Uma gaveta, um vazio e um consolo

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Enquanto arrumo a mala pra voltar pra casa, penso em como tudo passa...

Sempre tive a sensação de que a vida é um eterno ir e vir de fatos, momentos, sentimentos, pessoas. Mas, em algumas situações específicas, essa sensação ganha peso, forma e se materializa bem diante dos meus olhos, sem aviso prévio.

É fácil lidar com essa inevitável alternância quando vc sente mesmo que chegou o momento de abrir espaço pro novo, pro desconhecido, pro que ainda está por vir. Mas é frustrante quando a "fila anda" e vc só queria mais um minuto, queria fincar os pés ali e não ir pra frente, muito menos pra trás.

Sabe quando vc arruma uma gaveta? Você encontra o que já foi muito importante, mas não tem mais qualquer serventia; encontra o que nunca foi muito útil e se pergunta por que guardou aquilo por tanto tempo; mas encontra também o que nem o tempo, nem a falta de contato direto foram capazes de tornar menos valioso. E no meio de tantas coisas suas, vc, de repente, encontra algo que não é seu, algo cujo lugar não é ali e sabe que tem que deixá-lo ir, tem que permitir que toda sua potencialidade seja explorada, aproveitada, e percebe que vc, ao menos naquele momento, não pode fazê-lo.

Está certo, minhas metáforas, muitas vezes, parecem mais "meta-fora" (essa é ótima, Melia). O fato é que algumas coisas não têm como ser descritas com clareza mesmo. Mas, por cada palavra escrita, compartilhada, tenho certeza de que vc sabe bem do que estou falando.

3 comentários:

SamuelT disse...

First!

Ok, mobem. Apesar de ser novo, entendo bem o que você quis dizer, ou acho que entendi.
Não tenho nada a acrescentar ao seu texto. Só posso dizer que as coisas são como deveriam ser. Causalidade é uma lei inexorável...

Beijos.

Melia Azedarach L. disse...

Agora que li o texto com atenção, com calma...Antes tentei ler, mas estava dispersa demais.
Só agora notei meu nome ali no finalzinho "meta-fora" hahahaha.
De fato eu sempre tenho esse "dom" de entender suas metáforas, mesmo que ao contrário (hummm, confuso).
Acho que só me senti dentro do texto, vivendo nessa ida e vinda, mas sem nem mesmo sair do lugar, estando aqui continuamente estando aqui e mudando tudo, recomeçando sempre, temendo, vivendo, correndo, espremendo os medos.
Essa ânsia de querer fugir e ao mesmo tempo de querer ficar, fincar raizes, estar aqui e simplesmente não temer a simples rotina.

Por que todo texto teu me faz pensar, nadar em minha mente, mais e mais.
Beijos querida, até tua volta para sei lá onde rsrs.

Bill Falcão disse...

Sim,essas gavetas sempre nos trazem muitas surpresas, sendo que nós mesmos colocamos tudo ali!
Bjooooooooo!!!!!!!!