Infelizmente, não estou conseguindo tempo pra parar e escrever alguma coisa em comemoração ao aniversário. Então, já que ando num momento literário muito "poético", resolvi voltar às raízes e revisitar uns contos já postados aqui. Provavelmente serão 2 ou 3 contos, é só o tempo de passar essa fase de correria total e eu conseguir postar alguma das coisas que ando rabiscando em guardanapos por aí. Por que contos? Poesia é encanto, namoro, mas é na prosa que realmente me encontro, me reconheço e me entrego.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
2 anos !!!
Infelizmente, não estou conseguindo tempo pra parar e escrever alguma coisa em comemoração ao aniversário. Então, já que ando num momento literário muito "poético", resolvi voltar às raízes e revisitar uns contos já postados aqui. Provavelmente serão 2 ou 3 contos, é só o tempo de passar essa fase de correria total e eu conseguir postar alguma das coisas que ando rabiscando em guardanapos por aí. Por que contos? Poesia é encanto, namoro, mas é na prosa que realmente me encontro, me reconheço e me entrego.
Postado por Simples Assim... às 16:03:00 10 comentários
Marcadores: Aviso aos navegantes, Ficção e filosofia barata
domingo, 29 de novembro de 2009
Convite
Ciranda girando,
corando a cara da criança.
Melodia pairando no ar
tal qual o ritmo da dança.
Roda de mãos atadas é mundo.
Círculo de elos entrelaçados é tempo.
O compasso pode mudar de direção no próximo segundo.
A roda gira pra um ou outro lado.
Portanto, menino, fique atento !
Cuidado pra não tropeçar na saia da garota.
Ela é faceira e pode lhe enredar.
Não olhe fixo em seus olhos.
São águas profundas e turvas.
Você pode se afogar.
Mas se não tiver medo e ainda houver no seu coração
a vontade de brincar...
Aperte as mãos,
acerte o passo,
arregace o peito.
A vida tem jeito.
Não é jogo, não é armadilha.
É só a menina rimando um convite.
É só a ciranda que continua a rodar.
P.S.: Não é essa a formatação original do poema. Mas, acho que não é mais segredo pra ninguém minha falta de jeito com essas ferramentas tecnológicas. Enfim, travamos uma batalha aqui e, no fim das contas, o editor de texto me ganhou... rs.
P.S.2: Alguns comentários referiram-se a música (sem crase mesmo, sem artigo). Pois é, vocês têm toda razão. Por motivos técnicos (mais alguns... rs), não postei um vídeo. Mas, enquanto escrevia o post, foi a música Falsa Baiana que esteve pairando por aqui.
Postado por Simples Assim... às 11:37:00 22 comentários
Marcadores: Poetando
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Blogagem Coletiva
Tu já estavas próximo o bastante pra me fazer ouvir com clareza o teu convite. Chamava-me pra dançar a tua música, no compasso ritmado, em que, naquele momento, já pulsava meu corpo. Senti teu cheiro e todos os efeitos que ele causava em mim. Ainda tentei controlar, mas era tarde. Eu já sabia o que aconteceria a seguir.
Levantei-me e caminhei em tua direção. A cada passo, despia-me mais um pouco. Percorri a distância que nos separava, deixando pra trás um caminho de vestes jogadas ao chão. Entreguei-me plenamente desnuda.
Nua, pude sentir o prazer de tuas carícias. Deixei que percorresses todo meu corpo. Libertando-me de tudo que eu havia sido. Lavando a pele, renovaste a alma. As pernas afastadas uma da outra faziam com que eu te sentisse entre as coxas. A boca aberta permitia que eu provasse teu gosto de vida. Gosto pela vida. Gozo pela vida.
Aos poucos, senti acalmarem-se teus murmúrios e abrandar-se a força do teu toque. Eu já sabia exatamente o que aconteceria a seguir. Era naturalmente inevitável. As tempestades sempre transformam-se em chuva fina até... secar.
Após sentir que já tinhas ido. Voltei pelo caminho de roupas que eu havia traçado. Vesti-me com o corpo ainda molhado pra manter por mais tempo o frescor que deixaste em mim.
Com um sorriso mudo nos lábios, pensei antes de adormecer. Aquela tempestade se foi, outras virão e eu, apesar do frio e dos riscos, continuarei sempre disposta a um bom banho de chuva.
P.S.1: Aproveitei a Blogagem Coletiva promovida pelo Néctar das Flores, dos queridos Rebeca e Jota Cê, para revisitar Banho de Chuva, texto já postado aqui no Impressões há uns meses atrás. É isso. Continuo sempre disposta a um bom banho de chuva.
P.S.2: Já ia esquecendo... Dêem uma olhada lá no Néctar das Flores (http://www.nectar-da-flor.blogspot.com/) e votem no seu texto preferido. Sem vontade de votar? Ainda sim vale a visita, nem que seja pra se embriagar com o perfume das flores.
Postado por Simples Assim... às 13:21:00 12 comentários
Marcadores: Amigos insPIRADORES
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Viagem de volta
A morte chegou numa noite de lua minguante,
Suas mãos eram quentes, seu olhar insinuante.
Chegada a hora de começar a minha jornada
Não voamos, era abaixo a caminhada.
Já imaginava que os céus não se abririam pra me receber,
Há na morte uma justiça absoluta e irrestrita
Que a vida jamais será capaz de conceber.
Descíamos escadas e mais escadas,
Já iniciando minha penitência.
O corpo, em torpor pelas drogas,
Arrastava-se com extrema lentidão.
A alma, anestesiada pela resignação,
Entregara-se sem qualquer resistência.
Ao chegar às profundezas do meu inferno particular,
Não mergulhei num poço fétido e incandescente.
Os degraus desembocaram num corredor de gelo
Terrivelmente iluminado por luzes fluorescentes.
O enxofre não pairava no ar,
Não ouvia gritos de dor lancinante.
Só havia uma ausência de perfume, de tudo
E sussurros abafados de uma desesperança angustiante.
Quis procurar alento nas mãos quentes da morte,
Ela já não estava mais ao meu lado.
Dando por fim sua breve visita,
Largou-me à própria sorte.
Por costume, persistência ou uma espécie de fé
Continuei percorrendo aquela geleira deserta
Margeada por gemidos de dor e portas entre-abertas.
Ao erguer os olhos, avistei-a mais adiante.
Estava à minha espera, ao fim da linha,
Com um risinho irônico e braços estendidos,
Lá estava ela, a Vida que um dia fora minha.
P.S.: Viagem de volta é um dos poemas escritos no hospital durante a minha recuperação do transplante. Ele foi escrito no dia 9 de julho deste ano, 2 dias depois da cirurgia. Por que estou postando justamente agora? Porque chegou a hora. Simples assim.
Postado por Simples Assim... às 16:43:00 15 comentários
Marcadores: Poetando
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Mensagem
Comprei Mensagem, do Pessoa, numa viagem no ano retrasado, mas ainda não tinha aberto. Poesia, pra mim, não é algo que se leia no carro, no meio de um dia de trabalho, às pressas. Há que se ter uma certa calma pra perceber e degustar certas coisas. Enfim, desde semana passada, tenho dividido minha cama com essa Pessoa e isso tem me dado um enorme prazer. Alguns poemas do livro ainda postarei aqui, falam com muita propriedade sobre coisas que eu penso, sinto. Mas, devido a minha enorme simpatia pela fuga do óbvio, hoje vou postar Fernando Pessoa "proseando". Achei a epígrafe do livro bem interessante e tem muito a ver com a relação entre as postagens e os comentários (e as postagens seguintes e os comentários seguintes e as postagens... e assim sucessivamente, numa cadeia que nenhum de nós sabe até onde vai).
Nota Preliminar do Livro Mensagem (Fernando Pessoa)
O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não estiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo.
Postado por Simples Assim... às 11:04:00 10 comentários
Marcadores: O livro do meu momento
sábado, 7 de novembro de 2009
Epitáfio
Ele nasceu em uma manhã ensolarada. Chegou ao mundo forte, sadio, chorando bem alto, como quem avisa a todos a que veio. Foi uma criança cheia de energia. Os joelhos estavam sempre ralados e os pés do moleque tinham a cor escura do doce que lambuzava a boca nas festas juninas.
Na juventude, era tão popular com as garotas quanto com os meninos que o olhavam com admiração e certo despeito. Começou a trabalhar cedo para ajudar nas despesas de casa, mas nem por isso deixou de lado os estudos. Casou com a mulher certa e juntos construíram uma família modelo. Modelo de conduta, postura, viver.
Sempre agia como um homem de verdade deveria agir. Sabia exatamente o que todos esperavam dele e se orgulhava de corresponder a tais expectativas. Tudo ia muito bem até aquele momento.
No consultório, entre 4 paredes insuportavelmente brancas, de repente percebeu-se totalmente isolado do resto do mundo. Uma muralha intransponível. Só o que via diante de si eram os olhos miúdos e plácidos daquele médico que parecia lhe perscrutar a alma enquanto esperava a resposta pra pergunta que acabara de fazer:
- Onde dói ???
Acontece que apartado da opinião e expectativas alheias, ele estava irremediavelmente apartado de si mesmo. Sentia-se perdido, experimentava uma sensação de total solidão, ausência dele próprio. Pela primeira vez, não existia a resposta adequada, aceita, correta. O que, pra ele, significava não haver qualquer resposta.
Mas o médico, pacientemente, aguardava. Os olhos miúdos agora pareciam ainda mais investigativos. Lentamente, as paredes começaram a se movimentar, vinham a seu encontro. Ele tentou se levantar e sair daquela situação surreal. Não conseguiu mover um único músculo. Seu destino já estava selado.
O homem perfeito morreu ali. Espremido entre 4 paredes insuportavelmente brancas que lhe serviram de túmulo. E aquele fim absurdo não foi apenas a sua morte, mas a cabal declaração de que ele nunca havia existido. Como não poderia deixar de ser, seu epitáfio não foi a descrição de sua vida (anulada), mas o instrumento de sua morte. Seu epitáfio foi a simples e fatal pergunta do médico de olhos miúdos e plácidos:
- Onde dói ???
Postado por Simples Assim... às 11:07:00 14 comentários
Marcadores: Ficção e filosofia barata
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Se conselho fosse bom...
Não tente entender o coração de uma mulher. O entendimento é o derradeiro passo rumo à banalização dos mistérios do sentir. Além do mais, essa seria uma tarefa tediosa e com resultados absolutamente inúteis. Entendê-la não te faria gostar mais ou menos dela. Felizmente, o afeto não acompanha a construção e a queda de nossas ilusões de saber ou não saber. Entendê-la, tampouco, tornaria a convivência mais interessante. Se você buscasse a paz suprema de uma vida sem surpresas, compraria um pinguim de geladeira. Mas não, você está diante de uma mulher. Então, pra que ficar se perguntando por que ela é tão imprevisível ou o que se passa com ela? A única pergunta que deve fazer a si mesmo é se, mesmo sem compreendê-la, você a quer por perto.
Se a resposta for não, qualquer tentativa de entendimento é apenas uma busca por um parâmetro a ser utilizado em relações futuras. Acontece que mais adiante, não só a mulher será outra, como você mesmo será diferente. Morremos e renascemos a cada segundo. Tentar criar um padrão, além de inútil, seria bem frustrante.
Se a resposta for sim, aí mesmo que deve deixar de lado essa tolice de entendimento. Puxe-a pra bem perto, não permita que ela se refugie em suas próprias incertezas. Encare-a nos olhos e deixe que agora ela decida se também te quer.
Se ela falar, ouça-a. Não é preciso entender os mecanismos da translação pra se encantar com o nascer do sol.
Se ela se calar, compartilhe do seu silêncio. Silêncios partilhados são como confidências reveladas. Tem o poder de sobrepujar fronteiras de tempo e distância.
Se ela chorar, não tente enxugar suas lágrimas. Não construa represas que não resistirão à força ininterrupta das águas. O estrago pode ser devastador.
Por fim, meu caro, se ela sorrir. Ahhh, se ela sorrir, mergulhe de cabeça no fundo dos seus olhos. Somente lá, encontrará a única resposta da qual você realmente precisa.
Postado por Simples Assim... às 10:37:00 11 comentários
Marcadores: Devaneios meus

