"Amanhã volto pra casa." Essa frase quando veio a minha cabeça me soou muito estranha porque me lembro que quando iniciei essa viagem, disse que estava indo pra casa. Então, onde será minha casa? Onde nasci e vivi até bem pouco tempo ou onde estou morando agora? Creio que, na última postagem, respondi a essa pergunta concluindo que minha casa agora é lá. Mas, após pensar um pouco sobre o assunto, chego à conclusão de que minha casa é aqui e é lá também, minha casa é qualquer lugar do mundo porque o meu verdadeiro lar sou eu mesma. É sério. Sou uma pessoa que se relaciona com o mundo externo com muito prazer, gosto de pessoas, gosto de viver e conviver, mas resido dentro de mim mesma. Como tudo na vida, ser assim tem seu lado bom (uma grande facilidade de deixar coisas e pessoas pra trás sem muita dor), mas tem seu preço e o custo, às vezes, é extremamente alto.
Mas, voltando ao assunto, a viagem chegou ao fim. Levo comigo doces lembranças, algumas decepções, mas, acima de tudo, grandes revelações. Algumas me trouxeram um certo pesar, mas a maior parte delas me deixou feliz com as decisões tomadas no passado.
Enfim, tenho que ir e me sinto pronta pra isso. Lamento por ir pra tão longe da minha família e amigos, mas me sinto feliz quando penso que a partida daqui representa uma chegada lá e um reencontro pelo qual já venho esperando ansiosa.
Música do dia: "Encontros e despedidas" na voz de Maria Rita... "Chegar e partir são dois lados da mesma viagem..."
Diário de bordo: Balanço de viagem...
Faltam poucos dias pra voltar à vida real. Hora de organizar a bagagem, e não estou falando de coisas materiais. Decidir o que fica por aqui, o que levo comigo, tomar cuidado com o excesso de bagagem, ele tem um preço e, muitas vezes, esse preço é alto. Há pessoas e situações que não caberiam na minha vida atual, por isso tenho que deixar aqui. Outras foram resgatadas, descobri que o vínculo nunca se desfez, e as levarei comigo. O interessante é que ME levarei de volta, me reencontrei, com todas as minhas qualidades e defeitos, meus conflitos e questionamentos. Lembrei o quanto posso ser forte e impetuosa, mas também o quanto preciso de freios, de ter um porto seguro que me faça ter vontade de voltar pra casa depois de navegar além do horizonte. Aliás, por falar em casa, descobri também que minha casa agora não é mais aqui, minha casa, minha vida, meu lugar agora é no mundo que escolhi pra mim. E quer saber? Isso não me deixa nem um pouco angustiada. As pessoas aqui podem até ter me visto pequena, conhecido a minha essência, mas, pra conviver em paz, não há que se conhecer a essência de alguém, é muito mais importante saber como aquela pessoa se porta diante das alegrias e pressões externas, como ela funciona, seus gostos e desgostos... Enfim, pode até ser que eventualmente eu tenha que voltar aqui pra reencontrar pessoas, situações, eu mesma, mas, passado um tempo, é lá, perto das pessoas que eu escolhi e das coisas que eu construí, que me sinto segura e realizada.
P.S.: A música do dia é "Fogo", Capital Inicial... saudade de quem pode até não ter me visto crescer, pode até não conhecer todos os meus motivos, minhas raízes, mas me percebe como sou agora e me faz feliz sem nem fazer força pra isso.
P.S.: A música do dia é "Fogo", Capital Inicial... saudade de quem pode até não ter me visto crescer, pode até não conhecer todos os meus motivos, minhas raízes, mas me percebe como sou agora e me faz feliz sem nem fazer força pra isso.
Música do dia
Estava ouvindo música (fazia muito tempo que eu não me dava ao luxo de passar tanto tempo ouvindo música) e fiquei pensando no quanto uma música pode expressar o que está se passando dentro de nós. Por esse motivo, pelo menos, até o fim das férias (nunca sei como serão meus dias quando estou trabalhando), escolherei a música do dia, aquela que tem algo a dizer sobre mim naquele momento. E, pra começar:
"As cartas que eu não mando", na voz de Leoni...
Depois de tempos guardadas, as cartas estão sendo todas (ou quase todas) entregues aos seus respectivos destinatários. Às vezes, é preciso esvaziar os armários, até para poder enchê-los denovo... rs.
"As cartas que eu não mando", na voz de Leoni...
Depois de tempos guardadas, as cartas estão sendo todas (ou quase todas) entregues aos seus respectivos destinatários. Às vezes, é preciso esvaziar os armários, até para poder enchê-los denovo... rs.
Voltando ao jogo
Voltar pra casa depois de um período longe é uma experiência incrível. Tudo parece estranhamente novo e antigo ao mesmo tempo. Apesar de, à primeira vista, tudo parecer muito diferente. Apesar da sensação inicial de desconforto e desamparo por me sentir forasteira no lugar em que nasci e estranha às pessoas que me rodearam por boa parte da vida. Passado bem pouco tempo, fica muito claro que as pessoas, assim como os lugares, ganharam alguns sinais do tempo, uns positivos, outros nem tanto, mas, no fundo, são as mesmas. E o mais incrível ainda continuam olhando pra mim da mesma forma, com os mesmos olhos que me viram criança... Criança... Será que eles estão certos? Será que ainda há mais daquela menina em mim do que eu poderia supor? Será que o que me difere da criança que fui é só uma camada (bem grossa por sinal) de poeira que o tempo deixou? Quantas perguntas... Sempre me senti muito incomodada com perguntas sobre mim, meus sentimentos, mas, dessa vez, é diferente, tenho sentido uma estranha paz em me sentir cercada de perguntas (talvez seja porque agora minha inquisidora seja eu mesma) e tenho me percebido ávida por todas as respostas... Aliás essa sensação pode já ser uma resposta àquela pergunta inicial. Afinal, não são as crianças que adoram fazer o jogo de perguntas e respostas?
Diário de bordo: e a viagem continua...
Fazer uma viagem dentro de mim mesma não é muito confortável. Claro que há belas paisagens, dias de sol. Mas, há lugares escuros, outros cheios de buracos e as curvas, há tantas e tão sinuosas que chego a ficar tonta. Conforme já disse na última postagem, não é sempre que consigo entender o que o outro quer ou pensa, também há muitas vezes que, apesar de querer, não consigo me fazer entender. Deixo tão claro o que quero e o que não quero que algumas pessoas acham que não pode ser tão simples assim, ficam tentando ler nas entrelinhas, juram que há algo escondido (por que certas pessoas dificultam tanto as coisas?). Mas, voltando ao assunto, muito mais trabalhoso (e também proveitoso) que entender e se fazer entender por outra pessoa é entender a si mesma. Não estou falando de entender um motivo, uma atitude, um sentimento isolados, estou falando de algo muito maior, estou falando do que há dentro de nós, o que motiva todas as nossas ações e desejos. Uns chamam de "essência", outros de "eu interior", pra mim, não importa o nome (detesto rótulos). O que importa de verdade é que estou no momento da vida que quero (preciso) me conhecer, desvendar meus próprios mistérios, só assim poderei avaliar o passado e construir o futuro. Como já dito, esse processo é trabalhoso, em certos momentos, chega a ser doloroso, mas já está dando bons frutos. Só ter tido essa percepção e ter tido coragem de dar o primeiro passo já me deixou mais tranqüila e fortalecida. O que vai acontecer a partir daqui eu não sei. Na verdade, nem quero ficar imaginando. Na minha vida, a realidade sempre foi mais ampla e surpreendente do que a imaginação. E olha que tenho uma imaginação bem fértil... rs.
Apenas palavras
Bom seria se nós (os humanos) não precisássemos de palavras para nos comunicar. Imagina como seria ótimo se apenas olhássemos pro outro e ele pudesse perceber exatamente como a gente se sente, o que pensa, o que quer. Muitos desencontros seriam evitados e os mal-entendidos então. Poderíamos sim magoar, ferir e até perder alguém querido, mas seria por uma verdade, e não pela simples incapacidade de se expressar, de se fazer entender. Claro que haveria um grande problema: quantas vezes pensamos, sentimos e fazemos coisas que nos envergonham? Ser transparente nos faria também absolutamente expostos. Será que se o outro pudesse ver o que se passa "dentro de nós" ele iria gostar do que vê, do que realmente somos? Quer saber? Melhor deixar tudo como está... rs... A gente às vezes se entende, outras não, umas horas tudo fica muito claro, outras horas não se vê um palmo à frente do nariz. Mas a gente vai vivendo, convivendo e se comunicando com as pessoas e quando as palavras não dão conta do recado, há sempre outras possibilidades. Quais? Seja criativo... rs.
Metamorfose ambulante
Nunca tinha parado pra pensar nisso, mas hoje fui surpreendida por uma idéia que surgiu "do nada" (aliás é sempre assim, de repente vem a minha cabeça uma resposta pra uma pergunta que eu não tinha nem formulado... coisa de doido... rs). Voltando à idéia, de repente percebi "eu sou uma pessoa de reação". É isso mesmo, sempre me considerei uma mulher de ação, uma mulher que não ficava na janela olhando a vida passar. Mas, eu estava errada, sou uma mulher de reação. Todas as atitudes que tomei em minha vida foram conseqüências de um estímulo, de uma palavra, ou mesmo de uma outra ação minha anterior (ação não, reação anterior... ainda não me acostumei...rs), portanto, não foram ações, e sim reações. A princípio pode parecer que essa minha conclusão é muito conveniente, que é uma forma de eu não me sentir culpada por meus erros, uma forma de me eximir da responsabilidade por meus atos. Mas não, o fato de estar apenas reagindo não diminui a responsabilidade por minhas atitudes, na verdade até aumenta. Sim, aumenta, pois se uma ação é sempre resultado de uma anterior, um erro se torna mais grave, pois o seu resultado não será apenas suas conseqüências específicas, mas o encadeamento de outras situações que, muito provavelmente, me levarão a outros erros. Parece loucura, pode até ser, mas é assim que penso, pelo menos até a próxima mudança de idéia. Como diz meu caro Raul, eu prefiro ser...
Coisa de mulher
Sempre me sinto solidária quando escuto um homem dizer que não entende as mulheres, isto porque é assim que eu me sinto também em relação a muitas de nós. Por que elas precisam ser tão competitivas (me refiro a competições vazias, por pura vaidade)? Por que têm a necessidade de depreciar outra mulher pra se sentirem seguras? Cadê a solidariedade feminina? Tenho algumas (poucas) grandes amigas e há muitas mulheres que admiro e respeito, gosto de ser mulher e de ter a chamada "alma feminina", com todas as suas contradições e inconstância. E é exatamente por isso que me sinto tão incomodada com essa postura adotada por muitas mulheres que conheço. Ser invejosa, fofoqueira e maldosa não deve ser entendido como coisa de mulher, isso é coisa de gente que se ocupa mais com a vida do outro do que com a sua própria. Coisa de mulher é querer muito, se possível tudo, é fazer dez mil coisas ao mesmo tempo e tentar ser boa em tudo, é ser profissional, mãe, esposa, amante, amiga, ter milhões de papéis nessa vida, enfim, coisa de mulher é não ter tempo pra ficar na janela falando da vida da vizinha. CARPE DIEM!
De volta para mim mesma!!!
Em algumas outras situações da minha vida tive a impressão de que estava me perdendo de mim mesma, que precisava voltar alguns passos (ou muitos passos) e acertar o caminho. Mas dessa vez não é impressão, de repente senti uma necessidade incontrolável de me reencontrar. É como se algo em mim tivesse se descolado e tive certeza de que se não encontrasse o desacerto não poderia prosseguir em paz. Eu até poderia continuar caminhando, mas a esmo, sem rumo e, pior ainda, sem vontade. Por algum tempo tentei fingir que nada estava acontecendo, tentei pensar como uma pessoa "normal" (Será mesmo que alguém o é?), mas estava me ferindo a tal ponto que fiquei com medo de me mutilar. Enfim, me vi obrigada a fazer algo por mim mesma. Mas o quê? Como? Quando? O destino (ou seria o acaso, ou mesmo anjos ou deuses?), enfim, alguém resolveu me ajudar, surgiu uma oportunidade de voltar pra casa por uns dias, retornar para onde nasci, cresci e de onde parti cheia de sonhos e expectativas (que aliás, pouco a pouco vêm sendo realizados). Aliás, se meus sonhos estão sendo conquistados e os projetos realizados, o que está errado? Voltamos ao ponto de partida. O que está acontecendo comigo? O primeiro passo já está dado, sei o que vim buscar agora falta o resto...
Saudade
Faz algum tempo que ando sentindo uma angústia, um aperto no peito e não conseguia entender o motivo desse desconforto. Ontem, em mais uma sessão de reflexão da madrugada (essa insônia ainda me mata), percebi que o nome disso que estou sentindo é SAUDADE. É isso mesmo, esse mal que vem me incomodando faz tempo é a velha e boa saudade. Ao me deparar com essa certeza, me veio outro questionamento (comigo sempre foi assim, sempre que encontro uma resposta me deparo com outra pergunta): "Saudade de que?" Essa pergunta ficou martelando na minha cabeça, saudade de que ou de quem. Tenho que admitir que até agora não encontrei a resposta exata, mas tenho a impressão de que minha saudade não é de uma pessoa ou coisa específicas, mas de um tempo (que, obviamente, não voltará), de alguns sentimentos e sensações vividos ou mesmo da pessoa que um dia eu fui. Enfim, meu mal não tem remédio, pelo menos, não um que faça efeito rápido. Portanto, o que posso fazer é esperar que os sintomas diminuam até que não incomodem mais ou então posso dar uma boa topada. É sério, quem se lembra de outra dor quando bate com o dedinho do pé bem na quina da mesa? Eureca! Acabei de descobrir o melhor remédio pra todos os meus problemas, rir deles e de mim também, é claro. Até porque dói bem menos que a idéia da topada... rs.
A estréia!!!
Toda estréia é acompanhada por alvoroço e excitação. Pelo menos comigo sempre foi assim. O primeiro dia na escola, na faculdade, no trabalho. O primeiro olhar, a primeira palavra, o primeiro beijo. Com o blog não poderia ser diferente, até porque falar sobre suas impressões não será tarefa fácil para alguém que nunca sentiu muito prazer em falar de si mesma. Mas também, quem disse que gosto mais das tarefas fáceis? Por isso, aqui vão minhas impressões, contraditórias, confusas, obscuras, mas, acima de tudo, puras. Espero que alguém se divirta, mesmo que esse alguém seja eu mesma.
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