O que será?

| | 14 comentários »


Não é solidão. Há uma multidão que fala, toca, doa. Não é silêncio. Há o som do mundo que brinca de ciranda em seu ritmo cadenciado. Não é frio. Há o calor de braços que acobertam o corpo. Não é destempero. Há a calmaria que sucede raios que se apagaram e espera trovões que estão por gritar. Não é tristeza. Há o sorriso que se lança adiante abrindo passagem pra o que está a caminho.

Há um vazio enorme que me consome o ventre e pressiona o peito... É fome !!!

Cada uma com sua máscara

| | 13 comentários »


- De onde você vem com essa roupa ridícula?

- Como assim de onde eu venho? Helloooooo... Hoje é quarta-feira de cinzas. Estava curtindo os últimos minutos de carnaval, como qualquer pessoa normal.

- Pessoa normal não senhora. Pessoas normais não ficam pulando feito macacos, pintadas feito palhaços, rindo feito tolos, enquanto acontece tanta desgraça nesse mundo.

- Eu havia esquecido. Pessoas normais acordam às 6 da manhã em plena quarta-feira de cinzas, com um humor super apurado, e vão... Pra onde você está indo mesmo?

- Trabalhar.

- Mas hoje é feriado. A empresa está fechada.

- Vou por em dia umas coisas que estão atrasadas.

- Pois é. É justamente isso que fazem pessoas normais.

- O que você está querendo dizer com isso.

- Nada. Não ligue pro que estou dizendo. Afinal, sou só uma idiota que, mesmo sem dinheiro, cheia de contas pra pagar e sabendo de toda miséria que assola esse país, ainda se dá ao luxo de pintar o rosto, rir, brincar.

- É isso. Você brinca de ser feliz por 4 dias mesmo sabendo que vai passar todos os outros dias do ano levando essa mesma vida dura. Quanta alienação.

- E você? Vai deixar pra ser feliz quando? Quando for possível ser feliz o ano todo?

- Talvez.

- E depois a alienada sou eu.

- Não me enche. Vai lavar essa cara. Pare de se esconder atrás dessa pintura ridícula. - E ela disse isso enquanto acabava de se maquear pra esconder os sinais que o tempo e a amargura já tinham deixado em seu rosto. Lançou um último olhar de despreza pra amiga, que ainda sorria, colocou os enormes óculos escuros que lhe cobriam quase todo o rosto, abriu a porta e saiu.

P.S.: Post nascido de uma das muitas viagens que a andarilha, generosamente, me deixou acompanhar. Obrigada, Paula.

Você pode?

| | 11 comentários »


Eu posso rasgar a capa que me cobre o peito
Mas você sobreviverá sem sua armadura?

Eu posso deixar que mergulhe no abismo que é meu leito
Mas você aprenderá a voar antes de chegar ao chão?

Eu posso desatar todos os nós, largar as rédeas
Mas você terá fôlego pra me acompanhar?

Eu posso entreabrir a boca
Mas você ainda pode fechar os olhos?

Você está pensando o quanto sou torpe
Que nada faço ou ofereço sem ganhar algo em troca
Você tem razão
Meu amor não é sagrado
É secular escambo
Olho por olho
Tem que pagar pra ver
Jogar as cartas na mesa
Correr os riscos

Eis sua chance
Acalme seu coração
Diga a ele que eu não posso
Que sou uma grande covarde
E vá em paz
Sem pensar nos seus próprios medos
Sem lembrar do que você não pôde

Ser e não ser devorada

| | 12 comentários »
Sabe o bom e velho "decifra-me ou te devoro"?

Pois bem, acho mesmo que nós vivemos sendo devorados por... nós mesmos !!! Confesso que, em muitas situações, é uma sensação bem incômoda, tipo "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Mas o grande lance disso é que, sem conseguir decifrar a nós mesmos, somos devorados, digeridos e renascemos da merda... ops, das cinzas... rs... rs...

É isso, acho mesmo que somos a reinvenção de nós mesmos. Passamos uma parte de nosso tempo pensando em quem, na verdade, somos. Perguntamos, nos questionamos. Às vezes a resposta vem e ficamos satisfeitos (por enquanto), às vezes vem e não nos satisfaz, muitas vezes ela (a resposta) simplesmente nos larga feito bobos esperando no ponto do ônibus. Dá vontade de gritar: "Pára que eu quero subir !!!"

Mas nunca temos certeza de nossas certezas e ficamos assim perdidos entre o que nós achamos que somos, o que os outros acham que somos, e nossas dúvidas de identidade. Angustiante? Claro que não. Produtivo, instigante, vital.

Como conheço minha forte propensão para filosofia barata, viagens a Terra do Nunca e afins, apesar de achar essas reflexões muito proveitosas, tenho ficado cada vez mais atenta pra não esquecer de que há um mundo dentro de mim, mas há diversos mundos do lado de fora. Mundos em que tudo que eu guardo só "existe" se for o conteúdo de atos, mundos que devo e quero explorar. Portanto, ser é ótimo, mas é preciso fazer, agir... VIVER.

P.S.: Segundo post seguido sobre questões existenciais. Prometo que acaba aqui a série "Ser ou não ser? Eis a questão"... rs... Mas, dessa vez, a culpa é toda da Candy que me fez viajar nos escritos dela. É isso, um comentário que virou post. Sorte a minha que tenho amigos tão inspirados... rs.

Pensamentos existenciais

| | 11 comentários »
"Penso logo existo."
Talvez devesse dizer:
Penso que existo.
Não seria tudo isso
uma grande ilusão?
Quer saber?
Melhor não pensar mais nisso.
Apenas continuar existindo.
Ou não.