Comprei Mensagem, do Pessoa, numa viagem no ano retrasado, mas ainda não tinha aberto. Poesia, pra mim, não é algo que se leia no carro, no meio de um dia de trabalho, às pressas. Há que se ter uma certa calma pra perceber e degustar certas coisas. Enfim, desde semana passada, tenho dividido minha cama com essa Pessoa e isso tem me dado um enorme prazer. Alguns poemas do livro ainda postarei aqui, falam com muita propriedade sobre coisas que eu penso, sinto. Mas, devido a minha enorme simpatia pela fuga do óbvio, hoje vou postar Fernando Pessoa "proseando". Achei a epígrafe do livro bem interessante e tem muito a ver com a relação entre as postagens e os comentários (e as postagens seguintes e os comentários seguintes e as postagens... e assim sucessivamente, numa cadeia que nenhum de nós sabe até onde vai).
Nota Preliminar do Livro Mensagem (Fernando Pessoa)
O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não estiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.
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O cárcere da bela vida
Há dias procuro um livro que comprei na última viagem e não sei onde guardei. Acontece que toda vez que começo a mexer nos meus armários, encontro uma outra coisa que acaba me fazendo esquecer o que eu inicialmente estava procurando.
Ontem, numa dessas expedições em busca do livro perdido, encontrei algumas "preciosidades". O Schopenhauer que ganhei de um amigo (que, por sinal já me xingou algumas vezes porque ainda não acabei de ler o livro), bilhetes sem sentido (agora), poemas rabiscados em guardanapos, números de telefone anotados que não sei mais quem me deu, textos passados por colegas que esqueço de levar pro escritório... Graciliano Ramos.
De repente, abri uma gaveta e lá estava ele. Memórias do cárcere. Pronto, acabava de abortar a expedição. Encontrar Pessoa ficaria mesmo pra outro dia. De repente, fui invadida por uma avalanche de pensamentos.
Inicialmente, me veio a lembrança do momento em que li Memórias do Cárcere. Eu acabava de mudar completamente de rotina. Momento conturbado, em que ainda me adaptava às diferenças culturais, climáticas, etc, etc, etc. De certa forma, ler um bom livro me fez lembrar o quão relativas são essas questões de "meu lar", "meu lugar". Lembrar que não é necessariamente (e nem principalmente) no mundo exterior que me encontro, me localizo. Daí em diante me vieram todas as divagações acerca das minhas teorias sobre as relações humanas, das quais pouparei meus queridos visitantes... rs.
Logo depois, me peguei pensando no prazer que foi reencontrar Graciliano depois de Vidas Secas. Memórias do cárcere me tirou aquela impressão aborrecida. Ousadia chamar um clássico de entediante? Ignorância? Mau gosto? Que seja. Decididamente Vidas Secas não está incluído na minha lista de prediletos, nem de mais ou menos, por sinal... rs.
Mas, voltando ao assunto, Memórias do cárcere tocou fundo em mim. O tema. A visão fatalista, a crítica ferina, o sarcasmo contundente de Graciliano. A postura debochada diante de uma situação absurda. Absurdamente verídica. A verdade sem demagogia, sem a velha falácia da total aversão brasileira à violência.
E os pensamentos não pararam por aí, acabei me lembrando do filme "A vida é bela". Aquele mesmo que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro derrotando o enfadonho "Central do Brasil". Benigni e sua forma romanceada de falar do holocausto. Guido e sua visão combativa diante das atrocidades. É isso, à sua maneira, Guido lutou contra o exército alemão, contra a realidade, contra tudo e todos por uma só causa, sua família. A inocência do filho. O resgate da esposa. Suas armas: criatividade e fantasia. Fantasia.
Inevitavelmente, estava criado o paralelo entre as visões de Graciliano e Benigni diante da barbárie. Algumas coisas em comum. A semelhança entre as situações é gritante: ditadura, holocausto. Além disso, nenhum dos dois lutava por um ideal. Graciliano nem sabia ao certo o que era comunismo. Guido não almejava matar Hitler. Ambos estavam "perdidos" numa guerra alheia. Lutavam pela sobrevivência (embora seus conceitos de sobrevivência fossem bem distintos).
Graciliano queria apenas continuar vivendo. Talvez nem fosse um querer assim tão intenso, talvez fosse só um costume, continuar resistindo. Guido não precisava apenas não morrer pra viver. Ele precisava sonhar, imaginar, e ainda fazer sonhar, fazer imaginar. Guido amava uma mulher, protegia seu filho, tal como seu pequeno príncipe. Graciliano convivia com sua mulher, assim como com os móveis de casa, talvez nem lembrasse os nomes dos meninos.
As diferenças entre os dois eram mesmo muitas e mais marcantes que as semelhanças, mas sentada no chão, entre vários pedaços de papel amassado, Memórias no colo, Vida na cabeça, o pensamento mais forte que surgiu (e ficou) foi em relação à saída que eles encontraram pra sobreviver.
Graciliano escrevia. Guido sonhava. E assim eles iam sendo tratados como animais e vivendo como homens. Ambos sobreviveram, cada um à sua maneira, a situações extremas. Imaginar... escrever... sobreviver... Guido, Graciliano, eu... você?
Ontem, numa dessas expedições em busca do livro perdido, encontrei algumas "preciosidades". O Schopenhauer que ganhei de um amigo (que, por sinal já me xingou algumas vezes porque ainda não acabei de ler o livro), bilhetes sem sentido (agora), poemas rabiscados em guardanapos, números de telefone anotados que não sei mais quem me deu, textos passados por colegas que esqueço de levar pro escritório... Graciliano Ramos.
De repente, abri uma gaveta e lá estava ele. Memórias do cárcere. Pronto, acabava de abortar a expedição. Encontrar Pessoa ficaria mesmo pra outro dia. De repente, fui invadida por uma avalanche de pensamentos.
Inicialmente, me veio a lembrança do momento em que li Memórias do Cárcere. Eu acabava de mudar completamente de rotina. Momento conturbado, em que ainda me adaptava às diferenças culturais, climáticas, etc, etc, etc. De certa forma, ler um bom livro me fez lembrar o quão relativas são essas questões de "meu lar", "meu lugar". Lembrar que não é necessariamente (e nem principalmente) no mundo exterior que me encontro, me localizo. Daí em diante me vieram todas as divagações acerca das minhas teorias sobre as relações humanas, das quais pouparei meus queridos visitantes... rs.
Logo depois, me peguei pensando no prazer que foi reencontrar Graciliano depois de Vidas Secas. Memórias do cárcere me tirou aquela impressão aborrecida. Ousadia chamar um clássico de entediante? Ignorância? Mau gosto? Que seja. Decididamente Vidas Secas não está incluído na minha lista de prediletos, nem de mais ou menos, por sinal... rs.
Mas, voltando ao assunto, Memórias do cárcere tocou fundo em mim. O tema. A visão fatalista, a crítica ferina, o sarcasmo contundente de Graciliano. A postura debochada diante de uma situação absurda. Absurdamente verídica. A verdade sem demagogia, sem a velha falácia da total aversão brasileira à violência.
E os pensamentos não pararam por aí, acabei me lembrando do filme "A vida é bela". Aquele mesmo que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro derrotando o enfadonho "Central do Brasil". Benigni e sua forma romanceada de falar do holocausto. Guido e sua visão combativa diante das atrocidades. É isso, à sua maneira, Guido lutou contra o exército alemão, contra a realidade, contra tudo e todos por uma só causa, sua família. A inocência do filho. O resgate da esposa. Suas armas: criatividade e fantasia. Fantasia.
Inevitavelmente, estava criado o paralelo entre as visões de Graciliano e Benigni diante da barbárie. Algumas coisas em comum. A semelhança entre as situações é gritante: ditadura, holocausto. Além disso, nenhum dos dois lutava por um ideal. Graciliano nem sabia ao certo o que era comunismo. Guido não almejava matar Hitler. Ambos estavam "perdidos" numa guerra alheia. Lutavam pela sobrevivência (embora seus conceitos de sobrevivência fossem bem distintos).
Graciliano queria apenas continuar vivendo. Talvez nem fosse um querer assim tão intenso, talvez fosse só um costume, continuar resistindo. Guido não precisava apenas não morrer pra viver. Ele precisava sonhar, imaginar, e ainda fazer sonhar, fazer imaginar. Guido amava uma mulher, protegia seu filho, tal como seu pequeno príncipe. Graciliano convivia com sua mulher, assim como com os móveis de casa, talvez nem lembrasse os nomes dos meninos.
As diferenças entre os dois eram mesmo muitas e mais marcantes que as semelhanças, mas sentada no chão, entre vários pedaços de papel amassado, Memórias no colo, Vida na cabeça, o pensamento mais forte que surgiu (e ficou) foi em relação à saída que eles encontraram pra sobreviver.
Graciliano escrevia. Guido sonhava. E assim eles iam sendo tratados como animais e vivendo como homens. Ambos sobreviveram, cada um à sua maneira, a situações extremas. Imaginar... escrever... sobreviver... Guido, Graciliano, eu... você?
Meu casaco de general
Nesta temporada no Rio tive um interessante companheiro de viagem. Ele preencheu parte do meu tempo ocioso, me fez repensar algumas opiniões, ajudou a fortalecer umas idéias, me lembrou de uma época importante da minha vida. Enfim, foi uma convivência intensa, profunda, mas tranqüila.
"Meu Casaco de General", escrito por Luiz Eduardo Soares, trata de segurança pública, política, violência no Rio de Janeiro, mas principalmente de crenças, a capacidade que as pessoas têm de acreditar e até onde podem chegar para defender seus pontos de vista.
Luiz Eduardo foi sub-secretário de Segurança e depois coordenador de Segurança, Defesa Civil e Justiça do governo Garotinho. Mas não se trata de um integrante das "forças armadas", trata-se, essencialmente, de um pensador, um homem que acreditou ser possível combater a violência no Rio de Janeiro com planejamento, organização e credibilidade.
Como já se poderia antecipar, ele saiu do governo antes do fim da gestão Garotinho por pura e total incompatibilidade de objetivos, embora a versão "oficial" tenha sido seu suposto envolvimento no caso João Moreira Salles/Marcinho VP (caso este que também gira em torno da capacidade humana não só de acreditar, mas também de agir conforme suas crenças).
P.S.: Mais detalhes sobre o envolvimento entre João e Marcinho VP (na época da matéria o "apoio" de Luiz Eduardo ainda não tinha sido usado como cortina de fumaça pra mascarar os reais motivos de sua exoneração):
http://www.zaz.com.br/istoe/1588/brasil/1588guerraparticular.htm
"Meu Casaco de General", escrito por Luiz Eduardo Soares, trata de segurança pública, política, violência no Rio de Janeiro, mas principalmente de crenças, a capacidade que as pessoas têm de acreditar e até onde podem chegar para defender seus pontos de vista.
Luiz Eduardo foi sub-secretário de Segurança e depois coordenador de Segurança, Defesa Civil e Justiça do governo Garotinho. Mas não se trata de um integrante das "forças armadas", trata-se, essencialmente, de um pensador, um homem que acreditou ser possível combater a violência no Rio de Janeiro com planejamento, organização e credibilidade.
Como já se poderia antecipar, ele saiu do governo antes do fim da gestão Garotinho por pura e total incompatibilidade de objetivos, embora a versão "oficial" tenha sido seu suposto envolvimento no caso João Moreira Salles/Marcinho VP (caso este que também gira em torno da capacidade humana não só de acreditar, mas também de agir conforme suas crenças).
P.S.: Mais detalhes sobre o envolvimento entre João e Marcinho VP (na época da matéria o "apoio" de Luiz Eduardo ainda não tinha sido usado como cortina de fumaça pra mascarar os reais motivos de sua exoneração):
http://www.zaz.com.br/istoe/1588/brasil/1588guerraparticular.htm
Leveza e profundidade
Já falei aqui sobre minha relação com livros. Pois bem, o que direi agora (assim como todo o resto) não será nenhuma novidade. Pra mim, livros são como pessoas. Eles passam por minha vida de diversas formas. Provocam variados efeitos.
Às vezes deixam-se ficar por mais tempo, sem pressa, até que tudo que há a ser compartilhado seja devidamente descoberto e aproveitado. Outras vezes, passam tal qual ventania, intensa e breve, deixando-me, a princípio atônita e depois revigorada diante da necessidade de reconstrução. De um jeito ou de outro, livros deixam sempre marcas em mim, umas mais superficiais, outras tão profundas que parecem que sempre estiveram lá.
"A menina que roubava livros", de Markus Zusak (Editora Intrínseca). Essa foi minha companhia fiel e arrebatadora dos últimos dias. Com ele, chorei 3 vezes. Sorri incontáveis vezes. Refleti desde a primeira palavra. Ainda continuo refletindo... ainda continuo sentindo... ainda...
Às vezes deixam-se ficar por mais tempo, sem pressa, até que tudo que há a ser compartilhado seja devidamente descoberto e aproveitado. Outras vezes, passam tal qual ventania, intensa e breve, deixando-me, a princípio atônita e depois revigorada diante da necessidade de reconstrução. De um jeito ou de outro, livros deixam sempre marcas em mim, umas mais superficiais, outras tão profundas que parecem que sempre estiveram lá.
"A menina que roubava livros", de Markus Zusak (Editora Intrínseca). Essa foi minha companhia fiel e arrebatadora dos últimos dias. Com ele, chorei 3 vezes. Sorri incontáveis vezes. Refleti desde a primeira palavra. Ainda continuo refletindo... ainda continuo sentindo... ainda...
Um paralelo
Hoje aconteceram dois fatos dignos de nota no meu (maçante) dia.
O primeiro foi ainda bem no início da manhã. É queridos, vi o dia amanhecer de novo. A insônia está de volta, chegou de mãos dadas com o retorno ao trabalho. Será por quê? rs...
Bom, voltando ao assunto, o primeiro fato relevante foi que finalmente acabei de ler o livro que vinha me divertindo e martirizando há alguns meses.
Podia ressaltar vários aspectos desse meu companheiro "de viagem" (literalmente), mas minha relação com livros é bem parecida com a que tenho com pessoas. Não me sinto muito à vontade pra fazer análises. Verdade ! Minha relação com a literatura é muito mais intuitiva, emocional, do que propriamente intelectual. Contraditório? Novidade... rs.
Mas vou sim destacar uma citação do livro. Só que antes, vou contar a outra coisa que aconteceu hoje.
Fui convidada (na verdade, intimada, mas abafa o detalhe... rs) a desenvolver um trabalho com adolescentes, objetivo: conscientização política. Formação de disseminadores de conceitos de cidadania, tentar transformar estudantes em educadores e fiscais de práticas abusivas nas campanhas eleitorais locais.
Já sei o que vc está pensando. Acredite, pensei mais ou menos a mesma coisa. Como fazer com que um jovem seja "fiscal da ética" dos candidatos num país em que falar de ética, especialmente na política, parece até piada infame?
Foi justamente nesse momento que me lembrei do trecho do livro sobre o qual falei mais acima. Ele defende a idéia de que a imaginação positiva não é mera questão moral, e sim um meio concreto de alcançar desenvolvimento político, social e econômico. Em seguida, questiona: "Como se faz pra nutrir em outras pessoas uma imaginação mais esperançosa, mais afirmativa, mais tolerante?"
E essa é a minha questão de hoje. Complexa? Imagina... rs. Mas sabe de uma coisa? Acho sim que tenho o perfil pro trabalho. Por quê? Porque sou tão cara-de-pau que tenho a petulância de acreditar e ainda defender a idéia de que esse mundo pode sim ser um pouco melhor...
É, dessa vez, aceito a camisa-de-força, mas, pelo menos, compra uma bonitinha, tá? rs... rs...
O primeiro foi ainda bem no início da manhã. É queridos, vi o dia amanhecer de novo. A insônia está de volta, chegou de mãos dadas com o retorno ao trabalho. Será por quê? rs...
Bom, voltando ao assunto, o primeiro fato relevante foi que finalmente acabei de ler o livro que vinha me divertindo e martirizando há alguns meses.
Podia ressaltar vários aspectos desse meu companheiro "de viagem" (literalmente), mas minha relação com livros é bem parecida com a que tenho com pessoas. Não me sinto muito à vontade pra fazer análises. Verdade ! Minha relação com a literatura é muito mais intuitiva, emocional, do que propriamente intelectual. Contraditório? Novidade... rs.
Mas vou sim destacar uma citação do livro. Só que antes, vou contar a outra coisa que aconteceu hoje.
Fui convidada (na verdade, intimada, mas abafa o detalhe... rs) a desenvolver um trabalho com adolescentes, objetivo: conscientização política. Formação de disseminadores de conceitos de cidadania, tentar transformar estudantes em educadores e fiscais de práticas abusivas nas campanhas eleitorais locais.
Já sei o que vc está pensando. Acredite, pensei mais ou menos a mesma coisa. Como fazer com que um jovem seja "fiscal da ética" dos candidatos num país em que falar de ética, especialmente na política, parece até piada infame?
Foi justamente nesse momento que me lembrei do trecho do livro sobre o qual falei mais acima. Ele defende a idéia de que a imaginação positiva não é mera questão moral, e sim um meio concreto de alcançar desenvolvimento político, social e econômico. Em seguida, questiona: "Como se faz pra nutrir em outras pessoas uma imaginação mais esperançosa, mais afirmativa, mais tolerante?"
E essa é a minha questão de hoje. Complexa? Imagina... rs. Mas sabe de uma coisa? Acho sim que tenho o perfil pro trabalho. Por quê? Porque sou tão cara-de-pau que tenho a petulância de acreditar e ainda defender a idéia de que esse mundo pode sim ser um pouco melhor...
É, dessa vez, aceito a camisa-de-força, mas, pelo menos, compra uma bonitinha, tá? rs... rs...
Dessa vez, o jornal trouxe uma boa nova (ou seria bossa nova?)...
Tenho uma revelação a fazer... (que rufem os tambores)...
EU SOU PATÉTICA, ABSOLUTAMENTE PATÉTICA !!!
Posso até ouvir vcs: "Ahhhhhhhh !!!!!"... e pensando "Cadê a novidade?"
Tudo bem, não é mesmo novidade, mas enfim, foi uma boa forma de iniciar o post... rs. Mas, deixa eu explicar o motivo dessa revelação.
Estava eu no banheiro (seja educado e nem imagine fazendo o que... rs)... Então, estava no banheiro e vi um jornal em cima da pia, puxei o jornal, pensando no quão apropriado era ler jornal no banheiro. Atualmente, tenho achado o jornal quase um vaso sanitário (lugar onde descarregamos nossas sujeiras e colocamos sachês cheirosos pra disfarçar o mau cheiro... rs)... Tudo bem, peguei pesado, esse tom não combina mesmo com o momento "sweet" desse post. Continuando a história...
Quando eu puxei o jornal, vi, em cima da pia do banheiro da casa da minha mãe, um grande amor da minha adolescência, que achei ter perdido numa das minhas várias mudanças de caminho. Ele estava ali, bem diante dos meus olhos, e só sabe do que estou falando quem já reencontrou um amor do passado, daqueles de quem vc se perdeu antes que tivesse "gastado" toda sua paixão, antes que tivesse compartilhado tudo que sonhou compartilhar.
Toquei nele, senti o seu cheiro, reparei de novo nas suas partes que mais me atraíam, achei outras mais. Chorei, chorei copiosamente, de alegria, de tristeza, de emoção. Pensei no passado, nas noites mil em que dividimos sonhos, dores, ilusões. Fiz planos pro futuro, desejei explorar cada faceta que eu podia ver agora e que não podia perceber há 10 anos atrás, só pra compensar aquelas que a "maturidade" me impediria de ver.
De repente, lembrei que não era mais uma menina, que não passaria mais noites agarrada a uma coletânea de poesias, ainda que de Vinícius. Lembrei que eu não precisava mais possuir pra amar. Percebi que era realmente bom poder rever aquelas páginas amareladas, sombras das lágrimas que derrubei, mas que toda aquela beleza que descobri há anos, agora já fazia parte de mim.
Bom, confesso que, desde o reencontro, não desgrudei dele, às vezes me pego procurando por ele só pra ter certeza de que ainda está ali. Mas já estou pensando em deixá-lo ir. Os livros, assim como as pessoas, não merecem o claustro. A sua beleza, as suas delícias precisam ser aproveitadas por outras pessoas. Só assim eles terão realmente existido.
Agora vc deve estar achando que pensar assim me faz uma pessoa destinada à solidão. Pode até ser. Às vezes, me sinto realmente só, mas quem é que nunca se sente assim?
A solidão é nossa sina, não é possível nascer sem cortar o cordão umbilical. Talvez esse seja o primeiro ensinamento que a vida gentilmente nos dá. "Marvin, agora é só vc."
Então, se a solidão é inevitável, o melhor é aproveitar intensamente os encontros (e reencontros), ainda que isso signifique chorar com um livro nas mãos em um local nada romântico (se bem que um banheiro pode ser bem romântico, dependendo do ponto de vista... rs).
Além disso, só o que nos resta é esperar o que encontraremos "embaixo do jornal de amanhã".
EU SOU PATÉTICA, ABSOLUTAMENTE PATÉTICA !!!
Posso até ouvir vcs: "Ahhhhhhhh !!!!!"... e pensando "Cadê a novidade?"
Tudo bem, não é mesmo novidade, mas enfim, foi uma boa forma de iniciar o post... rs. Mas, deixa eu explicar o motivo dessa revelação.
Estava eu no banheiro (seja educado e nem imagine fazendo o que... rs)... Então, estava no banheiro e vi um jornal em cima da pia, puxei o jornal, pensando no quão apropriado era ler jornal no banheiro. Atualmente, tenho achado o jornal quase um vaso sanitário (lugar onde descarregamos nossas sujeiras e colocamos sachês cheirosos pra disfarçar o mau cheiro... rs)... Tudo bem, peguei pesado, esse tom não combina mesmo com o momento "sweet" desse post. Continuando a história...
Quando eu puxei o jornal, vi, em cima da pia do banheiro da casa da minha mãe, um grande amor da minha adolescência, que achei ter perdido numa das minhas várias mudanças de caminho. Ele estava ali, bem diante dos meus olhos, e só sabe do que estou falando quem já reencontrou um amor do passado, daqueles de quem vc se perdeu antes que tivesse "gastado" toda sua paixão, antes que tivesse compartilhado tudo que sonhou compartilhar.
Toquei nele, senti o seu cheiro, reparei de novo nas suas partes que mais me atraíam, achei outras mais. Chorei, chorei copiosamente, de alegria, de tristeza, de emoção. Pensei no passado, nas noites mil em que dividimos sonhos, dores, ilusões. Fiz planos pro futuro, desejei explorar cada faceta que eu podia ver agora e que não podia perceber há 10 anos atrás, só pra compensar aquelas que a "maturidade" me impediria de ver.
De repente, lembrei que não era mais uma menina, que não passaria mais noites agarrada a uma coletânea de poesias, ainda que de Vinícius. Lembrei que eu não precisava mais possuir pra amar. Percebi que era realmente bom poder rever aquelas páginas amareladas, sombras das lágrimas que derrubei, mas que toda aquela beleza que descobri há anos, agora já fazia parte de mim.
Bom, confesso que, desde o reencontro, não desgrudei dele, às vezes me pego procurando por ele só pra ter certeza de que ainda está ali. Mas já estou pensando em deixá-lo ir. Os livros, assim como as pessoas, não merecem o claustro. A sua beleza, as suas delícias precisam ser aproveitadas por outras pessoas. Só assim eles terão realmente existido.
Agora vc deve estar achando que pensar assim me faz uma pessoa destinada à solidão. Pode até ser. Às vezes, me sinto realmente só, mas quem é que nunca se sente assim?
A solidão é nossa sina, não é possível nascer sem cortar o cordão umbilical. Talvez esse seja o primeiro ensinamento que a vida gentilmente nos dá. "Marvin, agora é só vc."
Então, se a solidão é inevitável, o melhor é aproveitar intensamente os encontros (e reencontros), ainda que isso signifique chorar com um livro nas mãos em um local nada romântico (se bem que um banheiro pode ser bem romântico, dependendo do ponto de vista... rs).
Além disso, só o que nos resta é esperar o que encontraremos "embaixo do jornal de amanhã".
Layout e "layin"... rs
Como vc já deve ter percebido, mudei o layout (mais uma vez) do blog. Não estava muito satisfeita com o outro, assim como não estava com o anterior, nem com o anterior ao anterior... aff...
Já sei o que vc deve estar pensando: "Essa garota nunca está satisfeita com nada !!!"... Bom, vc tem mesmo uma certa razão, a sensação de que as coisas sempre estão inacabadas, em constante mutação (não necessariamente para melhor), é algo recorrente em mim.
Se vc já está procurando sua agenda de telefones pra me indicar um bom terapeuta, calma aí. Essa eterna insatisfação não é algo que me angustia, me deprime, pelo menos, não na maioria das vezes (rs). Acho até que é isso que me impulsiona, faz com que eu esteja sempre "caminhando".
Aliás, essa conversa me fez lembrar de uma frase que li no (interessante) livro no qual ando viajando (entre paradas e recomeços) há uns meses: "Mesmo se estivermos no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos parados no mesmo lugar." (O Mundo é Plano, darei mais detalhes quando acabar de ler)
Mas, voltando ao assunto, essas várias mudanças no layout do blog pode ter sido motivada por outra coisa, minha total, absoluta e vergonhosa ignorância "tecnológica". Daí, a cada conversa, aprendo uma nova ferramenta com meus queridos e generosos amigos. (Será que são mesmo generosos ou estão me ajudando em causa própria? Afinal esse caderninho de anotações é tão deles quanto meu... rs... Não, não... Acredito mesmo no altruísmo deles, até porque tenho uma prova disso a cada visitinha...rs.)
Mas, só pra confirmar que não me contento com a primeira solução, acaba de me ocorrer outro motivo pras mudanças no blog.
As pessoas costumam dizer que temos, em nós, várias facetas. Mas, sem exageros (será mesmo?), tenho a nítida sensação de que eu, mais que vários aspectos, tenho várias pessoas autônomas dentro de mim. Digo isso porque não me sinto lidando com diferentes partes de mim dialogando entre si, como num time formado por vários jogadores. É mais que isso, sinto que meus vários "eus" vão se alternando, como naqueles revezamentos do atletismo, sabe?
Já sei, já sei, agora sim vc está correndo pra pegar o número do analista (até eu agora, ao ler isso, pensei seriamente em comprar uma camisa de força)... rs. Mas não há por que se preocupar, os componentes de um revezamento, entre eventuais trombadas, acabam se entendendo muito bem.
É, queridos, acho que esse é o real (ou seria melhor dizer, atual? rs) motivo.
Um dia escolho um layout e ele me parece "a minha cara", alguns dias depois até reconheço que ele era mesmo a minha cara, mas já não é mais. Lembro o quanto o achei adequado, até o reconheço familiar, mas sinto como se fosse uma roupa que não "cabe" mais em mim, apesar de linda, como um amor que não me faz mais suspirar, apesar de saudoso... aff, só eu mesmo, misturar roupas e amores... rs.
Bom, alegre e vibrante, singelo e delicado, moderno e frio, nostálgico e meio fora de moda... enfim... Cada um dos layouts era sim a minha cara... Está certo, pode ser que nenhum deles seja mesmo a minha cara... Talvez eu olhe no espelho e ainda não consiga ver a minha cara... Talvez eu nem tenha cara... Talvez... rs.
Já sei o que vc deve estar pensando: "Essa garota nunca está satisfeita com nada !!!"... Bom, vc tem mesmo uma certa razão, a sensação de que as coisas sempre estão inacabadas, em constante mutação (não necessariamente para melhor), é algo recorrente em mim.
Se vc já está procurando sua agenda de telefones pra me indicar um bom terapeuta, calma aí. Essa eterna insatisfação não é algo que me angustia, me deprime, pelo menos, não na maioria das vezes (rs). Acho até que é isso que me impulsiona, faz com que eu esteja sempre "caminhando".
Aliás, essa conversa me fez lembrar de uma frase que li no (interessante) livro no qual ando viajando (entre paradas e recomeços) há uns meses: "Mesmo se estivermos no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos parados no mesmo lugar." (O Mundo é Plano, darei mais detalhes quando acabar de ler)
Mas, voltando ao assunto, essas várias mudanças no layout do blog pode ter sido motivada por outra coisa, minha total, absoluta e vergonhosa ignorância "tecnológica". Daí, a cada conversa, aprendo uma nova ferramenta com meus queridos e generosos amigos. (Será que são mesmo generosos ou estão me ajudando em causa própria? Afinal esse caderninho de anotações é tão deles quanto meu... rs... Não, não... Acredito mesmo no altruísmo deles, até porque tenho uma prova disso a cada visitinha...rs.)
Mas, só pra confirmar que não me contento com a primeira solução, acaba de me ocorrer outro motivo pras mudanças no blog.
As pessoas costumam dizer que temos, em nós, várias facetas. Mas, sem exageros (será mesmo?), tenho a nítida sensação de que eu, mais que vários aspectos, tenho várias pessoas autônomas dentro de mim. Digo isso porque não me sinto lidando com diferentes partes de mim dialogando entre si, como num time formado por vários jogadores. É mais que isso, sinto que meus vários "eus" vão se alternando, como naqueles revezamentos do atletismo, sabe?
Já sei, já sei, agora sim vc está correndo pra pegar o número do analista (até eu agora, ao ler isso, pensei seriamente em comprar uma camisa de força)... rs. Mas não há por que se preocupar, os componentes de um revezamento, entre eventuais trombadas, acabam se entendendo muito bem.
É, queridos, acho que esse é o real (ou seria melhor dizer, atual? rs) motivo.
Um dia escolho um layout e ele me parece "a minha cara", alguns dias depois até reconheço que ele era mesmo a minha cara, mas já não é mais. Lembro o quanto o achei adequado, até o reconheço familiar, mas sinto como se fosse uma roupa que não "cabe" mais em mim, apesar de linda, como um amor que não me faz mais suspirar, apesar de saudoso... aff, só eu mesmo, misturar roupas e amores... rs.
Bom, alegre e vibrante, singelo e delicado, moderno e frio, nostálgico e meio fora de moda... enfim... Cada um dos layouts era sim a minha cara... Está certo, pode ser que nenhum deles seja mesmo a minha cara... Talvez eu olhe no espelho e ainda não consiga ver a minha cara... Talvez eu nem tenha cara... Talvez... rs.
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