Morta de medo

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- Você é terrivelmente incômodo.

- Por quê? Por que te chamo de princesinha? Ou por que digo que sou apaixonado por sua boquinha?

- Não. Quando você diz essas coisas é só patético, e patéticos não são incômodos, são até confortavelmente comuns.

- Então por que te incomodo tanto?

- Porque você renova em mim a esperança nos seres humanos.

- Eu? Você é mais maluca do que eu pensava. Posso ser qualquer coisa, menos um modelo de dignidade, honestidade, honradez.

- Eu disse que você renova minha esperança nos seres humanos, não que me lembra homenagens póstumas. Não estou falando do manto de perfeição com o qual só a morte (ou a distância) pode nos cobrir. Falo de vida, de estar vivo, sangue correndo nas veias, alimentando membros, coração, cérebro.

- E isso te incomoda? Ter esperança é tão ruim assim?

- Acreditar sempre tem uma boa dose de apreensão.

- Assim como viver.

- Assim como viver.

- Medo da frustração?

- Medo da morte.

- Deixar de viver?

- Deixar de acreditar.

20 comentários:

tossan disse...

Medo de que? Eu vou deixar a vida me levar e não importa o jeito de falar, mas princesinha é demais...rsrsrsr..
Só você mesmo Dani para dialogar desta forma brilhantemente falar da vida e acreditar. Beijo moça

Mai disse...

Morrer de medo de deixar de acreditar. E desacreditar é terrivelmente incômodo.

grande abraço, Dani.

[e tb sinto saudades, e sim, a fome é laica e a desigualdade é perversa.]

Kari disse...

Ás vezes eu acho que a esperança é um dos piores sentimentos que podemos ter. Porque nos faz feliz (momentaneamente) por tê-la, mas, quando percebemos que não adiantou, a dor é enorme. Quer dizer... Apesar de tudo, a gente não vive sem ela. E o medinho sempre existe. Mas só não pode nos impedir de nada.

Estou de volta.
Beijos

Aníssima Duarte* disse...

Eu tenho medo também, medo de me tornar des-humana.
Maravilhosa reflexão!!
Estou em www.anaconfabulando.blogspot.com
visite-me e confira as novidades!Abração.

Herberth disse...

Oi mudei de endereço da uma visita bjs!!! http://herberthreis.webnode.com.br/blog/

Herberth disse...

Temos medo de tudo que é novo, bom Domingo...

Herberth disse...

Viva a copa do mundo...

Mai disse...

Ando morta de medo que não escrevas mais.

saudades.

beijos

Aníssima Duarte* disse...

Desacreditar de fato é incômodo! E esta sábia constatação na contemporãneidade se tornou rara...Que pena!
Feliz postagem!
Beijo grande Dani!
Visite: www.anaconfabulando.blogspot.com

tossan® disse...

feliz natal!
amor,
paz,
saúde,
amizade...Beijo

PS: Respeitável Público está a direita no klic.

C@urosa disse...

F E L I Z

N A T A L

Muita paz, harmonia e felicidade urgente para todos as amigas e amigos de todas as horas. Que Jesus seja o nosso exemplo e o nosso guia em todos os momentos de nossas vidas.


FORTE ABRAÇO


C@UROSA

tossan® disse...

O importante é que a nossa emoção sobreviva neste Ano Novo que se aproxima. Beijo

Ana Clara Otoni disse...

Logo quando o vi o título do texto pensei que fosse uma referência ao Soneto, do Chico (sempre ele).
"De que romance antigo me roubas.....te?
Com que raio de luz me iluminas.....te
Quando eu estava bem morta de medo?"

Mário Liz disse...

acreditar é como emprestar seu sangue...

até onde me conta, o sangue é o o vermelho mais importante da vida humana ... então há isso de ser mais que uma simples chance ao acaso ... acreditar é emprestar o sangue, dividir a vida, trocar saliva e preparar a pele para as feridas certeiras.

feliz de quem crê depois de uma descrença.


PS: QUE SAUDADE EU TAVA DO SEU BLOG

Paula Barros disse...

Eu não tinha lido este, eu não venho aqui a tanto tempo, mas hoje lembrei de passar aqui, senti saudades, estás bem?

Interessante os medos, a esperança, o acreditar, sempre os medos a nos questionar, o próximo passo, o viver.

Se por um lado é bom, é prudente, por outro nos paralisa.

beijo

tossan® disse...

Cadê vc minha flor? Aparece pra dizer olá. Bj

Paula Barros disse...

Oi, cadê você? Estás bem? abraço

Tiago Med disse...

Volte a escrever.... por favor!

Saudade de te ler, li tanto e nunca lhe comentei nada, não sei o que estava evitando, desculpe!
um bjo

Ana Clara Otoni disse...

Eu tenho medo sim de ter esperança. Talvez nem seja medo, mas é uma angústia saber que se acredito em algo no qual outrora eu era descrente, significa que estou dando a cara pra bater mais uma vez.

C@urosa disse...

Um feliz natal com muita paz e harmonia.

"Num meio dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra,
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe."

fernando pessoa

forte abraço

C@urosa