Dois amantes

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A alma,
a minha alma,
em alguns momentos,
em muitos momentos,
quer,
precisa,
clama por paz.

E não há jeito,
não há como se ter paz a dois,
a três,
a mil por hora.

A paz da alma,
sem reticência,
vírgula ou senão,
requer vazio,
ausência,
imensidão.

Mas, o corpo,
o meu corpo
quer,
sempre quer
presença,
posse,
exploração.

Como podem assim conviver
alma liberta, corpo possuído?
Como podem os dois,
sendo eu,
serem tão antagonicamente diversos?

Como pode minha alma,
libertária, libertina
entender que o meu corpo,
despudorado, vagabundo,
não se dói, nem se ressente,
de ser objeto,
coisa do outro,
coisa do mundo?

O corpo quer prazer sim,
mas a dois,
a nós,
amarrados,
confusos,
confiscados daquilo que a alma,
de tão tola,
acreditou que teria pra sempre
e nem sente
que já não tem mais.



5 comentários:

Sueli Maia (Mai) disse...

"E não há jeito,
não há como se ter paz a dois,
a três,
a mil por hora."
É esta a peleja da vida, Dani. Estamos divididos; talvez fodidos em meio a tudo isto que a condição humana nos impõe.
Poesia feita com pés no chão.
Gostei muito; mas principalmente de voltar a ler suas coisas.
Bjos.
Fica bem.

:.tossan© disse...

Belíssimo texto. Um lamento profundo que vem de dentro. Fico feliz em te ler. Beijo

Kaká Bullon disse...

Saudade define!

Que bom te ler. Pensar através das tuas palavras e rir de canto com o tanto que concordo com tudo isso.

Dualidades. Somos infinitamente feitos disso. Que bom, não?

Anônimo disse...

Sou um antigo amigo de madrugadas...
... Vim te visitar e deixar um oi...
Nossos diálogos de um sincronismo único. Ímpares que vez ou outra se tornava pares...

Estou com saudades e fiquei feliz de ver que está bem.

Estou aqui... Por perto.

Beijos... Ma...