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Reflexão

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O tempo é um reflexo. Vejo meu rosto refletido numa poça rasa e ele devia parecer menos nítido, mais disforme. Mas na instabilidade daquelas oscilações vejo a nitidez das minhas formas. Formação. Formatura. Disposição ordenada de tropas. Houve uma guerra. Entre mortos e feridas, alguns não se salvaram. Um embate tem suas baixas. Baixa. Depressão de terreno. Vejo rugas no meu rosto. Não são muitas. Poderiam ser mais se a poça refletisse o que há por trás da máscara e chegasse bem lá no fundo. Baixa. O fundo de um vale. O fundo da poça. Poça rasa. Pouca água. Muitos reflexos. O sol, no dia. Na noite, o farol. Duas faces de uma mesma moeda. Cara e coroa. A minha cara refletida na poça. Sem auréola, sem coroa. Noite e dia. Tempo passando. Tempo ficando. Tempo refletindo.

P.S.: Hoje é o dia da mulher, né? Então, pra não passar em branco...

- Feliz Dia da Mulher !!!
- Dia da mulher é todo dia.
- Todo dia inclusive hoje?
- Se é todo dia, obviamente inclui hoje.
- Então... Feliz Dia da Mulher !!!


Se conselho fosse bom...

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Não tente entender o coração de uma mulher. O entendimento é o derradeiro passo rumo à banalização dos mistérios do sentir. Além do mais, essa seria uma tarefa tediosa e com resultados absolutamente inúteis. Entendê-la não te faria gostar mais ou menos dela. Felizmente, o afeto não acompanha a construção e a queda de nossas ilusões de saber ou não saber. Entendê-la, tampouco, tornaria a convivência mais interessante. Se você buscasse a paz suprema de uma vida sem surpresas, compraria um pinguim de geladeira. Mas não, você está diante de uma mulher. Então, pra que ficar se perguntando por que ela é tão imprevisível ou o que se passa com ela? A única pergunta que deve fazer a si mesmo é se, mesmo sem compreendê-la, você a quer por perto.

Se a resposta for não, qualquer tentativa de entendimento é apenas uma busca por um parâmetro a ser utilizado em relações futuras. Acontece que mais adiante, não só a mulher será outra, como você mesmo será diferente. Morremos e renascemos a cada segundo. Tentar criar um padrão, além de inútil, seria bem frustrante.

Se a resposta for sim, aí mesmo que deve deixar de lado essa tolice de entendimento. Puxe-a pra bem perto, não permita que ela se refugie em suas próprias incertezas. Encare-a nos olhos e deixe que agora ela decida se também te quer.

Se ela falar, ouça-a. Não é preciso entender os mecanismos da translação pra se encantar com o nascer do sol.

Se ela se calar, compartilhe do seu silêncio. Silêncios partilhados são como confidências reveladas. Tem o poder de sobrepujar fronteiras de tempo e distância.

Se ela chorar, não tente enxugar suas lágrimas. Não construa represas que não resistirão à força ininterrupta das águas. O estrago pode ser devastador.

Por fim, meu caro, se ela sorrir. Ahhh, se ela sorrir, mergulhe de cabeça no fundo dos seus olhos. Somente lá, encontrará a única resposta da qual você realmente precisa.

Yes, we créu.

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Confesso. Chorei quando soube da escolha do Rio pra sediar as Olimpíadas de 2016. Motivos? Tirando o fato de eu ser uma manteiga derretida, acho que vai fazer bem à auto-estima brasileira, vou poder assitir a tudo razoavelmente de perto e não posso negar um certo prazer ao ver meu estado natal sediando um evento de repercusão mundial, a cidade do Rio derrotando Chicago, Tóquio, Madrid. Dor de cotovelo tupiniquim? Que seja. O fato é que essa parada, ganhamos.

É nessa hora que os pragmáticos perguntam. Será que ganhamos mesmo? Será que o legado deixado pelas Olímpiadas será positivo ou herdaremos apenas dívidas, obras inúteis e a sensação de ter comprado gato por lebre?

Nesse momento, não há como deixar de lembrar dos inúmeros defensores da ideia de que sediar o Pan não foi nada lucrativo pro Rio, alegam que as obras realizadas estão sendo mal aproveitadas, que o sistema de transporte não se desenvolveu e que muitas das promessas de melhorias não foram cumpridas, entre outras lamúrias. Além do mais, natural que se pense que um país com tantos problemas graves em áreas como saúde, educação e segurança não pode se dar ao luxo de gastar dinheiro sediando um evento esportivo desse porte.

Acontece que, a meu ver, dois fatores devem ser levados em conta. Primeiro, o maior dos benefícios que teremos com as Olimpíadas não é passível de ser medido monetariamente, tem muito mais a ver com a possibilidade do Brasil se posicionar mundialmente por uma realização positiva. Além do mais, ninguém em sã consciência acredita que esse dinheiro que está sendo captado pra investir na preparação do Rio seria usado na saúde, educação ou segurança caso não tivéssemos sido escolhidos como sede. Eis a cpmf que não deixa qualquer dúvida, alguém viu alguma melhoria expressiva na saúde no período em que ela vigorou?

Por fim, não acho muito produtivo chorar pelo leite derramado. As Olímpiadas de 2016 serão no Rio, fato, não há o que fazer pra evitar isso. Portanto, sinceramente desejo que o tempo que falta até lá seja muito bem aproveitado pra que tudo seja preparado da melhor maneira possível e que usemos esse evento como mais um degrau. Rumo ao pódio olímpico? Sinceramente, conheço pódios mais interessantes... rs.

Sentimental X Factual

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Outro dia eu estava lendo uma crítica à situação política do país, uma entre as milhões que transitam pela net. Mas essa, em especial, tocava numa questão na qual eu ainda não havia pensado. O autor do texto, ao proclamar a tão falada passividade do povo brasileiro diante dos absurdos recorrentes na politicagem nacional, mencionou a omissão de nossos artistas. Ele destacou o silêncio de pessoas como Chico Buarque, antes exilado por sua arte “subversiva”, por continuar se expressando ainda que em códigos, apesar da (brutal) repressão a tudo o que fosse de encontro às ideias ditatoriais da época. Eu li esse texto há dias, mas esse comentário em especial não me saiu da cabeça.

O autor criticou a omissão dos artistas. Já eu prefiro evitar julgamentos de valor. Não me sinto no direito de condenar alguém por não representar os anseios ou a indignação de todo um país, mesmo que esse alguém seja famoso e tenha um certo poder de mobilização. Mas costumo pensar nos motivos que levaram as pessoas a fazer ou deixar de fazer determinadas coisas, isso me ajuda a entender meus próprios motivos. Então, depois que li o mencionado texto, uma pergunta ficou: O que calou o Chico?

Como é de costume, em um momento em que eu nem estava pensando nesse assunto, ocorreu-me uma possibilidade.

A arte é uma expressão genuína de sentimentos. O artista pode se expressar sobre qualquer coisa, relações afetivas, fatos cotidianos, política, mas é preciso que o assunto mexa com suas emoções, toque em sua alma, caso contrário, não será arte, será uma outra forma de comunicação. Portanto, mobilizar as pessoas, chamar a sua atenção pra algum fato relevante pode ser um efeito da arte, não sua causa.

Enfim, de repente me veio à cabeça que, na época da ditadura, os artistas queriam utilizar sua arte com liberdade, apenas queriam expressar as suas emoções sem limites. Como eram impedidos, a própria censura acabava gerando outras emoções, mais fortes, mais inflamadas, porque nada machuca mais um homem do que ver tolhida sua liberdade de sentir e de expressar seu sentimento. Assim, não a ditadura, mas as sensações dos artistas diante de tudo que lhe tomaram acabaram sendo a temática principal daquela época.

É isso. Eu me perguntei o que (ou quem) calou os artistas e a resposta que encontrei foi a negação da premissa da qual parti quando formulei o questionamento. Ninguém calou Chico, na verdade, eles fizeram exatamente o contrário. Quando se deixou de censurar a expressão de sentimentos, os artistas obtiveram o que almejavam, deixaram em segundo plano os fatos e focaram no que lhes é mais precioso.

Quanto aos fatos, inclusive o retorno de uma certa censura, eles continuam tão absurdos e relevantes como antes e devem ser proclamados, inclusive através da arte. Mas sinceramente acredito que não se pode cobrar que alguém desempenhe um papel o qual ele nunca se comprometeu a desempenhar.

Retro(per)spectiva

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Ontem eu estava pensando no ano de 2008. Tá certo, eu sei que já estamos no fim de abril. Não é propriamente a época de se fazer balanço de fim de ano. Mas fim de abril também não é um mês de verão tórrido e eu estou aqui quase derretendo. Fazer o quê? Há coisas que simplesmente não podemos controlar. Não seguem horários, nem períodos do ano pré-definidos. Assim é o calor, assim são meus pensamentos.

Voltando ao assunto, não estava pensando no MEU ano de 2008, mas em coisas que aconteceram, mais exatamente em duas pessoas, duas mulheres, duas meninas. Isabela e Eloah. Duas vidas interrompidas, bruscamente interrompidas no ano passado. Até aí nenhuma novidade. Centenas, milhares de pessoas morreram em 2008. Mas a morte dessas duas meninas é coberta de um simbolismo que ontem acabou por me dizer muitas coisas.

Elas tiveram mortes quase cinematográficas, com detalhes que facilmente poderiam ter saído da imaginação fértil de um roteirista inspirado. Elas foram torturadas e assassindas por pessoas muito próximas. Antes de seus corpos, foram assassinadas a confiança, a ingenuidade, a crença dessas meninas de que ao menos em casa estariam a salvas do mundo cão que achavam estar girando lá fora.

Eis aí o grande lance. Os anos estão passando, o tempo voando e as coisas, inclusive as pessoas, se modificando. É preciso encarar que o mundo lá de fora entrou sem bater e ocupou os quatro cantos de onde antes as pessoas se sentiam em segurança. As portas, as telas, as janelas estão todas abertas e tudo, de bom e ruim, está entrando, como avalanche, em cada uma das casas, grandes ou pequenas, suntuosas ou humildes.

Antes as pessoas preparavam os filhos pra que um dia eles pudessem sair de casa e encarar os perigos da vida real. Hoje os perigos podem estar acompanhando as crianças num momento em família, podem estar ali, dormindo no quarto ao lado.

Lembrando do caso de Isabela, a imagem que me vem à cabeça é a janela aberta com uma tela cortada. Lembrando do caso de Eloah, vejo uma janela aberta com uma garota e um garoto, ambos com os rostos contorcidos de desespero. Duas janelas abertas. Essa foi a imagem que marcou meu balanço de fim (fim???) de ano. Desconfio de que as portas também estivessem abertas. Simplesmente porque não há mais como trancá-las. O mundo cão já entrou, estará à mesa entre nós na hora do jantar.

Sinto muito

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Não confio em quem nunca sofreu. Não falo da dor alardeada aos quatro cantos, publicada na pele, marcada na alma. Não me refiro ao sofrer com causa determinada e justificada. Não trato de morte, muito menos de falta de sorte.

Não confio em quem nunca foi acometido por moléstia desconhecida. Uma dor que começa no peito e toma todo o corpo como o veneno percorrendo silencioso as estradas rubras que deveriam transportar a vida. Um dia recebido com a mesma resistência com que a mulher malfadada gesta o fruto de um amor fracassado. Falo de uma agonia que chega sem aviso como o intruso sorrateiro que em pouco tempo de súdito se faz majestade. O vazio que não chama saudade. O abandono que não nasceu da partida. A morte que não sucede a vida.

Não confio em quem não perde o rumo, o sono, o juízo, em quem não chora sem saber o motivo. Se nunca sentiu, como pode se entregar? Há apenas migalhas de vida, retalhos de cetim, água rasa onde não se pode mergulhar.

Inimiga íntima

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O dia internacional da mulher, assim como todas as datas significativas, acabou sendo transformado em um momento muito mais comercial do que de reflexão ou de ação. A mídia nos bombardeia com informações, muitos aproveitam a data festiva pra comemorar (mesmo sem saber exatamente o que) e as vendas de flores, chocolates e outros mimos são alavancadas.

Assim como nos outros anos, algumas pessoas gentis correram pra me desejar o seu "Feliz Dia da Mulher!!!" e eu, com cara de caneca, ia respondendo um "Obrigada." aqui, um "Pra você também." ali, mas uma história não me saía da cabeça.

Uma menina de 9 anos foi estuprada pelo padrasto dentro de casa. Até aí nenhuma novidade. Isso acontece aos montes por esse país afora. Acontece que desse estupro surgiu uma gravidez, o que também não é algo inédito. Só que o cenário não está completo. A menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto, engravidou de gêmeos, e como seu corpo ainda não estava preparado para tal gestação, a criança corria sério risco de morrer. A solução óbvia é tomada, interromper a gravidez.

Tais fatos, por si só, já serviriam de pano de fundo pra uma longa reflexão acerca da situação atual da mulher. O agressor morava na mesma casa da menina. O agressor tinha um relacionamento amoroso com a mãe de sua vítima. Que tipo de marido era esse homem? Será que a mãe ficou cega por vulnerablidade econômica ou psicológica? Quantas vítimas há nessa história?

Muitos questionamentos, uma única certeza. Este é mais um caso em que o inimigo mora ao lado, mais exatamente no quarto ao lado. Mas ele (o agressor) não é o único inimigo íntimo dessa história que, aliás, ainda não chegou ao fim.

A Igreja Católica, através do arcebispo de Recife e Olinda, excomungou a mãe da menina e toda a equipe médica que realizou o aborto. Justificando sua atitude, o arcebispo alegou que a situação estava prevista nas normas da Igreja como motivadora de excomunhão e, se não o fizesse, estaria pecando por omissão.

Obviamente, diversos setores da sociedade saíram em defesa da decisão de salvar a vida da menina. E o arcebispo, alegando estar tentando conscientizar a população, passou a dar diversas declarações, uma mais estapafúrdia que a outra, até que acabou por dizer que o "crime" cometido pelos médicos foi mais grave que o crime cometido pelo padrasto. É isso, o padrasto que violentou a enteada de 9 anos pecou menos que os médicos que salvaram a vida da menina.

Li e ouvi a notícia várias vezes, em diversos meios de comunicação. E muito me surpreendeu o fato de que em nenhuma delas alguém ligasse o triste acontecimento ao dia internacional da mulher. Talvez fazer essa ligação seja decorrência de um hábito patológico de alguém que não sabe apenas curtir as "vitórias" femininas e ficar feliz pelos agrados recebidos. Pode ser mesmo. Mas, na minha cabeça, a ligação foi automática.

Pra mim, está muito claro que essa história traz em si diversas questões bem pertinentes nesse momento. Aspectos religiosos, sociológicos, culturais, políticos, poderiam ser levantados. Poderíamos discutir as relações de poder que vêm sendo escondidas embaixo de pesadas batinas. Mas, vou me ater a um aspecto mais "emocional" da questão.

Obviamente, a mulher atual já conseguiu se libertar de muitos dos grilhões que lhe prendiam as pernas. Entretanto, a batalha mais dura é para desamarrar os delicados e sutis laços que ataram nas nossas cabeças.

Brigar contra as imposições dos outros, contra um adversário concreto, feio e com um bafo quente que nos causa náusea é quase instintivo. Mas o dia internacional da mulher será mesmo só um momento de comemoração quando vencermos os fantasmas, os espectros, aquilo que por vezes nem conseguimos ver. É realmente muito difícil lutar contra algo que nos convenceram de que fomos nós que escolhemos. O inimigo é mais íntimo do que se pode supor.

Ser e não ser devorada

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Sabe o bom e velho "decifra-me ou te devoro"?

Pois bem, acho mesmo que nós vivemos sendo devorados por... nós mesmos !!! Confesso que, em muitas situações, é uma sensação bem incômoda, tipo "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Mas o grande lance disso é que, sem conseguir decifrar a nós mesmos, somos devorados, digeridos e renascemos da merda... ops, das cinzas... rs... rs...

É isso, acho mesmo que somos a reinvenção de nós mesmos. Passamos uma parte de nosso tempo pensando em quem, na verdade, somos. Perguntamos, nos questionamos. Às vezes a resposta vem e ficamos satisfeitos (por enquanto), às vezes vem e não nos satisfaz, muitas vezes ela (a resposta) simplesmente nos larga feito bobos esperando no ponto do ônibus. Dá vontade de gritar: "Pára que eu quero subir !!!"

Mas nunca temos certeza de nossas certezas e ficamos assim perdidos entre o que nós achamos que somos, o que os outros acham que somos, e nossas dúvidas de identidade. Angustiante? Claro que não. Produtivo, instigante, vital.

Como conheço minha forte propensão para filosofia barata, viagens a Terra do Nunca e afins, apesar de achar essas reflexões muito proveitosas, tenho ficado cada vez mais atenta pra não esquecer de que há um mundo dentro de mim, mas há diversos mundos do lado de fora. Mundos em que tudo que eu guardo só "existe" se for o conteúdo de atos, mundos que devo e quero explorar. Portanto, ser é ótimo, mas é preciso fazer, agir... VIVER.

P.S.: Segundo post seguido sobre questões existenciais. Prometo que acaba aqui a série "Ser ou não ser? Eis a questão"... rs... Mas, dessa vez, a culpa é toda da Candy que me fez viajar nos escritos dela. É isso, um comentário que virou post. Sorte a minha que tenho amigos tão inspirados... rs.

Pensamentos existenciais

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"Penso logo existo."
Talvez devesse dizer:
Penso que existo.
Não seria tudo isso
uma grande ilusão?
Quer saber?
Melhor não pensar mais nisso.
Apenas continuar existindo.
Ou não.

Moral da e(hi)stória

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libertino:
1. Desregrado nos costumes, dissoluto, licencioso, lascivo. sm 2 Homem devasso, libidinoso, sensual, depravado. 3 Partidário da seita dos anabatistas que faziam oposição a Calvino.

hipocrisia:
Manifestação de fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão etc.; fingimento, falsidade.

medo:
1 Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2 Apreensão. 3 Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. sm pl Gestos ou visagens que causam susto.

dignidade:
1 Modo de proceder que infunde respeito. 2 Elevação ou grandeza moral. 3 Honra. 4 Autoridade, gravidade. 5 Qualidade daquele ou daquilo que é nobre e grande. 6 Honraria. 7 Título ou cargo de graduação elevada. 8 Respeitabilidade. 9 Pundonor, seriedade. 10 Nobreza. D. essencial, Astrol: situação de um planeta em uma parte favorável do zodíaco. Antôn (acepções de 1 a 5): indignidade.

torpeza:
1 Qualidade de torpe. 2 Procedimento indigno ou ignóbil. 3 Desonestidade, desvergonha, impudicícia. 4 Brutalidade, selvageria. 5 Torpidade, torpitude.

moral:
1 Relativo à moralidade, aos bons costumes. 2 Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes. 3 Favorável aos bons costumes. 4 Que se refere ao procedimento. 5 Que pertence ao domínio do espírito, da inteligência (por oposição a físico ou material). 6 Diz-se da teologia que se ocupa dos casos de consciência. 7 Diz-se da certeza que se baseia em grandes probabilidades, e não em provas absolutas. 8 Diz-se da atitude ou comportamento de quem está perturbado, confuso ou embaraçado por qualquer circunstância. 9 Diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. sf 1 Parte da Filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe. 2 Conjunto de preceitos ou regras para dirigir os atos humanos segundo a justiça e a eqüidade natural. 3 Tratado especial de moral. 4 Conclusão moral que se tira de uma fábula, de uma narração etc. 5 Lição de moral. 6 Modo de proceder. 7 As leis da honestidade e do pudor. sm 1 Conjunto das nossas faculdades morais. 2 Disposição do espírito, energia para suportar as dificuldades, os perigos; ânimo: O moral das tropas. Com moral alto. 3 Tudo o que diz respeito ao espírito ou à inteligência (por oposição ao que é material). M. cristã: a moralidade que em si contém os preceitos evangélicos. M. de funil: moral liberal e ampla para uns, mas restrita e apertada para outros. M. em ação: o ensino da moral através de exemplos. M. pública: designativo dos preceitos gerais de moral que devem ser observados por todos os membros da sociedade.

P.S.: A estória de Geni sempre me tocou profundamente, desde a primeira vez que a ouvi. O contraste entre valores, a total relatividade de "conceitos sociais" tão arraigados, a brutal fotografia do mundo do qual fazemos parte, tudo isso bateu em mim com uma força avassaladora. Isso aconteceu há muitos anos, mas, ainda hoje, diante de várias situações com as quais me deparo diariamente, me vem à cabeça, como se fosse um sussurro irônico: "Joga pedra na Geni!!!"

A letra da música pode ser encontrada aqui: www.vagalume.uol.com.br/chico-buarque/geni-e-o-zepelim.html

Me olhando pelo espelho

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Os espelhos

"O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos.

Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são preciso muitos para se ter a mina faiscante e sonambúlica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente ad infinitum, liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, reflexos dessa dura água.

O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios.

Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre sem parar: pois espelho é o espaço mais profundo que existe."

Clarice Lispector

Teia Alimentar

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Desde que comecei a visitar outros blogs, venho chamando de teia esse compartilhar de sentimentos e pensamentos. Dizia isso por perceber a blogosfera como um verdadeiro emaranhado. Eu lia um post de alguém, depois lia um de outra pessoa e percebia uma clara ligação entre as postagens, embora, algumas vezes, os escritores nem tivessem lido os textos uns dos outros. Coincidência? Sintonia? Eu sentia como se houvesse uma teia imaginária que ligava as pessoas. Uma teia de idéias.

Hoje, comentando um post escrito por Vivian, repeti essa história da teia e de repente, assim do nada (como acontece com a grande maioria das minhas teorias malucas), percebi que talvez formemos mesmo uma teia, mas não pelo motivo que eu havia pensado antes.

Lembrei de minhas aulas de ciências, quando eu era menina ainda. A "tia" ia explicando o mundo a minha volta e aquilo me soava fascinante. Em uma dessas viagens, o tema do dia era cadeia alimentar. Eu já intuía que os seres vivos (eu inclusive) eram parte de um todo, mas ouvir que os seres se alimentam uns dos outros foi como um abrir de olhos. Enfim, havia mesmo um motivo científico pras minhas percepções infantis.

Nessa mesma aula, descobri que havia várias cadeias alimentares e que o cruzamento de cadeias formava uma teia alimentar. A explicação da professora à época me parece muito boa até hoje (todos os professores deviam manter a linguagem simples e despretenciosa que adotam pra lidar com cianças). Um animal normalmente alimenta-se de mais de um ser vivo e esses seres integram cadeias alimentares distintas, fazendo com que essas cadeias se cruzem.

Pois no exato momento em que comentava no blog da Vivian, pensei nisso. Todos nós fazemos parte de cadeias alimentares virtuais, dependemos uns dos outros pra nos alimentar, pra nos nutrir. E mais, criamos até um cardápio (vide as listas de links de blogs amigos que a maioria de nós tem em seu blog). Pensa que acabou aí? Nãoooo. Além disso, nossas cadeias alimentares cruzam-se, formando teias alimentares. Isso graças a blogueiros que fazem parte de diversas cadeias. Eu mesma já "ganhei" vários contatos herdados de blogs que visito constantemente.

Sabe do que mais? As minhas teorias são só passa-tempos pra essa minha mente doentia. Na verdade, estabelecer papéis não é importante, muito menos saber o que nos mantém aqui, interagindo com os escritos nossos e alheios. O importante mesmo é que, a princípio, não somos mais que seres vivos que precisam comer uns aos outros pra sobreviver. A princípio... Mas, aqui, entre sentimentos, pensamentos e letras, podemos ser qualquer coisa, podemos fazer qualquer coisa, até seguir nosso instinto de sobrevivência e usar outros seres pra continuar sentindo, pensando, blogando, nessa fascinante teia de idéias.

P.S.: Falando em amigos, Usando Verbologia foi extinto e me sinto meu órfã. Está certo, Melia. Pode me chamar de piegas, mas é assim que sinto mesmo.

E assim os planos adormeceram

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Passei toda a noite arquitetando uns planos que me pareceram muito bons.
Dei forma, consistência e fundamento a cada um deles.
Acalentei-os num abraço maternal. Até os amamentei pra que crescessem sadios e pudessem caminhar com suas próprias pernas.
Falei-lhes ao pé do ouvido palavras de confiança para que eles não se deixassem abater pelas dificuldades que encontrariam ao sair.
Quando os senti prontos pra ganhar o mundo, caminhei até a janela. Escancarei as duas bandas para que eles se sentissem livres pra voar.
Surpresa.
Minha atenção aos meus queridos planos tinha sido tamanha que nem percebera, o dia já havia amanhecido.
A noite partira de fininho, nem se despediu.
Fechei a janela e com toda doçura que encontrei n'alma, expliquei aos planos nascituros:
- É a manhã, o sol já nasceu, hora de dormir.

Muito do pouco X Pouco do muito

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Estava lendo um post no blog da Dani e me peguei pensando nos espaços que as pessoas ocupam em nossas vidas e nos permitem ocupar nas delas.

Algumas pessoas nos reservam um "lugar" privilegiado em suas vidas, nos dão importância, atenção, tempo e tudo mais de que dispuserem, mas simplesmente não nos marcam. Sabe aqueles filmes "água-com-açúcar" que te divertem, até te fazem chorar, mas ao fim, vc já não lembra direito o nome?

Outras pessoas nos oferecem momentos fugazes, pequenas frestas por onde podemos ver partes mal-iluminadas, por onde podemos tentar entrar meio espremidas. Mas aquele pouco oferecido faz toda a diferença, marca, instiga, transforma.

Normal isso causar certa frustração, se aquele pouco já te parece tão impactante, natural a vontade de ter mais, de ver mais, de ser mais. Além disso, não é nada lisonjeiro perceber que alguém simplesmente não te elegeu o "dono" daquela mesa com a plaquinha de "reservado".

Quando a relação é de amizade, há a doce possibilidade de viver e conviver com tudo, com todos. Ficar à vontade em salas arejadas, iluminadas, embora meio vazias, espremer-se em cubículos meio obscuros, que te causam certa falta de ar e taquicardia com tanta informações, sensações, incertezas.

Entretanto, quando a relação é "amorosa" (na falta de um termo mais adequado), ainda que a pessoa não seja lá muito fã de monogamia, acaba definindo prioridades, elencando preferências e, no caso, preferidos. Eis que surge a questão: Contentar-se com o muito do pouco ou aceitar o pouco do muito?

Não espera que eu responda, não é? Até acho que não há uma resposta determinada pra essa pergunta. Acho que as pessoas vão decidindo caso a caso, e deixando o tempo confirmar se a escolha foi boa ou não. Na verdade, talvez, nem sejamos nós que decidamos essas coisas, mas isso já é assunto pra outro dia...

Por que não fechar a porta de uma vez?

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Algumas pessoas têm a capacidade de me fazer pensar. Nem sei exatamente por que isso acontece. Já parei pra pensar o que elas têm em comum. Se tivesse encontrado, talvez tivesse descoberto o que faz minha cabeça funcionar, e isso seria muito útil. É, eu disse útil, porque, muitas vezes, assim como uma mula empacada, minha cabeça se recusa a rumar pra qualquer lugar que seja, não vai pra trás, muito menos, pra frente.

Mas nem era sobre isso que eu queria escrever, o assunto em questão é a porta.

Ricardo perguntou "por que não deixar a porta fechada de uma vez?" (comentário ao post anterior). Isso me fez pensar na minha relação com portas. Você deve estar achando que eu pirei de vez. Talvez tenha mesmo, então não vou tentar te convencer do contrário... rs.

Nem vou me alongar muito agora, talvez escreva mais sobre isso, talvez em poesia (algumas coisas não cabem nos "limites" da prosa). Mas, por enquanto, ficam aqui minhas impressões parciais.

Tenho uma certa simpatia por portas, elas trazem proteção, aconchego. Acho que as portas são as grandes cúmplices dos amantes, as grandes confidentes dos sentimentos.

Portas trancadas têm algo de definitivo que me traz um certo pesar, embora, muitas vezes, a tranca nem seja por desilusão, esconderijo, solidão. Mas, enfim, é a isso que me remetem portas trancadas.

Portas fechadas me trazem um certo respeito. Não sou o tipo de pessoa que gosta de olhar em frestras, não costumo ter interesse em olhar furtivamente o que há por trás de uma porta. Não por moralismo, educação, boas maneiras. A palavra é respeito mesmo, e uma certa solidariedade. Intimidade, solitária ou compartilhada, é algo que realmente prezo.

Portas abertas me remetem a um certo desespero, assim como gargalhadas desmotivadas, uma pureza excessiva no olhar.

Mas portas entre-abertas realmente são as minhas preferidas, não pelo que escondem, mas pelo que convidam.

Portas entre-abertas permitem a chegada, a partida, o retorno, o começo, o fim, o recomeço... São o poder da escolha, faz com que ir e vir sejam mais sinceros, plenos, efetivos.

Portas entre-abertas podem ser a não certeza, e isso gera insegurança, mas é a possibilidade, e isso gera esperança. E isso, por si só, já é um bom motivo pra não fechar a porta de uma vez.

Bom, disse que não me alongaria muito. Domingo não é meu dia mais "inspirado". Mas o assunto é interessante e sinto que tenho mais a dizer sobre isso, por isso, me despeço, deixando a porta-entreaberta...

P.S.: Obrigada pela imagem, Dani (e desculpe pelo furto). Está vendo como textos tão diferentes podem ser representados pela mesma imagem? Acaba de me vir à cabeça que os textos não são tão diferentes assim. Pessoas... portas... entradas... saídas... pessoas...

Mulheres-fruta

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Estava vendo um programa desses de fofocas (ah está certo, sei que estou sabotando minha própria imagem com essa revelação, mas relações públicas nunca foi mesmo meu forte... rs), voltando ao assunto, estava vendo o tal programa e de repente percebi um fato de "extrema relevância": o mundo das celebridades instantâneas foi invadido por ... por... mutantes, as mulheres-fruta !!! Isso mesmo que você leu, FRUTAS.

Vi cinco matérias do programa, cujos temas foram: 1. mulher melancia lança revista masculina; 2. atriz leva filho à praia; 3. ator encontra amigos num barzinho pra assistir pela tv o jogo do seu time de futebol; 4. mulher melão tira fotos com ex-ator de filme pornô; 5. atriz recém-separada é vista saindo de festa de lançamento da novela das oito com moreno desconhecido.

Tenho que admitir que antes de perceber a história das mulheres-frutas, percebi outros detalhes relativos às matérias que, aliás, me causaram alguns questionamentos: "O que tem de extraordinário no fato de que uma atriz vai à praia com seu filho?" (fora o protetor solar dela é claro, com uma pele daquelas achei que ela vivesse numa bolha); "Homens gostam de ver jogos de futebol, mais ainda em barzinho com os amigos, alguma novidade?"; "Ainda existe novela das oito?" (fico pensando que daqui a um tempo a novela, que antes passava no horário nobre das 8 horas, passará no meio das madrugadas: censura ou excesso de violência, sexo, etc, etc, etc?); e, finalmente, "Que tipo de enfermidade psicológica eu tinha para estar ali alimentando a indústria da fofoca?".

Você já deve imaginar que passei longos minutos refletindo acerca disso tudo, principalmente a respeito de meu recém-descoberto sadismo (admito que já desconfiava, mas era só uma leve desconfiança).

Mas, voltemos às mutantes. Imagino que você já deva ter percebido a invasão das frutas ao mundo das celebridades instantâneas. Mulher melancia, jaca, melão, moranguinho... aff... haja vitamina, silicoce, "abundância" e frases de efeito. Que efeito? Parafraseando Copélia, "prefiro não comentar"... rs.

Já percebeu o quanto essas "frutas" são parecidas? Cabelos negros e esticados, vozes peculiares, discurso na ponta da língua ("meu sonho é ser famosa") e generosas (exageradas até) curvas. E pasmem, nessa parte das curvas e medidas exageradas, acho que a invasão das frutas veio a calhar.

Ora, há bem pouco tempo, a imprensa nos bombardeava com notícias de jovens anoréxicas morrendo de inanição, é só olhar pro lado e veremos milhares de garotas tentando ser tão absurdamente magras quanto às modelos, a cada dia os braços e pernas das próprias atrizes de tv vão ficando mais finos. Padrões que convenhamos nada têm a ver com o tipo físico e psicológico de um povo de excessos como o brasileiro, cheio de curvas, mesa farta e cerveja.

Agora, aparecem as quase gordas (pros padrões atuais) mulheres-fruta, esbanjando curvas, medidas, espontaneidade e falta de compromisso com uma aparência "cool", "in" (só pra usar expressões desse mundo "fashion"... rs).

Não esqueci que elas também não têm muito compromisso com a gramática, boa dicção, clareza, nem estou querendo dizer que acho que deveriam servir de exemplo pra qualquer adolescente, muito menos que me orgulho desse novo estereótipo feminino (ou seria vegetal?).

O que quero dizer é que esse mundo de celebridades de 5 minutos não se propõe mesmo a educar, servir de modelo, conscientização, trata-se de entretenimento, não de meia dúzia de letrados, mas de entretenimento de massa, da população em geral. E você tem que convir que essa tranformação do mundo das celebridades tupiniquins em uma verdadeira quitanda é, no mínimo, divertida. Ademais, a feira livre é ambiente mais familiar a nossa esmagadora maioria que passarelas cheias de mulheres esquálidas, eretas e com olhar de paisagem.

Portanto, admito que não agüento mesmo ouvir mais que 10 minutos de uma entrevista da mulher moranguinho, também admito que, na minha humilde opinião, o corpo da mulher melancia está mais pra estranho que pra escultural. Na verdade, feira livre não é mesmo meu habitat natural. Mas, como meu nutricionista vive repetindo, as frutas têm lá seu encanto (rs)!!!

Coisas que nunca mudam...

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Hoje uma conversa com um amigo acabou "descambando" (essa palavra não é ótima?) nas diferenças entre homens e mulheres. É incrível como cada sexo tem suas peculiaridades, seus mecanismos de pensamentos e sentimentos, coisas que acabam definindo a forma que homens e mulheres relacionam-se consigo mesmo e com os outros.

Se eu disser "pelada" no fim de semana (sem duplos sentidos, viu? rs), toalha molhada em cima da cama e acento da privada molhado, você pensará em... HOMENS...

E se eu falar em salão de beleza no fim de um dia difícil (às vezes no meio, o que é ainda mais divertido), variações extremas de humor e histórias intermináveis com todos os detalhes, isso te remeterá a... MULHERES !!!

Se suas respostas coincidiram com as minhas, você entende bem o que digo, homens e mulheres, jovens ou velhos, ricos ou pobres, feios ou bonitos, compartilham algumas características que os diferenciam e, conseqüentemente, o tornam tão "estranhos", mas encantadores ao sexo oposto.

Mas, como sou uma mulher que não se prende totalmente a rótulos (e solidária, já que vou dividir essa constatação com vc), venho percebendo que tanto mulheres, quanto homens, vêm se desvencilhando cada vez mais dos papéis que a sociedade lhes deu e experimentando as delícias (e tormentos) das características antes inerentes ao sexo oposto.

Ou vc vai dizer que não percebeu que o chopp depois do trabalho não é mais coisa só de homem? Ou que mulheres andam tendo que dividir as agendas (lotadas!!!) de seus cabeleireiros com homens tão ansiosos e cheios de urgência quanto elas?

Aí vc me diz, "mas isso é só comportamento, não necessariamente exprime uma característica". Tudo bem, mas observe só, eu não dei exemplos de comportamentos profissionais ou que são quase que impostos pela sociedade e pela necessidade, como trabalhar e ser mais "duro" ou mais "flexível" diante das dificuladades, dei exemplos de comportamentos ou atividades que as pessoas fazem quando estão em sua hora de lazer, quando podem escolher o que fazer e onde ir.

Quero dizer que o chopp com os amigos e a ida ao salão podem significar que os papéis estão se misturando, que precisar (eu disse precisar) tomar um chopp e falar um monte de bobagens e que precisar (mais uma vez é uma questão de necessidade) dar um "up" na auto-estima não são mais coisas de homens ou de mulheres, e sim de homens e de mulheres.

Aliás, vamos combinar que essa história de papéis fixos é bem limitante e já estava mesmo na hora de cair em desuso.

Entretanto, não se engane!!! Se vc é mulher, não pense que já pode dizer: "Amor, precisamos conversar...", bem na hora do futebol. Se é homem, não vá pensando que as crises de tpm são coisas do passado. Isso porque estamos bem no meio de uma total revisão de valores e papéis, mas há coisas que nunca (nunca mesmo) mudam... rs.

Heróis e heróis...

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Um dos significados de crescer poderia ser "reconstruir relações", isto porque crescer fundamentalmente é rever as relações que se tem consigo mesmo e com as pessoas.

Consigo mesmo porque é impossível crescer sem mudar a forma de lidar com nossas questões, sonhos e conflitos.
Quando criança, é quase natural olhar pra si mesmo de frente, de olhos arregalados, sem medo do que verá. Diante dos problemas, correr pra "barra da saia" da mãe, além de instintivo, é uma atitude até, de certa forma, incentivada por todos. Olhamos pros nossos sonhos assim como pra um dia de céu claro.
Passar para vida adulta implica em transformar sonhos em metas, planos, descer à terra firme que sediará o que antes ficava muito bem nas nuvens. Olhar pra si mesmo passa a ser uma tarefa mais complexa, há que se colocar uma lupa pra conseguir perceber cada detalhe e meandros de nosso próprio sentir e pensar.

E essa mudança na forma de encarar a si mesmo acaba levando, naturalmente (nem sempre tão naturalmente assim... rs), a uma mudança na forma de lidar com as pessoas que nos rodeiam. As relações tornam-se mais "rotuláveis", mais complexas, mas também mais amplas.

A amizade entre duas crianças é algo extremamente doce, profundo, intenso até, pode se perpetuar e, mesmo que isso não aconteça, cria laços e lembranças que, normalmente, farão parte da pessoa que você se tornará. Mas uma criança não consegue perceber totalmente como é seu "amiguinho", não consegue ver todos os seus defeitos, aliás nem todas as suas qualidades. Uma criança foca sua visão só na convivência, se ela é boa, a amizade dura, se não é, a criança apenas deixa de lado a tal pessoa desagradável. Essa visão é muito mais simples, cômoda até, evita embates e conflitos. Só que temos que convir que perceber todos (ou muitos) os defeitos de um amigo torna essa amizade muito mais "ampla", mais completa e interessante também. Você gosta daquela pessoa apesar dela não ser tão boazinha assim, convive com ela apesar da convivência não ser tão tranqüila, entra em embates e discussões que podem ser doloridas, mas, muitas vezes, te farão uma pessoa melhor, de olhos mais abertos.
E o namoro entre adolescentes. Vamos combinar que ele é muito mais "cinematográfico" que uma relação adulta, isso o torna mais emocionante, mas também mais superficial. Ora, uma adolescente, em geral, olha pro seu amado como pra um príncipe (com cavalo branco e tudo) e isso é uma ilusão. Ao crescer, vai percebendo que o tal príncipe está mais pra sapo, mas que ela também não é bem aquela princesinha que quis supor. Ambos são feitos de carne e osso e vão aprendendo a se relacionar como tal, pessoas comuns, com defeitos e qualidades, lados bons e obscuros. E essa relação, se resistir à "verdade", certamente será mais profunda do que era na adolescência.
Entretanto, não há relação que se transforme mais quando passamos à vida adulta que a relação com nossos pais.
Quando criança, olhamos pros pais como para nossos super-heróis prediletos. Não enxergamos fraquezas, muito menos mesquinharias, tudo neles parece forte, louvável, correto e grandioso. Alguns defeitos eles até "esfregam" nas nossas caras, mas não enxergamos, aliás nem desconfiamos que eles existam.
Os anos vão passando, a visão se amplia e parece que um dia, sem mais nem menos, todas as luzes são acesas e percebemos de repente que nossos pais são pessoas comuns, com coisas que nos agradam e coisas que nos irritam. Ah, que decepção! A princípio é normal que nos sintamos enganados, traídos: - Como essas pessoas me enganaram por tanto tempo?
Esse momento de decepção pode deixar seqüelas na relação de um filho com seus pais. Alguns acabam se detendo na posição de vítima enganada e esquecendo de olhar de frente essas pessoas que acabaram de conhecer. Mas, em muitos, acredito que na maioria dos casos (eterna otimista), o filho olha e percebe que seus pais têm defeitos sim e isso os faz melhor ainda.
Ora, quem é perfeito obviamente será bom pai, quem não tem "maldade" só poderá tratar um filho com amor mesmo. Só que ao perceber que seus pais têm sim vários defeitos, você percebe também que o fato de eles terem sido tão desprendidos, terem muitas vezes aberto mão de suas próprias vontades pra priorizar o bem estar dos filhos, enfim, o fato de terem te amado tanto é ainda mais incrível e maravilhoso.
E é nesse dia, no dia em que vemos nossos pais como efetivamente são, que descobrimos uma nova forma de nos relacionar com essas pessoas. Óbvio que ainda não é uma relação como as outras, é claro que ainda não deixamos totalmente de olhar pra eles com uma certa "fantasia" (de heróis, às vezes de bandidos), mas ainda assim, a relação fica mais verdadeira e, conseqüentemente, mais "ampla".
Daí um dia saímos de casa, vamos viver nossas vidas bem longe dos "domínios" de nossos pais e de repente percebemos que não precisamos mais suportar essa convivência. Agora a vida nos dá o poder da escolha. Todavia, a gratidão é tão profunda, a amizade tão grande e, acima de tudo, a admiração é tão motivada que cada momento compartilhado, cada palavra trocada e cada novo traço de personalidade que percebemos mais solidificam essa relação.
E num momento qualquer, na hora de um sorriso, de uma lágrima, de uma palavra, percebemos sim que estamos diante de super-heróis. Por que não têm defeitos? Não!!!!! Porque o respeito e a admiração que sentimos são tão profundos, o amor tão intenso, que temos certeza de que só heróis poderiam despertar tais sentimentos no nosso (tão cheio de defeitos) coração.

Passagem de ano...

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Aniversariar (existe essa palavra?) sempre representou pra mim a verdadeira passagem de ano, primeiro porque é o dia em que realmente se passou mais um ano pra mim, e não pro mundo, pra história (individualista, não?), segundo porque é o dia em que faço uma análise do meu último ano, das minhas perspectivas para o futuro, sem pensar tanto na violência no Rio, na guerra do Iraque, na desvatação da Amazônia...

Aniversariar, portanto, pra mim, é recomeço, descarga de energia, de esperança, mais uma chance que a vida me dá de perceber o tamanho da graça de estar viva, de ter alguém que tem motivos para comemorar o dia em que nasci.

Diferente do Ano Novo, não bate nem um pingo de nostalgia pelo que já se foi, muito menos medo do que está por vir... Fazer aniversário é comemorar e reverenciar o hoje, o agora, o meu dia...

Não por acaso, nasci em fevereiro... Mês do carnaval, da alegria, da música, e do recomeço (não dizem que o ano só começa depois do carnaval?)... Portanto, um brinde ao meu Novo Ano !!!!

2008

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2.008 começou... Nunca entendi direito porque a simples passagem de um dia para o outro traz tanta empolgação e esperança às pessoas. É, porque se formos analisar friamente a situação, a virada do ano é só mais uma passagem de um dia para o outro. Essas minhas palavras podem até parecer pessimistas ou pouco animadas, mas é justamente o oposto. Acho que as pessoas deveriam ter essa disposição para mudar, para evoluir, para consertar e aprender no início de cada dia. Isso porque, se ao fim do dia 31 de dezembro inicia-se o dia primeiro de janeiro, ao fim de cada dia, inicia-se outro dia tão especial e cheio de surpresas quanto o primeiro dia do ano. Resumindo, a grande peculiaridade do dia primeiro de janeiro, o que o faz realmente especial é a nossa crença, nossa pré-diposição para fazê-lo um grande dia. Portanto, não tenho nada contra comemorar a passagem do ano, aliás ADORO esse clima, ver a felicidade das pessoas que "venceram", apesar dos trancos e barrancos, mais um ano. Mas o que proponho é que todos nós tentemos fazer de cada fim de dia um "fim de ano". Por que não reavaliar nossas atitudes, sonhos, projetos e desejos toda noite? Por que não olhar para o outro com mais benevolência a cada amanhecer? Por que não renovar as energias já que a cada minuto começamos uma nova etapa? Sei que não é fácil, sei que tendemos a dar mais valor aos costumes e aos "grandes" momentos. Mas se pararmos um segundo pra pensar, veremos que o último dia de cada ano é único e não vai se repetir, mas o penúltimo e o antepenúltimo também não se repetirão.

Ah! Quanto à viagem que vinha descrevendo, ancorei num porto, fui muito bem recebida. Meu coração está em paz (por enquanto), mas a viagem... essa acho que nunca terá fim.

Música do dia: "Como uma onda", Lulu Santos.