Suspiro

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Ando precisando escrever. Pés na cadência serena que mãos nunca vão experimentar. Parar é impossível. O corpo precisa de pão. E o pão não cai do céu. Então o homem tem que prosseguir. E essa indisponibilidade traz uma espécie de paz. É a falta de opção, a necessidade física chegando pra simplificar tudo. Já a alma. "Quem tem alma não tem calma." Escreveu alguém tão atormentado (e mais inspirado) que eu. Escrever não é uma necessidade do corpo, portanto não é vital. É uma escolha, um passa-tempo, um luxo. Mas como? Se é a escrita que me nutre, mata minha sede. Se pelas linhas escritas procrio e dou vida a meus rebentos. Ganho a posteridade. A eternidade tão finita quanto uma folha de papel, quanto a verdade das palavras grafadas. Escrevendo existo, insisto, resisto. É isto. Mas é mais. E menos. Menos paz. Os pensamentos continuam correndo, as mãos permanecem inertes, o coração comprimido num peito tantas e tantas vezes vilipendiado. E os pés apenas respondem a estímulos simples. Prosseguem sem questionar pra onde e por qual motivo. Mesmo os meus. Membros irmãos de outros tão "superiores". Superiores e inertes. Parados, esperando uma razão que traga algum sentido. Norte. Direção. Caminho. Caminhada. Ando precisando escrever.

3 comentários:

tossan disse...

Então ta combinado Dani, você põem o teu talento no blog e a gente lê. Genial! Beijo

uma louca pela vida... disse...

Brigadinha pela visita...
escreva sempre que sempre visito o seu blog!

uma louca pela vida... disse...

Brigadinha pela visita...
escreva sempre que sempre visito o seu blog!