Por que não fechar a porta de uma vez?

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Algumas pessoas têm a capacidade de me fazer pensar. Nem sei exatamente por que isso acontece. Já parei pra pensar o que elas têm em comum. Se tivesse encontrado, talvez tivesse descoberto o que faz minha cabeça funcionar, e isso seria muito útil. É, eu disse útil, porque, muitas vezes, assim como uma mula empacada, minha cabeça se recusa a rumar pra qualquer lugar que seja, não vai pra trás, muito menos, pra frente.

Mas nem era sobre isso que eu queria escrever, o assunto em questão é a porta.

Ricardo perguntou "por que não deixar a porta fechada de uma vez?" (comentário ao post anterior). Isso me fez pensar na minha relação com portas. Você deve estar achando que eu pirei de vez. Talvez tenha mesmo, então não vou tentar te convencer do contrário... rs.

Nem vou me alongar muito agora, talvez escreva mais sobre isso, talvez em poesia (algumas coisas não cabem nos "limites" da prosa). Mas, por enquanto, ficam aqui minhas impressões parciais.

Tenho uma certa simpatia por portas, elas trazem proteção, aconchego. Acho que as portas são as grandes cúmplices dos amantes, as grandes confidentes dos sentimentos.

Portas trancadas têm algo de definitivo que me traz um certo pesar, embora, muitas vezes, a tranca nem seja por desilusão, esconderijo, solidão. Mas, enfim, é a isso que me remetem portas trancadas.

Portas fechadas me trazem um certo respeito. Não sou o tipo de pessoa que gosta de olhar em frestras, não costumo ter interesse em olhar furtivamente o que há por trás de uma porta. Não por moralismo, educação, boas maneiras. A palavra é respeito mesmo, e uma certa solidariedade. Intimidade, solitária ou compartilhada, é algo que realmente prezo.

Portas abertas me remetem a um certo desespero, assim como gargalhadas desmotivadas, uma pureza excessiva no olhar.

Mas portas entre-abertas realmente são as minhas preferidas, não pelo que escondem, mas pelo que convidam.

Portas entre-abertas permitem a chegada, a partida, o retorno, o começo, o fim, o recomeço... São o poder da escolha, faz com que ir e vir sejam mais sinceros, plenos, efetivos.

Portas entre-abertas podem ser a não certeza, e isso gera insegurança, mas é a possibilidade, e isso gera esperança. E isso, por si só, já é um bom motivo pra não fechar a porta de uma vez.

Bom, disse que não me alongaria muito. Domingo não é meu dia mais "inspirado". Mas o assunto é interessante e sinto que tenho mais a dizer sobre isso, por isso, me despeço, deixando a porta-entreaberta...

P.S.: Obrigada pela imagem, Dani (e desculpe pelo furto). Está vendo como textos tão diferentes podem ser representados pela mesma imagem? Acaba de me vir à cabeça que os textos não são tão diferentes assim. Pessoas... portas... entradas... saídas... pessoas...

9 comentários:

Ricardo disse...

Destaco uma palavra do texto: esperança! Ora, a gente sabe que deixando a porta de casa aberta, qual é a possibilidade de entrar, assim, do nada, um grande amor, com os abraços abertos... sejamos francos? É muito mais provável a entrada de ladrões, malfeitores... É, caro leitor, saia da abstração, não veja metáfora onde não tem... a porta é a da sua casa a está lá aberta... você acha que é mais fácil entrar um ladrão ou a sua alma gêmea, se é que esta existe? Apesar da certeza, é quase intuitivo: sempre é preferível deixar nossa porta aberta do que fechada. Por quê? Não vamos buscar a resposta na razão, por óbvio... ela não está lá. A vida se mantém pela esperança... o dia que só tivermos certeza, não vale mais a pena viver... Eis aí... a resposta da dona desse blog, cheia de brilho como sempre: o que vale a pena é a esperança... o que nos dá esperança? Algo que sentimos sem explicação racional. A vida tem dessas... coisas inexplicáveis. Sentimentos não se explicam, se sentem... e enquanto sentirmos esperança, a porta fica aberta e ainda continuamos nossa vida. O problema, para manter meu estilo sombrio, é que no final da vida podemos perceber que a esperança foi inútil. E a pergunta é inexorável: valeu a pena? O que faz valer a pena quando não há mais tempo para ter esperança?

Blog da Dadá disse...

A Porta
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!


Para você com carinho...de sua amiga observadora.
Te adoro!

Anônimo disse...

Estou entendendo o seu texto sobre "portas"...
Vc entende bem de fechar portas enquanto a pessoa chega ne?rs

só tirando onda...

Mais já que deixou a porta meio aberta hj.. vou aproveitar, pra chegar.

Um abraço

Zun

Melia Azedarach L. disse...

Acabei de vir xeretar e bato de cara com um tema muito bom e que nada remete a simplesmente "trancar" uma porta, simplesmente é um tema que me lembra muitas coisas...
Ando pensativa eu diria, ou digamos que ando perdida em mim mesma.
Quanto a sua poesia anterior, me desculpe por achar que já vi, devo ter tido um deja vu, com toda certeza tive um deja vu e pirei na batatinha no instante e foi no exato instante que eu estava sonhando acorda com você sabe quem, então já sabe, travei bem nesse sentido e a poesia me diz muito(se permite logo a roubo e coloco no meu blog rs).
Eu sei de uma coisa devemos estar inspiradas ultimamente, ou pensativas demais, perdidas em nós mesmas, nadando em um mar de possibilidade infinitas.É uma sensação boa, essa de nadar em si mesmo, saber deixar a porta não trancada, acho que a minha está escancarada para o mundo.

Enfim é isso querida, uma ótima semana, beijos...

La Critique disse...

Nossa.. Mudou o layout de novo?

Ficou bom =D!!

Passei para visitar, confesso: nem li nada, não é desacato à sua autoridade mas é que estou de... FÉRIASS!!!

Estou ótimamente bem e acho que vou até prolongar meu tempo fora do blog sabe... Pior que acho que esse não é o momento exato para isso!

Meo deos!.

Ah... Acho que quando voltar das minhas férias estarei mais relaxado para ir pra sala. Espero ver você por lá hem... Se não me sentirei como Wil Smith (é assim que se escreve?) naquele filme "eu sou a lenda", perdidamente perdido (o pior é que estarei perdido naquela sala, se fosse em N.Y pelo menos... hehe).

Abraços e nãop se esqueça de que meu blog existe.

Melia Azedarach L. disse...

Pensar as vezes é uma tortura e eu gostei do comentário de segunda, mesmo sendo de segunda...rsrs
estou estressada aqui com a telefônica, coisa boba.
Mas logo eu resolvo tudo, ou assim espero...
Grande beijo!
Obs: eu to nadando, só espero não morrer na praia.

Ana Karenina disse...

olá querida!

olhando seu post da porta eu fiquei refletindo sobre: o que é mais importante? o conteúdo da porta ou o estado que ela se encontra (ou o estado em que ela se mostra). sim, saber o que há dentro da porta é igualmente importante pra definir o motivo que faz ela se encancarar, fechar ou ficar entre aberta para os outros. eu nem sei direito se prefiro uma das três opções, só gostaria de continuar com esperanças de que cada porta que se abra ou se feche ou fique entre aberta que seja por algum motivo justo, alguma razão que me faça ver que vale a pena entrar, ver o que tem por trás das portas, das "vidas", das "pessoas" ou simplesmente não entrar e seguir à procura de outras portas que se permitam conhecer. bjs! até breve!

a má estrela disse...

Quando realmente desejo entrar,bato na porta.

Quanto às minhas próprias portas,não espero deixa-las abertas:espero quem me convença a abri-las.

Essa metafora das portas não faz muito meu tipo,creio que as duas frases acima ja me explicaram.
Bjin querida

amelia disse...

Porta...não importa se comporta, mas nos faz imaginar: se entreaberta, quem sabe uma surpresa vinda de alguém de algum lugar? Se fechada, trancada está, nada a esperar, mas se aberta... ah! Perigo! Deixa qualquer um entrar.

Bobagens, Helen, liga não... só mesmo pra não deixar de comentar. Seu layout ficou bem legal e eu não poderia deixá-lo passar em branco, mas... melhor do que isso, é todo dia, de manhã (pelo menos enquanto estou de férias) encontrar com suas palavras. Bom demais!!
Bjs