O que é falar a verdade? Falar com toda a sinceridade de sua alma algo que o outro não quer ou não pode compreender ou maquear os sentimentos de forma a torná-los mais agradáveis àquele que vc estima?
A verdade é o padrão, o coerente, o aceitável, e se vc não seguir tais regras, os seus sentimentos, por mais sinceros e intensos que sejam, valerão menos do que a ausência de sentimentos.
Ame pouco, mas ame do jeito certo. Minta, mas fale do jeito mais fácil de compreender. Parece cruel? E é, cruel e muito triste, assim como é triste a dor de se sentir impotente diante da perda, só pela total incapacidade de encontrar as palavras certas pra expressar aquilo que nem se deveria expressar com palavras.
Acima de tudo, nunca, nunca mesmo sinta-se no direito de dizer que não há verdades absolutas porque isso será entendido como negação. Admitir que vc possa estar enganado não vai soar como compromisso com a liberdade e com a verdade, vai soar como dúvida, e a dúvida como sinal de fraqueza.
Mas se vc acredita que no amor não há verdades absolutas e, por isso mesmo, deve ser vivido na prática, no olho no olho, se vc não consegue encontrar as palavras certas pra agradar a quem ama, nesse caso meu amigo, sinto te informar, mas é melhor se fortalecer porque vc vai perder, vai sofrer e, um dia, provavelmente, vai desistir.
Crescendo...
Hoje estava vendo TV, exatamente VENDO, já que não estava sequer ouvindo o que diziam (desconfio que não perdi nada muito interessante). Pois bem, eu estava olhando para a televisão e deixando meus pensamentos vagarem sem direção específica, indo de lá pra cá, só pela prazerosa sensação de liberdade, de total falta de compromisso e comprometimento com qualquer outro que não com sua própria vontade - digo "própria vontade" porque, nessas situações, eles (meus pensamentos) ganham vida e vontade independentes da pobre mortal (de carne e osso) onde eles (nem sempre) habitam.
Sim, mas voltando ao assunto, estava lá, olhar inerte e "cabeça" a mil, quando me veio uma constatação: minhas últimas decisões e atitudes vêm sendo pautadas pela vontade (ou talvez necessidade) de voltar às origens... Quando falo de "origens", não me refiro à procedência, à ascendência, não trato de lugar ou de pessoas. Estou falando em ponto de partida, em estágio primitivo, estágio inicial.
Pois é, passei anos da minha vida contruindo a mim mesma, vi coisas, aprendi e apreendi outras tantas, explorei lugares, pessoas, situações. Tudo isso foi sendo agregado a quem eu era, a essência de mim mesma, resultando em um ser digamos "social". Sei que esse processo é mais do que natural, foi essencial ao meu crescimento e responsável pela maioria das "glórias e louros" que vim conquistando nesse palco iluminado (às vezes, nem tanto) que a gente costuma chamar de vida.
Só que o momento agora é de substituição paulatina de prioridades. Um momento em que as brutais insegurança e necessidade de aceitação vêm dando lugar a uma cada vez maior necessidade de satisfação pessoal, de suprimento das minhas próprias expectativas individuais. E, como qualquer outra substituição, esta também requer algumas adaptações e adequações nos métodos, nas formas, nas ações.
Enfim, já que agora a prioridade é satisfazer a mim mesma, preciso conhecer (ou reconhecer) meu público alvo (adorei isso... rs), não a pessoa "construída", exterior, mas aquela que realmente "mora" dentro de mim. Bom, a melhor forma pra isso é resgatar, na medida do possível, a face que há por trás das inúmeras máscaras, o corpo que há por trás dos escudos, a imagem por trás das camadas de pó.
Isso não quer dizer negar o que foi realizado ou destruir o que foi construído, muito pelo contrário, é talvez a única forma de dar base de sustentação e legitimidade, de possibilitar que tudo isso sobreviva às intempéries, aos bombardeios, impedir que tudo desmorone mais adiante.
Portanto, não estou declarando guerra às convenções sociais, muito menos às transformações pelas quais passei nesses últimos anos. Não vou voltar à ingenuidade infantil, nem aos conflitos adolescentes, o que busco é a essência que, aos poucos, foi sendo tão bem guardada e protegida que se perdeu.
E quer saber de uma coisa? Esse processo não é um retrocesso, não significa voltar a morar no passado, muito pelo contrário, é a minha forma de deixar de ser empurrada na direção "certa" (conveniente), e passar a caminhar com os meus próprios pés.
E se eu errar a direção? Eu paro, reavalio tudo, mudo de rumo e TENTO OUTRA VEZ....
Sim, mas voltando ao assunto, estava lá, olhar inerte e "cabeça" a mil, quando me veio uma constatação: minhas últimas decisões e atitudes vêm sendo pautadas pela vontade (ou talvez necessidade) de voltar às origens... Quando falo de "origens", não me refiro à procedência, à ascendência, não trato de lugar ou de pessoas. Estou falando em ponto de partida, em estágio primitivo, estágio inicial.
Pois é, passei anos da minha vida contruindo a mim mesma, vi coisas, aprendi e apreendi outras tantas, explorei lugares, pessoas, situações. Tudo isso foi sendo agregado a quem eu era, a essência de mim mesma, resultando em um ser digamos "social". Sei que esse processo é mais do que natural, foi essencial ao meu crescimento e responsável pela maioria das "glórias e louros" que vim conquistando nesse palco iluminado (às vezes, nem tanto) que a gente costuma chamar de vida.
Só que o momento agora é de substituição paulatina de prioridades. Um momento em que as brutais insegurança e necessidade de aceitação vêm dando lugar a uma cada vez maior necessidade de satisfação pessoal, de suprimento das minhas próprias expectativas individuais. E, como qualquer outra substituição, esta também requer algumas adaptações e adequações nos métodos, nas formas, nas ações.
Enfim, já que agora a prioridade é satisfazer a mim mesma, preciso conhecer (ou reconhecer) meu público alvo (adorei isso... rs), não a pessoa "construída", exterior, mas aquela que realmente "mora" dentro de mim. Bom, a melhor forma pra isso é resgatar, na medida do possível, a face que há por trás das inúmeras máscaras, o corpo que há por trás dos escudos, a imagem por trás das camadas de pó.
Isso não quer dizer negar o que foi realizado ou destruir o que foi construído, muito pelo contrário, é talvez a única forma de dar base de sustentação e legitimidade, de possibilitar que tudo isso sobreviva às intempéries, aos bombardeios, impedir que tudo desmorone mais adiante.
Portanto, não estou declarando guerra às convenções sociais, muito menos às transformações pelas quais passei nesses últimos anos. Não vou voltar à ingenuidade infantil, nem aos conflitos adolescentes, o que busco é a essência que, aos poucos, foi sendo tão bem guardada e protegida que se perdeu.
E quer saber de uma coisa? Esse processo não é um retrocesso, não significa voltar a morar no passado, muito pelo contrário, é a minha forma de deixar de ser empurrada na direção "certa" (conveniente), e passar a caminhar com os meus próprios pés.
E se eu errar a direção? Eu paro, reavalio tudo, mudo de rumo e TENTO OUTRA VEZ....
Este eu queria ter escrito...
"Minha Vida
Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso do amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase - êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, porque abranda a solidão - aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procurei-o, finalmente, porque na união do amor vi, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida humana, foi o que encontrei.
Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender a força pitagórica pela qual o número se mantém acima do fluxo. Um pouco disso, não muito, encontrei.
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos - odiosa carga para seus filhos - e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida."
Bertrand Russell
Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram minha vida: o desejo imenso do amor, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como os fortes ventos, levaram-me de um lado para outro, em caminhos caprichosos, para além de um profundo oceano de angústias, chegando à beira do verdadeiro desespero.
Primeiro busquei o amor, que traz o êxtase - êxtase tão grande que sacrificaria o resto de minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Procurei-o, também, porque abranda a solidão - aquela terrível solidão em que uma consciência horrorizada observa, da margem do mundo, o insondável e frio abismo sem vida. Procurei-o, finalmente, porque na união do amor vi, em mística miniatura, a visão prefigurada do paraíso que santos e poetas imaginaram. Isso foi o que procurei e, embora pudesse parecer bom demais para a vida humana, foi o que encontrei.
Com igual paixão busquei o conhecimento. Desejei compreender os corações dos homens. Desejei saber por que as estrelas brilham. E tentei apreender a força pitagórica pela qual o número se mantém acima do fluxo. Um pouco disso, não muito, encontrei.
Amor e conhecimento, até onde foram possíveis, conduziram-me aos caminhos do paraíso. Mas a compaixão sempre me trouxe de volta à Terra. Ecos de gritos de dor reverberam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desprotegidos - odiosa carga para seus filhos - e o mundo inteiro de solidão, pobreza e dor transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser. Anseio ardentemente aliviar o mal, mas não posso, e também sofro.
Isso foi a minha vida. Achei-a digna de ser vivida e vivê-la-ia de novo com a maior alegria se a oportunidade me fosse oferecida."
Bertrand Russell
Solidão que nada...
Hoje, em uma conversa no msn com um amigo, escrevi uma frase que, como de costume, saiu como um espirro, de forma inconsciente e incontrolável. Disse que eu era uma pessoa muito centrada em mim mesma, mas que estava descobrindo que estar sozinha só é indolor quando é uma opção. Ao ler o que eu mesma tinha escrito, algo em mim se surpreendeu, tentou negar, mas acabou se convencendo de que é verdade, não sou tão auto-suficiente quanto imaginei.
É bem verdade que gosto (amo) de ficar sozinha, lendo meus livros, ouvindo música, pensando e repensando. Nesses momentos, não me sinto só, pois estou desfrutando da companhia dos sentimentos e pensamentos de pessoas que preferiram se comunicar comigo (e com o resto do mundo) através da arte. Nessas horas também estou acompanhada por mim mesma e pelas minhas próprias impressãoes em relação a esses livros e músicas.
Acontece que chega o momento em que é preciso contato físico, e não estou falando só da relação homem-mulher. Conversar com um amigo olhando seu sorriso de afeto, ter uma briga séria podendo sentir no ar toda a animosidade, ironia, sarcasmo ou até cinismo, nada disso pode ser eternamente substituído por uma troca de e-mails ou conversa pelo telefone ou msn.
A minha geração não nasceu enviando sms e viajando pelas ondas virtuais, freqüentávamos as casas das amigas, namorávamos no portão, escrevíamos em papéis de carta. Mas tudo isso nos alcançou na fase adulta e estamos cada vez mais adaptados às "modernidades".
Só que há os marginais, os rebeldes como eu, nós sentimos falta do contato, do olho no olho, do abraço... Sentimos falta de falar e até gritar se for preciso, de conversar e brigar de vez em quando...
Mas, infelizmente, somos adultos, e os compromissos, a distância, a correria, a responsabilidade, todas essas coisas que deveriam ser só meios, acabam ganhando mais importância em nosso dia-a-dia do que o que, em princípio, era a finalidade maior... SER FELIZ!!!
Por sorte, os amigos estão longe, mas existem e, já que não sou besta e não posso (nem quero) barrar todos esses inventos tecnológicos, muito menos largar todos os compromissos e curtir a vida, uso o celular, msn, e-mail e todo o resto pra não perder "de vista" (vou fingir que não notei a contradição) as pessoas queridas, e até as não tão queridas assim.
É bem verdade que gosto (amo) de ficar sozinha, lendo meus livros, ouvindo música, pensando e repensando. Nesses momentos, não me sinto só, pois estou desfrutando da companhia dos sentimentos e pensamentos de pessoas que preferiram se comunicar comigo (e com o resto do mundo) através da arte. Nessas horas também estou acompanhada por mim mesma e pelas minhas próprias impressãoes em relação a esses livros e músicas.
Acontece que chega o momento em que é preciso contato físico, e não estou falando só da relação homem-mulher. Conversar com um amigo olhando seu sorriso de afeto, ter uma briga séria podendo sentir no ar toda a animosidade, ironia, sarcasmo ou até cinismo, nada disso pode ser eternamente substituído por uma troca de e-mails ou conversa pelo telefone ou msn.
A minha geração não nasceu enviando sms e viajando pelas ondas virtuais, freqüentávamos as casas das amigas, namorávamos no portão, escrevíamos em papéis de carta. Mas tudo isso nos alcançou na fase adulta e estamos cada vez mais adaptados às "modernidades".
Só que há os marginais, os rebeldes como eu, nós sentimos falta do contato, do olho no olho, do abraço... Sentimos falta de falar e até gritar se for preciso, de conversar e brigar de vez em quando...
Mas, infelizmente, somos adultos, e os compromissos, a distância, a correria, a responsabilidade, todas essas coisas que deveriam ser só meios, acabam ganhando mais importância em nosso dia-a-dia do que o que, em princípio, era a finalidade maior... SER FELIZ!!!
Por sorte, os amigos estão longe, mas existem e, já que não sou besta e não posso (nem quero) barrar todos esses inventos tecnológicos, muito menos largar todos os compromissos e curtir a vida, uso o celular, msn, e-mail e todo o resto pra não perder "de vista" (vou fingir que não notei a contradição) as pessoas queridas, e até as não tão queridas assim.
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