez doer mais do que ouvir o seu adeus.
Parte porque não encontrou uma brecha pra entrar,
uma lacuna por onde se encaixar,
um trono ornado pra se acomodar?
Ah, quão cego pode ser alguém que pensa que já viu tudo!
Tira a venda e olha pra trás.
Está vendo a noite lá fora, as estrelas, as flores?
Está vendo a porta? Ela está aberta.
Foi por lá que você entrou.
É isso. Você já entrou, mas não percebeu.
Estava mesmo cego,
cego por aquilo que você chama de amor.
Se quer mesmo ir, vá.
A porta continua aberta.

Pretenso poema

| | 9 comentários »


Não escrevo poemas pra seduzir
Escrevo pra não implodir,
pra não desabar

Não choro porque sofro da dor de um amor pequeno
Choro porque transbordo de um sentir
sem dono, sem nome, sem limite

Não grito pra que a multidão me ouça
Grito porque ecoa dentro de mim
uma profusão de idéias que precisam se libertar

Não desejo a felicidade sem fim
Desejo apenas abrandar essa inquietação
que gera tantas partidas

Não pretendo definir o que se passa cá por dentro
Pretendo apenas prosseguir
riscando esses traços disformes que chamo de lar

A bailarina e o equilibrista

| | 9 comentários »


Ela surgiu assim de repente tal qual divindade
Tive vontade de me jogar aos seus pés
Adorá-la como deusa
Oferecer-lhe um manto, meu pranto, um altar
Mas nada disso a apeteceria
Era a feiticeira do movimento
Ela queria bailar

Não me restou outra opção
Levantei-me e segui a aparição
Em seu ritmo frenético, intenso, insano
Ela continuou a dançar
Trazia em uma das mãos a vara de condão
O chão começou a riscar

Meu destino foi selado naquele instante
A linha trêmula nascida do bailar da divina criatura
Seria o único caminho a trilhar dali em diante
Seguindo seus passos, ainda sem jeito
Expurguei toda dor que me ardia no peito
E de vazio, melancólico, malabarista
Tornei-me ébrio, alucinado, equilibrista

P.S.: Essa cena foi uma das melhores coisas que vi na TV nos últimos anos. Ter visto essa metáfora em movimento me proporcionou 3 coisas dignas de nota: primeiro fiquei ali parada sentindo como certas sutilezas tocam profundamente em mim; depois me peguei lembrando o encantamente que senti ao conhecer a obra de Machado de Assis, especialmente as personagens femininas; por fim, pude lembrar que o "equilíbrio" não necessariamente encontra-se num porto-seguro, ele pode estar contido numa linha irregular nascida de uma dança insana, oscilante, livre.

Morreu de pensar

| | 7 comentários »
Pensaste que eu te amava
Quando, através de meus olhos,
deixei-te vasculhar os recônditos de minh'alma

Pensaste que eu te amava
Quando chorei em teu colo e te ofereci a face
para que secaste rastros úmidos de dor e medo

Pensaste que eu te amava
Quando beijei tua boca e te fartaste em minha saliva
da vida que já havia te escapado por entre os dedos

Pensaste que eu te amava
Quando colei meu corpo ao teu
e sentiste o descompasso de um coração sôfrego por ti

Pensaste que eu te amava
Quando cerrei os olhos e me ofereci inteira
para que tu pudeste brincar de deus

Pensaste que eu te amava
Quando pousei meu rosto cansado em teu peito nu
esquecida de que havia mundo além de nossa alcova

Pensaste que eu te amava
Quando, assombrada pelos meus fantasmas,
tateei no escuro do quarto buscando o refúgio do teu abraço

E de tanto pensar
Tu, corrompido por todas as idéias de amores vãos,
Não pudera compreender o quanto eu realmente gostava de ti.

Um novo dia

| | 2 comentários »
Um novo dia é uma promessa
Promessas são como bolhas de sabão
Nascem impetuosas, ganhando os céus
Mas podem estourar ao simples toque das mãos

Um novo dia é uma dádiva
Dádivas são presentes divinos
Ninguém sabe ao certo porque os recebe
Nem mesmo se voltará a ser escolhido

Um novo dia é uma batalha
Batalhas podem ferir, fazer chorar, fazer sofrer
Há momentos de pura glória, satisfação, regozijo
Mas a grande e real vitória é a capacidade de sobreviver

Um novo dia é uma dúvida
Dúvidas alimentam a debilidade, a insegurança
Mas também podem ser elas, as mesmas dúvidas
As únicas mantenedoras da menina esperança

Um novo dia é uma chance
Chances são como a garota faceira, espevitada
Se não for João, será Pedro
Fica com ela o que for capaz de conquistá-la

Um novo dia é um mistério
Mistérios instigam o intrépido a desvendá-los
E ele fica ali parado, imóvel, compenetrado
Enquanto o dia, sem parcimônia, trata de devorá-lo

Um novo dia é uma folha em branco
Folhas em branco podem virar lixo, tratado, carta de amor
E seu destino será definido, escrito, será traçado
Pelas mãos daquele que se aventurar a ser o escritor

Quebraram minha cabeça

| | 3 comentários »
Quando eu copiei a brincadeirinha de sexta (último post) do blog da Ana, uma das questões era "o que as outras pessoas pensam sobre você". Obviamente, não soube responder. Mas, essa pergunta me remeteu a outra pergunta que vira e mexe passa pela minha cabeça (e, conseqüentemente, já devo ter escrito sobre isso aqui algumas vezes). Somos quem pensamos que somos ou somos quem os outros pensam que somos?

Calma, calma, não vou me aprofundar nessas questões, afinal hoje é segunda-feira, não é um dia muito propício pra minha filosofia de botequim... rs.

Voltando ao assunto, as respostas de vcs me deram uma idéia, fazer uma colagem, um mosaico composto de fragmentos de mim, ou seria melhor dizer fragmentos de vcs? rs...

O fato é que, de repente, percebi que vcs tinham me dado um quebra-cabeça e não me "fiz de rogada" (essa é da lista "expressões da vovó"... rs), aceitei a brincadeira, eis o resultado...


Violeta da colina

Uma mulher
como outra qualquer do planeta
que ri quando deve chorar
que mistura a dor e a alegria
e possui a estranha mania
de ter fé na vida

Começar de novo...

Uma garota
que tem medo do escuro
que tem medo do inseguro
dos fantasma da sua voz

E contar comigo...

Controlando a minha maluquez
misturada com minha lucidez
Sozinha
Não sei se me levo ou se me acompanho
Sozinha
Tudo parece maior

Vai valer à pena ter amanhecido.

Sonho semeando o mundo real
Vem andar e voa
Trazida por um simples torcer do destino

P.S.: Não pensem que esqueci das músicas que falam sobre vcs. Aliás, essa foi a parte mais interessante da brincadeira... rs.