O fim é o início do amor

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Ela chegou como quem estava de volta à casa. Seus passos seguros, seus gestos tranquilos. Nenhum sinal de receio ou insegurança. Ela decididamente sabia o que estava fazendo. Só havia algum sinal de agitação em seu olhar. Olhar que ardia, que desejava, que exigia. Ela não disse uma palavra sequer. Naquela situação, qualquer palavra seria um fardo a ser carregado por algum dos dois, talvez por ambos. Ambos sabiam o que queriam, era o bastante.

Lançaram-se nos braços um do outro e em um segundo já não se distinguia mais dois corpos. Eles eram um só. Boca, coxas, ventre, sexo. Sexo. Naquele momento, duas pessoas encontraram-se. Não houve limite, não houve restrições, não houve cansaço. Percorreram, exploraram e se apropriaram do corpo um do outro. Ele penetrou fundo naquela mulher que estava ali, entregue, quase submissa. E na hora seguinte viu a presa domesticada virar fera e tomar às unhas o que considerava seu. Gozaram um ao outro, o chão, o ar. Gozaram a vida. Uma, duas, incontáveis vezes. Até que exaustos, permaneceram ainda em silêncio, observando as matizes de cores criadas pelos primeiros raios de sol que entravam pelas frestas da janela. O silêncio permaneceu selando aquele encontro por mais muitos minutos. Até que foi repentinamente quebrado.

- Eu preciso te dizer uma coisa.

- Você tem uma doença incurável, está de mudança pra Europa, vai casar amanhã?

- Eu estou morrendo de sede.

Ele deu uma boa gargalhada, como há muito tempo não fazia. De repente, sentiu uma necessidade incontrolável de afundar seu rosto naqueles cabelos que pintavam de castanho o travesseiro branco. Enquanto escorregava o corpo pra mais perto dela, uma certeza invadiu-lhe a cabeça, o corpo, a alma. Ele ainda queria saber tudo, mas não precisava saber mais nada. Já amava aquela mulher.

9 comentários:

Anônimo disse...

...de voce nao sei nada mesmo!

Kari disse...

Bom demais!!!!
Talvez não fosse preciso conhecer tudo tão rápido...
Conhecer aos poucos dá uma expectativa, uma ansiedade gostosa...

Amei, viu?

Beijão

Candy disse...

E quem disse que nao da pra ir conhecendo aos poucos?
(alias, como disse aqui kari).

af!
quero isso tb!
hehehe

*que bom que voltou! :D

:***

Kaká Bullon disse...

mas é um encontro raro... prq as pessoas costumam querer botar em prática as "fórmulas" adquiridas com o tempo e todos os itens da lista de "como fazer um amor dar certo"... aí a magia acaba, ou nem mesmo começa.. ou não é como essa aí... se torna cotidiana...hunf

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Danielle,

Não precisa saber de muita coisa, quando o coração é sabido por natureza. Seus textos são fortes, lindos e cheios de você.

Sobre o plágio, fui no post atual, sim. Deixei lá minha revolta e indignação. Não sei o que leva uma pessoa a fazer esse tipo de coisa, mas ainda bem que fui avisada por alguém que só deixou o nome de Marília. Não deixou nada, apenas o link... pois é, ainda bem, ne?

Adoro sua presença,sabia?

Beijo imenso, menina linda.

Que sua semana seja de luz!

Rebeca

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Fabricante de Sonhos disse...

Ual!
Lindo o texto!
Linda a entrega dos personagens...
Esse é um daqueles textos que dá vontade, dá curiosidade de saber quem são essas pessoas, de onde elas vêm e o que será depois!

Amei!

Ficou um gostinho de quero mais!
Muito lindo!

Tenha uma ótima semana!

Beijos

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Você me emocionou com seu comentário. É tão bom quando menos esperamos alguém chega com palavras que comovem nossa alma. Agitar o espírito é sacolejar a vida... e foi isso que senti quando li suas palavras fortes e emocionadas. Obrigada por ver em mim alguém digna de ser espelhada. Nem todo mundo abre o coração na hora incerta... e são nesses momentos que mais precisamos escancarar o amor.

Você é linda, Danielle!

Beijo imenso.

Rebeca

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Bill Falcão disse...

Realmente, ele não precisava saber mais nada. O principal, o tudo, ele já sabia. E ela também foi tão decidida, né? O fim pode ser o início.
Dia 7 está chegando e eu te desejo toda a sorte do mundo! Para as duas!
Bjooooooooo!!!!!!!!!!!!!!

Kaká Bullon disse...

Olá, flor! Obrigada pelo comentário fofo. Sabe que também tenho disso e não me sinto na obrigação de comentar nada se não me tocar mas também não comentar qualquer coisa pra apenas "constar". Só o que realmente pede pra ser dito e suas palavras e delicadezas por aqui me afloram pensamentos. Tenho gostado bastante! Sinta-se sempre em casa! Obrigada pelos elogios e quanto a foto considere "gentilmente cedida".

Bjins