Mostrando postagens com marcador Aviso aos navegantes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aviso aos navegantes. Mostrar todas as postagens

E agora José?

| | 22 comentários »


13 de abril, 01:23 h. Estou em casa, em Icaraí, Niterói. Há uma semana, bem perto daqui, um homem morreu soterrado em seu próprio carro enquanto trafegava em uma área nobre da cidade. Junto com ele estavam esposa e filha. Ambas foram salvas por um conhecido atleta brasileiro. Mas não faz sentido identificá-lo. Na história que estou contando, heróis são anônimos. Eles usam apenas uma alcunha, um nome de guerra. Solidariedade.

A madrugada agora está silenciosa. Não chove, não venta forte. Há apenas um frio que percorre a espinha, como pra me lembrar que neste exato momento, não muito longe daqui, uma tragédia continua se desenrolando. Fico me perguntando como pode estar tudo tão aparentemente normal. Como as pessoas podem continuar indo ao cinema, levando o cachorro pra passear, comprando roupas enquanto há dezenas de pessoas perdidas num mundo de lixo e lama?

Neste instante, enquanto escrevo, mães, irmãos, filhos, amigos esperam ansiosos uma notícia. Só que eles sabem que a notícia não será confortante, muito menos feliz. No máximo, um alívio. O alívio de enterrar os corpos dos seus entes queridos longe de onde estiveram "enterrados" enquanto vivos. No lixo, na lama, no esquecimento. É por isso que eles esperam, de olhos vidrados, as buscas que bombeiros e voluntários fazem no meio dos escombros. Querem que a morte ao menos seja a redenção, que ela liberte seus afetos da "cova" em que estiveram presos por toda a vida. E também é por isso que tantas pessoas, a apenas alguns quilômetros do lugar da tragédia, continuam suas vidas normalmente. Pra elas, aquelas pessoas já estavam enterradas no lixo e na lama muito antes do morro desabar.

Há quem diga que é isso mesmo. Os viúvos que chorem seus mortos e deixem que o resto do mundo continue a girar. Mas há quem pense diferente, especialmente há quem sinta diferente. Pessoas que, ao ver seres humanos vivendo e morrendo numa montanha de lixo, sentem-se meio órfãs também. Pessoas que não podem passar impunemente por uma tragédia dessas acontecida bem diante dos seus olhos. Pessoas que choram a dor do outro porque, de alguma forma, também é sua aquela dor. Pessoas que saem de suas casas debaixo de chuva para ir a um abrigo cheio de desconhecidos oferecer comida, roupa, solidariedade.

Todos sabem que houve, mais uma vez, omissão do governo. Todos sabem que a tragédia podia ter sido evitada. Milhões de discursos são reproduzidos, críticas formuladas. O poder público merece cada uma delas e é através da nossa cobrança que novas tragédias serão evitadas. Mas, enquanto observo da minha janela a apatia de tantos de nós, penso que a omissão não é um mal que ataca só o governo. Nós também nos omitimos, também jogamos um pouco de lixo sobre aquelas pessoas e agora também podíamos estar fazendo um pouco mais por elas.

P.S.: Vocês não têm ideia de como está a situação em várias áreas aqui de Niterói. Parece um cenário de guerra. Qualquer descrição que possa ser feita será incompleta, rasa. Centenas de pessoas perderam tudo que tinham, inclusive a esperança. Tudo é extremamente importante pra essas mulheres, homens, crianças, idosos, mesmo as coisas mais simples como pasta de dente, água mineral, papel higiênico. Se alguém se interessar em ajudar, com qualquer coisa, entre em contato através do e-mail daspe3@hotmail.com.

Eu, tu, ele, ela

| | 14 comentários »
REDenção
(Mário Liz)

eu ceio o amor. ceio sem saber se seio ou se pele ou se coração. o vento na direção do meu peito. minh’alma longe do chão. perto de mim. deserta de medo. repleta dos mundos que quero. refém da paixão que decoro. minhas cismas de afeto. um cheiro repleto do teu olhar. do Eu-Olhar tuas ruas. tuas carnes nuas de seda. tua nudez nas alamedas do meu desejo. eu vejo uma força tremenda a me dominar. eu sinto a loucura ninar meus ensejos. e vejo teus beijos no som que vem me abraçar. no sol que nasce vermelho. e que morre vermelho tal como o amor vai me findar. tal como as roseiras que vertem seu brilho. no caminho certo que os olhos vão repousar. tal como o sangue também é vermelho. o sangue da terra. o sangue do rio. o sangue do mar. eu tenho esse visgo nas veias. o avesso exposto no verso. universo que ponho a rimar. é por isso que ri mares na vida (ao invés de chorar). é por isso que minha flor se prende ao Agora. e que a poesia me surge Senhora: sem hora de partir ou voltar. vou estar sempre aqui. no acolá das emoções. é onde caminho. é onde me enlaço. desata teus dedos. é cedo, vem me encontrar.


Sobre os brios da soberba
(Ana Clara Otoni)

É difícil me despedir, sem nunca ter chegado. Sem ter percebido a capacidade de me acolher dos seus braços. Nunca ter me feito sua de fato.
O mais complicado porém é confessar tudo isso sem dizer nada. É reconhecer que o meu orgulho me mantém parada e firme na minha completa arrogância.
É pior ainda não ter seu afago, aquele mesmo que eu nunca senti. Ou não quis. Pensar que nada mais justifica o seu bem querer a mim mesma, uma vez que sou eu quem pede para ser deixada. A palavra que mais admiro é muda: o silêncio. E é talvez por isso que eu nunca tenha sentido sua respiração quente, seu peito febril e seu amor incontrolável.
Me perdia sempre no vazio, no meu mudo, surdo e calmo quarto. Enquanto você contava problemas, soluçava façanhas e eu com o olhar fixo no branco gélido da parede. Se eu pedir baixinho, se mendigar cura, se rezar todas as noites e você prometer que tudo isso passa, a prepotência, a insegurança, o medo e o vazio, eu juro que te tento me entregar. Se me ajudar a vender, doar, erradicar todo esse orgulho que ruboriza, der viço e o tom a toda a minha petulância, juro que tento me entregar. Mas que fique claro, não poderei me despedir, falar ou prometer coisas assim vãs sem que tenha me mostrado o poder de seus braços.


P.S.: 10.000 acessos. É impressionante isso já que vejo tantos blogueiros preocupados em escrever o que e da forma que interesse o leitor. Há técnicas, dicas, estratégias. E eu, que neste contexto, não me considero blogueira (coisa mais pomposa), muito menos "marketeira" de mão cheia, só posso agradecer aos queridos que não satisfeitos por visitarem o Impressões, ainda deixam suas próprias impressões, que me levam a tantos outros destinos. Alguns inimagináveis, inicialmente. Por isso que minha forma de comemorar é reverenciar o que me é tão caro quanto escrever, ler. Ler textos, pensamentos, sentimentos, pessoas. 2 pessoas que não se conhecem, nem sequer sabem da existência uma da outra, mas, em determinado momento, conversaram através de seus textos. Cada uma com seu estilo, seus mecanismos, seus motivos, sua beleza. A intersecção? Eu. Meu gosto, meu respeito, minha admiração.

Mário pode ser "lido" em
www.meiomarmeiorio.blogspot.com/

Ana Clara pode ser "lida" em
www.anaclaraotoni.blogspot.com/

Aos dois e a todos aqueles que alimentam essa "força estranha" que há dentro de mim, muito obrigada.

Verdadeiro delírio

| | 19 comentários »



Há poucas verdades absolutas nessa vida. E a metade delas é simples e explícita demais pra ser alcançada pelo tão abrangente entendimento humano. Mas eu não sou humano, nem existo de verdade. Sou uma ilusão, um delírio, mais conhecido como narrador, o que tudo vê, tudo pode, tudo alcança. Resumindo, o todo-poderoso. Mentira. Esse meu megalomanismo ainda me mata. Mata? Como posso morrer se não nasci? Nem inventado eu fui. Lembram? Sou um delírio. Um delírio generoso disposto a lhes revelar uma das poucas verdades dessa vida. O amor tem preço sim. Nada, absolutamente nada nessa vida, vem de graça. E mais, como todo o resto, o preço do amor não é fixo, varia de acordo com o câmbio do dia.

...

Naquela noite, chegou em casa cantarolando "O Barbeiro de Sevilha". A vizinha provavelmente achou que ele estava em algum tipo de surto psicótico. Há anos dividia seu apartamento apenas com o silêncio. Nada de músicas, informações ou divagações solitárias. Foi até a cozinha servir a comida que havia trazido. Daquele momento em diante, não jantaria mais sozinho. Agora ela estava ali, esfuziante, companheira, solidária e principalmente fiel. Ela não iria embora. Só a morte os separaria. Ao retirar de uma bolsa plástica as coisas que havia comprado, achou uma nota fiscal. Entre outros itens, estava lá:

- Cadela Daschund________________________R$200,00

...

É, meus caros, como eu havia dito, o amor tem preço. E pode ser surpreendentemente barato. Decepcionados? Que bobagem. Essa não é uma notícia ruim. Nem eu, além de intrometido, sou sádico. Sou apenas um (quase sempre) sincero narrador. Aliás, como eu também falara inicialmente, sou apenas um delírio.

P.S.: Hoje fui surpreendida por uma notícia que me deixou muito honrada. "Flagrante cumplicidade", texto postado no Impressões há um tempo, está no Jornal da Lua. Quem puder passar por lá pra dar uma olhada vai entender por que fiquei tão lisonjeada. O blog é ótimo, a escolha dos posts é cuidadosa e nada previsível, consegue ser bem humorado sem ser engraçadinho, inteligente sem ser enfadonho. Além do mais, Bill, o "pai da criança", é uma das pessoas mais interessantes que já encontrei por essas minhas andanças pela blogosfera. Quer ver como não estou exagerando? Olha só: www.jornaldalua.blogspot.com/

Daqui pra frente

| | 11 comentários »
Como todos já perceberam, fiz uma faxina na casa. Há algum tempo, amigos vinham reclamando da letra pequena demais, da aparência quilométrica dos textos, e ultimamente eu também vinha me incomodando com o excesso de "penduricalhos" e o pouco espaço pros posts. Ah, quer saber? Talvez não seja nada disso, talvez mudar o layout do blog seja só consequência natural da transformação lenta e progressiva que o Impressões veio sofrendo nos últimos tempos. Aliás, não foi só a cara do blog que mudou, viram? A minha também. Resolvi passar a usar minha foto e meu nome nos comentários. Há quem diga que, enfim, resolvi assumir os filhos bastardos que eu teimo em trazer ao mundo dia após dia. Exagero, claro. É só uma novo fase, mais uma...

Ahhh... não podia deixar de agradecer a Melia (www.bad-bed.blogspot.com/) que mais uma vez exercitou sua infinita paciência ao intermediar essa relação de amor e ódio entre mim e as ferramentas do blogger. Sem você, amiga, estaria usando aquele mesmo layout de 2 anos atrás. Agradeço também a Mai (www.inspirar-poesia.blogspot.com/) por, com seu olhar atento e sensível, captar o que nem uma centena de palavras poderiam explicar e a Kari (www.botandopra-fora.blogspot.com/) por me enviar por e-mail o banner que eu há tempos vinha procurando.

Aproveitando a parada nos contos e poemas pra falar sobre a vida (sur)real. Algumas pessoas me pediram notícias e percebi que realmente havia deixado mais uma história sem continuação. Então, vamos aos últimos acontecimentos.

Depois de 6 meses do transplante, o risco de rejeição é quase zero. Após a cirurgia, as 4 sessões diárias de diálise puderam ser totalmente canceladas e a vida vem tomando seu curso (quase) normal. É isso. Acho que posso dizer que saímos as duas curadas daquele hospital. Cada uma a sua maneira. Obrigada a todos por cada palavra de carinho, por cada gesto de solidariedade.

2 anos !!!

| | 12 comentários »
No dia primeiro de dezembro o Impressões fez aniversário. 2 anos !!! O simples fato de o blog ter sobrevivido tanto tempo já seria motivo o bastante pra comemorações, mas há mais a festejar. Muitos contatos, alguns amigos, lágrimas, surpresas, afinidades e empatias surgidas inesperadamente. Quanto aos números, foram mais de 8.000 acessos e Pecadora (www.purasimpressoes.blogspot.com/2009/04/voce-planta-os-joelhos-no-chao-e-reza.html) foi publicada em 2 outros blogs. E, apesar disso tudo, eu só lembrei do aniversário 3 dias depois e, desde então, estou tentando postar e nada de tempo. Mas, enfim, cá estou eu, com meu arsenal completo de clichês sentimentalistas. Estavam pensando que iam escapar? Não, senhores !!! Inevitável dizer (escrever) que cada um de vocês é parte disso aqui, que o Impressões é tão de vocês quanto meu, que os comentários são uma fonte de ideias, sentimentos, desejos. Inevitável agradecer pelo carinho das palavras e pela força dos sentimentos que, mesmo vindos de longe, chegam aqui como uma injeção de energia, de vida.

Infelizmente, não estou conseguindo tempo pra parar e escrever alguma coisa em comemoração ao aniversário. Então, já que ando num momento literário muito "poético", resolvi voltar às raízes e revisitar uns contos já postados aqui. Provavelmente serão 2 ou 3 contos, é só o tempo de passar essa fase de correria total e eu conseguir postar alguma das coisas que ando rabiscando em guardanapos por aí. Por que contos? Poesia é encanto, namoro, mas é na prosa que realmente me encontro, me reconheço e me entrego.

Por inteira

| | 22 comentários »


Eu já disse que a proposta desse blog não é virar um diário. Também já repeti algumas vezes que os textos postados aqui são essencialmente ficcionais. Acontece que... vcs sabem como é, né? Eu sou uma pessoa. Pessoas criam laços afetivos. Laços afetivos tornam tudo muito pessoal. Enfim, por motivos óbvios, não há como fugir, pessoas são pessoais. E ponto final... rs.

Por que essa embromação toda? Porque estou de volta. Viva, vibrante e surpreendentemente inteira. É, queridos, naquele hospital me retiraram um rim e parte da costela (pra poderem retirar o rim), mas foi lá também que eu recuperei partes de mim que haviam ficado pelo caminho. Estranho? Nem tanto. A gente não vive ouvindo casos de pessoas que à beira da morte resgataram a vontade de viver? É comum ouvir pessoas que quase morreram dizerem o quanto encararam a vida de forma mais positiva depois dessa experiência. Pois então. Eu tive que colocar minha vida profissional em stand by por um ano e meio pra acompanhar mais de perto a doença da minha mãe e o processo do transplante. Eu deitei numa mesa cirúrgica depois de assinar um termo de responsabilidade, em que estavam descritos os aterrorizantes riscos aos quais eu estaria vulnerável (aliás, essa parte em si merece um post, cômico, é claro). E, de quebra, ainda ganhei a oportunidade de passar por um clássico pós-operatório, com sessões intermináveis de vômito, dores mais teimosas que eu e a total dependência à (boa) vontade de médicos e enfermeiros. E o mais importante, o constante medo da morte, já que só consegui ver minha mãe e ter a certeza de que ela estava fora de risco 3 dias depois da cirurgia. Enfim, eu pude por a vida (aquela com letra maiúscula) em xeque e isso sem precisar ter uma doença grave. Viu? Essa coisa de doador e receptor, herói e vítima, isso tudo é muito relativo. Afinal de contas, quem salvou quem? Não importa...

Saímos, eu e minha mãe, vivas daquele hospital. Provavelmente, mais vivas do que quando entramos. Com certeza, mais felizes. A recuperação até que está sendo bem rápida. Já estou até conseguindo viver grandes emoções. É isso. Quando eu saí do hospital, abriram um laptop pra que eu pudesse ler e-mails de amigos. Como vcs devem imaginar, vim dar uma espiadinha no blog. O que aconteceu? Um rio de lágrima, assim mesmo, bemmmm estilo novela mexicana.

Não estarei exagerando se disser que depois de sair do hospital, 3 coisas me fizeram sentir gente denovo: tomar banho sozinha, escovar os dentes e o sentimento que as mensagens deixadas no blog geraram em mim.

Léo, vc conteve as lágrimas porque afinal de contas é meu super-estivador, com covas no queixo, doçura e tatuagem no peito, um monte de sacanagem na cabeça e asas de corvo escondidas por baixo da camisa. Vc é o meu (anti)herói !!!

Ana, vc disse que a homenagem que me fez em seu blog foi simples e se surpreendeu por ter me tocado tanto. Vc só esqueceu que são justamente as "simplicidades" dessa vida que mais me encantam. Eu amo música, acho que meu coração não bate, canta. Saber que pensar em mim te faz lembrar dessa música é mesmo um afago.

Paula, Tossan, Bill, Rebeca e Martha, queridos amigos, vcs representam pra mim a luz do sol que entra pelas frestas da janela quando amanhece um novo dia. A cada vez que leio vcs, fico feliz por saber que ainda existe tanta sensibilidade nesse mundo tão brutalizado.

Mai e Batom e Poesia, nunca medi sentimento por tempo, acredito que uma ligação forte entre pessoas pode ser sim construída num único segundo, quando duas pessoas de coração aberto compartilham uma situação que vale por uma vida inteira. Vcs duas, através das palavras que escreveram, estiveram presentes (e foram um presente) num momento muito importante da minha vida.

Kaká, Candy, Kari, Branca, Fabricante, Ava, Bárbara e Miguel, por mais complicada que seja a recuperação depois de uma cirurgia, tudo fica mais fácil quando a gente tem motivos pra continuar. As palavras de vcs me fazem acreditar mais na vida e gostar mais das pessoas.

Enfim, ler vcs me fez por alguns momentos esquecer que havia outro órgão no meu corpo além do coração. Obrigada, muito obrigada. Mas eu não estaria sendo justa se não ressaltasse uma coisa. Não é a “grandeza” de um gesto que demonstra a grandeza de sentimentos. Saber doar afeto, ser desprendido de pré-conceitos daqueles que determinam o que é amizade e seus limites territoriais e emocionais, estender a mão a um “desconhecido”. Pra mim, nada disso é menor ou menos digno de aplauso do que doar um órgão pra ajudar alguém que amamos. Afinal, doar o corpo é fácil, o difícil é doar a alma.

P.S.: O transplante foi aqui em Juiz de Fora, Minas Gerais. Os médicos já liberaram minha mãe pra voltar pro Rio, mas ela ainda está sentindo algumas dores e resolvemos ficar mais um pouco. Apesar disso, a recuperação dela tem sido bem rápida. Agora é só uma questão de tempo. A palavra rejeição ainda nos ronda feito uma sombra, mas nessas horas a gente escancara as janelas e deixa a luz entrar.

Gente que gosta de gente

| | 41 comentários »



Há pouco mais de um ano eu vejo minha mãe sofrendo as consequências de ter uma parte do corpo que não consegue mais cumprir suas funções. Ela adoeceu e, de certa forma, a família inteira adoeceu também.

Todos os dias milhares de pessoas vivem essa mesma angústia. Acontece que muitas delas não encontram um doador na família e precisam esperar um doador cadáver. A espera pode durar anos. Anos de agonia, incerteza, impotência. Sei que o poder público não está preparado para fazer transplantes num número capaz de reduzir drasticamente a fila, sei que muitos hospitais não estão prontos pra fazer a captação de órgãos, mas sei também que um único doador pode fazer toda a diferença pra algumas pessoas. Muitas vezes há toda uma estrutura, mas ainda sim as pessoas dizem não. É compreensível. A hora da morte é um momento em que estamos focados na nossa própria dor, não é um momento de reflexão, de benevolência. Por isso, só diz sim quem o faz por ter a certeza de que essa seria a vontade daquele que se foi. Portanto, é preciso que a pessoa que deseja ser doador deixe bem clara sua vontade a seus familiares e amigos. É preciso escolher a vida enquanto há vida.

Eu nunca tive dúvidas quanto ao assunto. Sempre achei natural doar meus órgãos. Não por generosidade ou questões morais, mas por lógica mesmo. Acho que cada um de nós faz parte de um todo harmônico. O corpo que eu uso hoje um dia não me servirá pra nada. Nada mais natural do que o devolver pra continuar sendo útil, pra continuar vivo. Até porque a outra alternativa seria virar comida de minhoca e convenhamos que essa ideia não é nada agradável. Enfim, desde que tive idade pra decidir, defini que EU seria doadora ao morrer, mas nunca me preocupei com os outros. Não tenho o costume de levantar bandeiras. Acho que cada um deve tomar suas próprias decisões, usando seus critérios de escolha individuais.

Acontece que agora que o transplante de minha mãe foi marcado, olho pra trás e vejo o quanto foi difícil esperar que todos os exames ficassem prontos, a angústia de ver alguém que você ama esperando pra poder voltar a viver normalmente, a sensação de impotência, daí penso o quanto deve ser torturante ficar numa fila esperando um órgão. Hoje penso que se todo mundo convivesse com alguém que espera por um transplante, não haveria não doadores. Só que a maioria das pessoas, felizmente, não vai ter essa experiência. E eu tive. Portanto, o máximo que posso fazer, é pedir às pessoas que pensem no assunto e deixem clara sua intenção de ser doador, para que no momento de sua morte, seus familiares não tenham dúvidas.

P.S.: No dia 7 de julho vou doar um rim pra minha mãe. Não é um ato de abnegação. Na verdade, só estou devolvendo um pouco do que ela me deu. Vida e amor. Aos amigos, peço que, se puderem, também escrevam sobre o assunto em seus blogs. Talvez esse pequeno gesto possa fazer a diferença na vida de alguém. Dou notícias quando sair do hospital.

P.S.2: Não é à toa que escolhi esse vídeo pra acompanhar o post.

ABSURDA MENTE

| | 11 comentários »
ABSURDAMENTE INSANA
ABSURDAMENTE VELOZ
ABSURDAMENTE PROFANA
ABSURDAMENTE VORAZ

ABSOLUTA EM SUA IMPERFEIÇÃO
SURDA A QUALQUER IMPOSIÇÃO
MENTE POR PRAZER, MENTE POR PROFISSÃO

ABSURDA MENTE QUE ORA FESTEJA
ENTRE A LUA E AS ESTRELAS
ABSURDA MENTE QUE ORA RASTEJA
ENTRE A LAMA QUE COBRE A SARJETA

ABSURDAMENTE ATORMENTADA
INSATISFEITA, IMPRESSIONADA
TEM COMO SINA, COMO CILADA
DEIXAR MAIS UMA OBRA INACABADA

P.S.: Há fases em que eu escrevo muito, em outras, por algum motivo qualquer, a vontade de escrever vai embora. Talvez porque viver, em certas situações, seja um processo que exija exclusividade. Talvez porque a vontade seja uma mulher caprichosa e volúvel. Talvez seja só um período de digestão. Bom, não importa muito o motivo. O fato é que na falta de algo novo, há sempre a possibilidade de usar o antigo que ainda faz todo o sentido. Pra mim, é claro... rs. Eu postei esse poema no Impressões no ano passado logo depois de escrevê-lo, mas hoje ele voltou pra me fazer uma visita.

Carinhoso

| | 9 comentários »



Todos os dias, eles pintam os rostos e levantam bandeiras
pela moral, bons costumes, pela natureza.
Pois algo me diz que logo não haverá vida a ser salva,
Se caras e corações não forem lavados
num manifesto pela delicadeza.

P.S.: Eu simplemente adoro esse vídeo. Não há nele efeitos especiais, jogos de luzes, imagens sobrepostas ou uma dessas coisas que fazem a gente pensar o quanto são variadas e impressionantes essas "ferramentas" tecnológicas. O que existe nele é um feliz encontro, como diversos outros que a gente vê pela vida todos os dias. A magia da simplicidade, o menos que é tudo. Foi por isso que escolhi esse vídeo pra agradecer a todas as pessoas que passam por aqui quase diariamente e que, muitas vezes, com algumas palavras, simples palavras, acabam me dizendo coisas que fazem todo sentido. Sentido que pode ser entendimento, significado, mas que também pode ser apenas... SENTIMENTO.

Receita de ano novo

| | 7 comentários »


"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

Carlos Drummond Andrade

P.S.: O que posso desejar pra 2009? Paz no mundo? Felicidade geral da nação? Saúde? Prosperidade? Não... Eu acredito que nossa maior batalha é travada dentro de nós mesmos. Acredito também que nessa batalha não há vencedores e vencidos, apenas efeitos... bons... ruins... Portanto, o que tenho a desejar é que cada um de nós lute, sobreviva e... viva... viva 2009 !!!

Será mesmo preciso esperar a próxima vida?

| | 10 comentários »
A minha próxima vida
Woody Allen

Na minha próxima vida quero vivê-la de trás pra frente.

Começar morto para despachar logo esse assunto.

Depois acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.

Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a aposentadoria e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.

Trabalhar por 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo, e depois estar pronto para o secundário e para o primário, antes de virar criança e só brincar, sem responsabilidades.

Aí viro um bebê inocente até nascer.

Por fim, passo 9 meses flutuando num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quarto a disposição e espaço maior dia a dia, e depois

- Voilà! - desapareço num orgasmo.

P.S.: Ao falar sobre si mesmo Woody Allen costuma repetir: “As pessoas sempre se enganam em duas coisas sobre mim: pensam que sou um intelectual (porque uso óculos) e que sou um artista (porque meus filmes sempre perdem dinheiro).”

Eu, pessoalmente, adoro essa frase. Por quê? Não tenho cara de intelectual, meus filmes não perdem dinheiro, à medida que eles não existem. Mas, que as aparências enganam, enganam... rs.

Tempo, chuva e até logo

| | 26 comentários »
- Uns dias fora. Tempo.

- Tempo pra pensar?

- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.

- Ei, é o tempo, não é a chuva. Não há ligação entre os dois.

- Será mesmo?

- O tempo não tem "cara" de infância, não cheira a mato molhado, não tem som de acalanto.

- É, pode ser que não mesmo. Mas ele pode ser assustador e também nosso maior aliado; ele cai dos céus em nossas cabeças, sem pedir licença, sem perguntar se estamos preparados; ele destrói mas também é renascimento.

- O tempo?

- E a chuva.

- Sabe de uma coisa?

- Não.

- Você precisa mesmo de um tempo.

- Pra pensar?

- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.


P.S.: Eu vou mas volto, viu? Comportem-se e deixem um monte de recados pra eu pensar que fiz falta... rs... brincadeirinha... Até sábado.

Meu querido diário

| | 4 comentários »
Vivo explicando que meu blog não é um diário. Também não é só ficção. Na verdade, isso aqui é uma sopa, tem de tudo um pouco. Uma sopa de letras. E nem pense na dieta da sopa.

Voltando ao assunto. O blog não é um diário. Mas, como eu não tenho muito problema em parecer contraditória, hoje o post poderia muito bem começar com o bom e velho "meu querido diário".

Sério, hoje o post é um desabafo. Melhor escrever que bater com a cara na porta, não é? Está bem, forcei, não bateria a cara na porta, flagelos com chicote também estão fora de cogitação. Então, melhor desabafar aqui, me xingar e encher a paciência de vocês.

Perdi meu celular. Ou melhor, perdi mais um celular. Perder coisas é algo recorrente na minha vida. Quando as pessoas brincam "se a cabeça não estivesse grudada você a perderia", chego mesmo a pensar "talvez sim". Esqueço as coisas nos lugares, esqueço nomes, rostos, esqueço até de mim mesma.

Mas, a história dos celulares é mais séria. Detesto celular !!! Detesto ficar horas procurando o telefone perdido dentro da bolsa, berrando, enquanto as pessoas em volta me olham com aquela cara de "será mesmo que ela não consegue achar uma coisa que grita e vibra dentro de sua própria bolsa?". Detesto a mania das pessoas te ligarem mil vezes até que você atenda. Se não atendi nas três primeiras vezes, deve ser por que não pude, não é óbvio isso? Detesto ainda mais aquela perguntinha básica "Onde você está?". Oras, cadê o respeito à privacidade alheia? Por que não simplesmente perguntar "Pode falar agora?" ou "Estou atrapalhando?"? Ou nem perguntar nada, se a pessoa te atendeu é porque pode falar, não é?

Bom, voltando ao celular. Numa dessas minhas temporadas na casa dos meus pais, perdi o telefone. Tive que comprar logo outro. Meus clientes já estavam tendo uma síncope nervosa, por não conseguir falar comigo. Qualquer dia vou explicar a relação (insana) dos meus clientes com o telefone.

Uns dias depois de comprar o celular novo, minha mãe me liga e diz que encontrou o meu. Mas, como já tinha comprado outro e ter dois celulares nem pensar (tortura dupla já é masoquismo demais), dei o telefone velho de presente. O que acontece agora?

Perco o celular novo. E eu nem tinha acabado de pagar !!! Aliás, tinha acabado de pagar a segunda (SEGUNDA) prestação. Pensando bem, eu mereço mesmo a "portada na cara", quanto ao chicote é muito sado-maso pro meu gosto.

Querem saber do que mais? Maior que minha irritação por ter perdido um celular que nem paguei, é a raiva de me saber obrigada a comprar mais um obejto de tortura. A cada novo celular me lembro de que não sou bem eu que mando nessa espelunca aqui (espelunca=minha linda vida).

Preciso trabalhar. Preciso estar em contato com o mundo o tempo todo. Preciso de uma porcaria de um celular novo. Preciso parar de perder as coisas. E isso é uma missão tão importante quanto impossível !!!

Mudança !!!

| | 3 comentários »
Como vcs podem ver, mudei o nome do blog. Na verdade, completei.

Desde que batizei o blog, sentia falta de algo no nome. Sabe filho de pai desconhecido? Tem nome, tem sobrenome, mas falta um complemento. Uma lacuna em sua própria identidade. Viagem? Pode ser, mas é assim que me sentia.

Já sei, já sei... Essa especificação também é uma forma de delimitação e isso não é muito coerente com meu apreço pela liberdade, inclusive, a de interpretação. Verdade que gosto, sempre que possível, de incentivar várias interpretações, vários pontos de vista, e quanto menos "definidas" forem, mais abertura terá o outro ao formar a sua idéia diante das minhas idéias.

Mas, não sei exatamente por que, dessa vez quis sim "qualificar" minhas impressões. E hoje, quando esse trocadilho surgiu na minha cabeça como a maçã caída da árvore (pretensiosa...rs), não pude evitar um sorriso de satisfação, embora a mulher ao meu lado deva ter pensado que eu era louca (sábia mulher) ou que tinha tido um espasmo... rs.

Fora que faz tempo que não mudo o layout e essa "pasmaceira" já estava me entediando. Viram? Ainda continuo a mesma...

Brincadeira de sexta (ainda bem que hoje não é quinta)

| | 9 comentários »
Do blog da Ana veio essa brincadeirinha, tentar definições usando músicas. Definições e músicas, vou fingir que não percebi o contra-senso, afinal não sou "estraga prazeres" (esse é mais um dos termos da lista da vovó...rs).

Bom, fiz algumas adaptações e aceitei o desafio. As respostas serão encontradas nas letras das músicas cujos nomes e seus respectivos cantores/autores estão em cada questão.

Seja bonzinho e não me deixe brincar sozinha, a última questão é vc quem responde...

1. Descreva-se: Caçador de mim, Milton Nascimento
2. Onde queria estar agora: Dias claros, Wilson Sideral
3. O que você pensa sobre o amor: Falando de amor, Leoni
4. Como está a sua vida: Smile, Chapplin
5. Se tivesse direito a apenas um desejo: Sem mandamentos, Oswaldo Montenegro
6. O que mais gosta de fazer: Encontros e despedidas, Maria Rita
7. Uma mensagem pra si mesma: Paciência, Lenine
8. Uma mensagem para os outros: Eu apenas queria que vc soubesse, Gonzaguinha
9. O que me "bole" por dentro: Blowing in the wind, Bob Dylan
10. O que as pessoas acham de você: ? (agora é sua vez... rs)

P.S.: A questão 10, de acordo com a brincadeira original, era pra eu responder. Mas como vou saber o que os outros pensam? Além do mais, prefiro jogar buraco à paciência (olha o pensamento impuro... rs). Então, como vcs são extremamente pacientes (já que ainda não me abandonaram), respondam a última questão em seus comentários.

Minha querida amiga Am acabou de melhorar a idéia que já foi da Ana, minha e de alguém antes da Ana (rs). Ao colocar no comentário uma música que fale de mim, coloquem também uma música que falem de vcs, assim eu ainda fico sabendo um pouco mais sobre meus queridos leitores. Está certo, sei que estou abusando da boa vontade de vcs, mas não custa pedir, não é? rs

Conversa de domingo

| | 6 comentários »
Perguntaram ao Dalai Lama: "O que mais te surpreende na Humanidade?"

Ele respondeu:

"Os homens... Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido."

Não sei se foi a listinha, nem se foi a conversa sempre instigante, nem sempre indolor, ou se foi o domingo (ócio reflexivo), o fato é que me lembrei dessas palavras e as achei mais adequadas pra expressar no que andei pensando hoje do que minha verborragia (como diria melia) usual.

Por que vc só quer tocar o intangível? Por que quer o que não pode ser dado e nem percebe o que foi oferecido só a vc? Por que exige tanto? Por que se defende tanto? Por que reclama tanto? Por que apagou o caminho até aqui? Por que vive como se nunca tivesse vivido? Por quê?

Ainda bem que a porta estava entre-aberta...

| | 7 comentários »
Preciso confessar uma coisa: não gostei do último post. Achei-o incompleto, limitado. Não encontrei as palavras pra expressar exatamente o que me passava pela cabeça. Quando acabei de escrever, tive a sensação de que não estava acabado, mas que também não sabia como escrever o que ainda se passava na minha cabeça.

Isso, às vezes, acontece comigo. Parece que meus pensamentos correm tão rápido que não consigo acompanhá-los.

Antes, quando isso acontecia, eu costumava ficar angustiada. Mas, de uns tempos pra cá, tenho aprendido que não preciso acompanhar de tão perto a mim mesma (só pra não perder a mania de ditos populares, "galinha de casa não se corre atrás"... rs... gostou da comparação?... rs... rs). Então, hoje, quando me sinto lenta demais pra captar minhas próprias mensagens, puxo uma cadeira, sento e fico olhando, tal como espectadora que tem a certeza de que, até o fim da novela, todas as perguntas serão devidamente respondidas (ainda que isso nem sempre aconteça).

Foi o que fiz ontem, domingo, ócio mental absoluto, mas vontade de escrever. Coloquei-me diante do pc e me abandonei por aqui, por alguns minutos, batucando no teclado fragmentos do que fervilhava em minha cabeça. ("batucando no teclado"... Adorei essa expressão que roubei do blog do meu irmão. Alguém nessa família tinha que ser inspirado, né? rs)

Ao acabar, você já sabe o que senti, mas resolvi postar assim mesmo, afinal adoro guardar guardanapos rabiscados com partes amorfas que, um dia, poderão compor algo que faça algum sentido (ou não).

Só que a vida é bem generosa comigo e hoje, ainda com a cabeça pesada da ressaca do domingo, abri o blog pra dar uma olhada e eis o que encontro, os comentários de meus queridos (e caridosos) leitores.

Tenho que dizer, vocês tiraram "leite de pedra". Foram além do que eu havia escrito. Sempre ouvi minha avó falando sobre "dar liga" na massa. Sabem o que é isso? Fazê-la uniforme, homogênea, pronta pra ser manuseada. Foi o que vocês fizeram com aquele monte de ingredientes perdidos que eu tinha jogado, displicentemente, na vasilha.

Estou feliz, feliz por não ter apagado o post, assim como já perdi várias idéias loucas que rabisquei em pedaços de papel, e, principalmente, feliz por ter amigos inspirados por perto. Portanto, só me resta imitar o balconista da padaria e dizer: "Voltem sempre !!!"

Reconhecimento...

| | 5 comentários »
Já é tarde. Ou cedo? Sou péssima nesse tipo de definição, aliás sou péssima em qualquer tipo de definição. Mas, eu não poderia ir dormir sem fazer um breve comentário.

Layout novo. Viram? Melia disse que é a minha cara. Será a orquídea? (rs)

Ainda há algumas alterações a serem feitas, mas estou gostando muito. Acho que esse é meu preferido de todos que já usei. Aliás, vou ter que achar isso por muito tempo porque gastei os parcos neurônios que ainda me restavam pra conseguir baixar layout, baixar programa pra baixar layout, aff... rs.

Enfim, valeu à pena, gostei da combinação de cores. E gostei, principalmente, da idéia: uma flor que desabrocha à sombra de palavras, e se utiliza das mesmas para se deixar ver sim, mas só em partes.

Mas, estou fugindo do assunto que me trouxe aqui. Esse post serve (e se serve... trocadilho terrível...rs) para agradecer a paciência inesgotável de Melia ao me ensinar a dar ao blog uma carinha mais apresentável (afinal, nem só de conteúdo vive um blog, né?...rs).

É fato que sou uma negação com máquinas e confesso que tenho até um certo orgulho (besta) disso, um certo prazer em me manter uma retrógrada apegada a "amigos, livros e discos" (casa no campo, lembra?).

Só que encontrei um ser tão teimoso quanto eu. Enquanto eu teimava em fazer tudo errado, Melia teimou em me fazer entender e insitir. E, felizmente, quem ganhou essa "batalha" foi ela. Só que a vida não é nada justa e quem ganhou o prêmio fui eu.

Ao usar o tal programa a meu favor, a favor de minhas distoantes e dissonantes palavras, senti uma satisfação enorme. Sabe criança que consegue andar de bicicleta a primeira vez? Uma sensação meio louca e contraditória, de repente o medo do desconhecido se foi e você agora só sente o prazer da conquista, o vento no rosto.

Pois é, Melia foi aquela pessoa que segura firme a bicicleta e ainda te incentiva a dar suas próprias pedaladas por aí. Há algo de desprendimento e altruísmo nisso tudo. Será que é isso que os inspirados chamam de amizade?

Não importa o nome, nem o tamanho do gesto, segurar uma bicicleta, baixar um programa, isso te parece muito pequeno, não? Sou assim mesmo, só consigo ver realmente grandeza nos gestos simples, inesperados, espontâneos.

E vc, nem deve se surpreender, não é mesmo? Já avisei que sou absolutamente patética... rs.

Layout e "layin"... rs

| | 4 comentários »
Como vc já deve ter percebido, mudei o layout (mais uma vez) do blog. Não estava muito satisfeita com o outro, assim como não estava com o anterior, nem com o anterior ao anterior... aff...

Já sei o que vc deve estar pensando: "Essa garota nunca está satisfeita com nada !!!"... Bom, vc tem mesmo uma certa razão, a sensação de que as coisas sempre estão inacabadas, em constante mutação (não necessariamente para melhor), é algo recorrente em mim.

Se vc já está procurando sua agenda de telefones pra me indicar um bom terapeuta, calma aí. Essa eterna insatisfação não é algo que me angustia, me deprime, pelo menos, não na maioria das vezes (rs). Acho até que é isso que me impulsiona, faz com que eu esteja sempre "caminhando".

Aliás, essa conversa me fez lembrar de uma frase que li no (interessante) livro no qual ando viajando (entre paradas e recomeços) há uns meses: "Mesmo se estivermos no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos parados no mesmo lugar." (O Mundo é Plano, darei mais detalhes quando acabar de ler)

Mas, voltando ao assunto, essas várias mudanças no layout do blog pode ter sido motivada por outra coisa, minha total, absoluta e vergonhosa ignorância "tecnológica". Daí, a cada conversa, aprendo uma nova ferramenta com meus queridos e generosos amigos. (Será que são mesmo generosos ou estão me ajudando em causa própria? Afinal esse caderninho de anotações é tão deles quanto meu... rs... Não, não... Acredito mesmo no altruísmo deles, até porque tenho uma prova disso a cada visitinha...rs.)

Mas, só pra confirmar que não me contento com a primeira solução, acaba de me ocorrer outro motivo pras mudanças no blog.

As pessoas costumam dizer que temos, em nós, várias facetas. Mas, sem exageros (será mesmo?), tenho a nítida sensação de que eu, mais que vários aspectos, tenho várias pessoas autônomas dentro de mim. Digo isso porque não me sinto lidando com diferentes partes de mim dialogando entre si, como num time formado por vários jogadores. É mais que isso, sinto que meus vários "eus" vão se alternando, como naqueles revezamentos do atletismo, sabe?

Já sei, já sei, agora sim vc está correndo pra pegar o número do analista (até eu agora, ao ler isso, pensei seriamente em comprar uma camisa de força)... rs. Mas não há por que se preocupar, os componentes de um revezamento, entre eventuais trombadas, acabam se entendendo muito bem.

É, queridos, acho que esse é o real (ou seria melhor dizer, atual? rs) motivo.

Um dia escolho um layout e ele me parece "a minha cara", alguns dias depois até reconheço que ele era mesmo a minha cara, mas já não é mais. Lembro o quanto o achei adequado, até o reconheço familiar, mas sinto como se fosse uma roupa que não "cabe" mais em mim, apesar de linda, como um amor que não me faz mais suspirar, apesar de saudoso... aff, só eu mesmo, misturar roupas e amores... rs.

Bom, alegre e vibrante, singelo e delicado, moderno e frio, nostálgico e meio fora de moda... enfim... Cada um dos layouts era sim a minha cara... Está certo, pode ser que nenhum deles seja mesmo a minha cara... Talvez eu olhe no espelho e ainda não consiga ver a minha cara... Talvez eu nem tenha cara... Talvez... rs.

Série Tudo Bem...

| | 6 comentários »
Desenhos e frases de autoria dos alunos de minha querida e observadora amiga.

Foi paixão à primeira vista. Por isso, pedi licença para copiá-los. Espero que vc curta tanto quanto eu.

Não é impressionante a clareza de raciocínio de uma criança?

Enfim, como sou ousada (imprudente, talvez), vou me aventurando a comentar.

Bom, se vc for bem esperto, vai ficar com as frases e imagens das crianças e ignorar minhas idéias vãs... rs.