Hoje aconteceram dois fatos dignos de nota no meu (maçante) dia.
O primeiro foi ainda bem no início da manhã. É queridos, vi o dia amanhecer de novo. A insônia está de volta, chegou de mãos dadas com o retorno ao trabalho. Será por quê? rs...
Bom, voltando ao assunto, o primeiro fato relevante foi que finalmente acabei de ler o livro que vinha me divertindo e martirizando há alguns meses.
Podia ressaltar vários aspectos desse meu companheiro "de viagem" (literalmente), mas minha relação com livros é bem parecida com a que tenho com pessoas. Não me sinto muito à vontade pra fazer análises. Verdade ! Minha relação com a literatura é muito mais intuitiva, emocional, do que propriamente intelectual. Contraditório? Novidade... rs.
Mas vou sim destacar uma citação do livro. Só que antes, vou contar a outra coisa que aconteceu hoje.
Fui convidada (na verdade, intimada, mas abafa o detalhe... rs) a desenvolver um trabalho com adolescentes, objetivo: conscientização política. Formação de disseminadores de conceitos de cidadania, tentar transformar estudantes em educadores e fiscais de práticas abusivas nas campanhas eleitorais locais.
Já sei o que vc está pensando. Acredite, pensei mais ou menos a mesma coisa. Como fazer com que um jovem seja "fiscal da ética" dos candidatos num país em que falar de ética, especialmente na política, parece até piada infame?
Foi justamente nesse momento que me lembrei do trecho do livro sobre o qual falei mais acima. Ele defende a idéia de que a imaginação positiva não é mera questão moral, e sim um meio concreto de alcançar desenvolvimento político, social e econômico. Em seguida, questiona: "Como se faz pra nutrir em outras pessoas uma imaginação mais esperançosa, mais afirmativa, mais tolerante?"
E essa é a minha questão de hoje. Complexa? Imagina... rs. Mas sabe de uma coisa? Acho sim que tenho o perfil pro trabalho. Por quê? Porque sou tão cara-de-pau que tenho a petulância de acreditar e ainda defender a idéia de que esse mundo pode sim ser um pouco melhor...
É, dessa vez, aceito a camisa-de-força, mas, pelo menos, compra uma bonitinha, tá? rs... rs...
Um pouco mais de calma
Outro dia, respondendo uma pergunta, eu disse (escrevi):
"Até que estou muito bem, sou o tipo de pessoa que se encontra justamente no meio do turbilhão."
K, que já está cansado de saber com quem está lidando (será mesmo? rs), limitou-se a completar:
"Já tinha percebido isso."
A conversa acabou depois de mais algumas trocas de frases das quais, sinceramente, nem me lembro mais. Aliás, nem essa parte da conversa ficou martelando na minha cabeça, como certas idéias que insistem em se fazer notar até que eu pare tudo pra me ocupar delas.
Dessa vez, não foi assim. Não fiquei pensando nisso. Talvez estivesse até "ruminando" tais palavras, sem ter consciência de que elas estavam ali esperando o momento certo de serem digeridas .
O fato é que agora, assim do nada, veio à tona, como se a conversa tivesse sido hoje, há um minuto atrás... "sou o tipo de pessoa que se encontra justamente no meio do turbilhão"... tipo de pessoa... meio do turbilhão...
Inevitável comentar, essa coisa de "tipo de pessoa" soa absolutamente inadequada. Tipo de pessoa? Será que pensei que estava falando de uma coisa, um objeto inanimado, estável, imutável?
Mas, nem é esse o ponto. Acho sim que acabo me encontrando bem no "olho" do furacão. Sabe time que só joga bem contra adversário forte? Sou eu. Situação adversa, hora de reunir forças e sobreviver, nada de choro, muito menos de vela.
Só que as tempestades passam e chega a hora de velejar em mares calmos, dia de céu azul, límpido, e é exatamente nesse momento que me perco, tudo é tão claro que me ofusca a visão, tudo é tão tranqüilo que me confunde.
Quer saber? Ando cansada de constantes superações, de infinitas reviravoltas. Será que a rotina é mesmo tão entediante? Ando querendo pagar pra ver. Já sei, já sei, você vai dizer que ninguém muda sua essência, ninguém deixa de ser o que realmente é, no máximo, muda de roupa. Será mesmo? Pode ser...
"Paciência
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára"
Obs: Melia, dessa vez vc está certa, essa poesia não é minha. Aliás, dá pra perceber de cara a diferença... rs.
Aqui vão os créditos, "Paciência" é a letra de uma música que ando ouvindo (milhões de vezes ao dia), melhor ainda se for na voz de Lenine.
"Até que estou muito bem, sou o tipo de pessoa que se encontra justamente no meio do turbilhão."
K, que já está cansado de saber com quem está lidando (será mesmo? rs), limitou-se a completar:
"Já tinha percebido isso."
A conversa acabou depois de mais algumas trocas de frases das quais, sinceramente, nem me lembro mais. Aliás, nem essa parte da conversa ficou martelando na minha cabeça, como certas idéias que insistem em se fazer notar até que eu pare tudo pra me ocupar delas.
Dessa vez, não foi assim. Não fiquei pensando nisso. Talvez estivesse até "ruminando" tais palavras, sem ter consciência de que elas estavam ali esperando o momento certo de serem digeridas .
O fato é que agora, assim do nada, veio à tona, como se a conversa tivesse sido hoje, há um minuto atrás... "sou o tipo de pessoa que se encontra justamente no meio do turbilhão"... tipo de pessoa... meio do turbilhão...
Inevitável comentar, essa coisa de "tipo de pessoa" soa absolutamente inadequada. Tipo de pessoa? Será que pensei que estava falando de uma coisa, um objeto inanimado, estável, imutável?
Mas, nem é esse o ponto. Acho sim que acabo me encontrando bem no "olho" do furacão. Sabe time que só joga bem contra adversário forte? Sou eu. Situação adversa, hora de reunir forças e sobreviver, nada de choro, muito menos de vela.
Só que as tempestades passam e chega a hora de velejar em mares calmos, dia de céu azul, límpido, e é exatamente nesse momento que me perco, tudo é tão claro que me ofusca a visão, tudo é tão tranqüilo que me confunde.
Quer saber? Ando cansada de constantes superações, de infinitas reviravoltas. Será que a rotina é mesmo tão entediante? Ando querendo pagar pra ver. Já sei, já sei, você vai dizer que ninguém muda sua essência, ninguém deixa de ser o que realmente é, no máximo, muda de roupa. Será mesmo? Pode ser...
"Paciência
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
Será que é tempo que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára"
Obs: Melia, dessa vez vc está certa, essa poesia não é minha. Aliás, dá pra perceber de cara a diferença... rs.
Aqui vão os créditos, "Paciência" é a letra de uma música que ando ouvindo (milhões de vezes ao dia), melhor ainda se for na voz de Lenine.
Presente de palavra
Costumo dizer que meu estoque de bobagens é infinito, mas como não tenho total certeza disso, tenho me limitado a um só post por dia.
Só que acabo de receber um presente e sou igual a criança. Quando ganho um presente, paro tudo, abro logo e só fico satisfeita depois de curtir a surpresa. Isso não se deve exatamente à coisa em si, mas à lembrança. Acho incrível perceber que, dentre milhões de outras pessoas e de seus próprios afazeres, alguém se ocupou, por alguns momentos, lembrando de mim (veja só, eu falei de "ocupação", muito diferente de "preocupação").
Como diz Melia, vou parar de enrolação e falar logo do presente. Eu adoro listas, fato. La Critique acaba de me propor uma e, como esperado, não resisti e topei o "desafio". Só espero não entrar em crise existencial e perder o sono (se isso acontecer La, te mando a conta da farmácia... rs).
Então, vamos lá...
O que você gostaria de fazer antes de morrer? (liste 8 coisas)
R: Eu gostaria de...
1. preparar as pessoas à minha volta pra minha partida
2. me conhecer (bem) melhor
3. adotar uma criança
4. conhecer o máximo de pessoas e lugares que eu puder
5. voltar pro lado dos mocinhos da história
6. retribuir ao menos parte de tudo que ganhei
7. controlar melhor meus instintos e vontades
8. entender que não adianta fazer listas e regras, se eu não aprender a segui-las... rs
Bom, essa lista foi quase um espirro, provavelmente, amanhã já seriam outros os tópicos, mas, enfim... presente ganho, presente experimentado... rs.
Ah... acabo de perceber uma coisa... a ligação entre os dois posts do dia... presentes... palavras... palavras...
Só que acabo de receber um presente e sou igual a criança. Quando ganho um presente, paro tudo, abro logo e só fico satisfeita depois de curtir a surpresa. Isso não se deve exatamente à coisa em si, mas à lembrança. Acho incrível perceber que, dentre milhões de outras pessoas e de seus próprios afazeres, alguém se ocupou, por alguns momentos, lembrando de mim (veja só, eu falei de "ocupação", muito diferente de "preocupação").
Como diz Melia, vou parar de enrolação e falar logo do presente. Eu adoro listas, fato. La Critique acaba de me propor uma e, como esperado, não resisti e topei o "desafio". Só espero não entrar em crise existencial e perder o sono (se isso acontecer La, te mando a conta da farmácia... rs).
Então, vamos lá...
O que você gostaria de fazer antes de morrer? (liste 8 coisas)
R: Eu gostaria de...
1. preparar as pessoas à minha volta pra minha partida
2. me conhecer (bem) melhor
3. adotar uma criança
4. conhecer o máximo de pessoas e lugares que eu puder
5. voltar pro lado dos mocinhos da história
6. retribuir ao menos parte de tudo que ganhei
7. controlar melhor meus instintos e vontades
8. entender que não adianta fazer listas e regras, se eu não aprender a segui-las... rs
Bom, essa lista foi quase um espirro, provavelmente, amanhã já seriam outros os tópicos, mas, enfim... presente ganho, presente experimentado... rs.
Ah... acabo de perceber uma coisa... a ligação entre os dois posts do dia... presentes... palavras... palavras...
Palavra de presente

Você podia me trazer flores
Mas flores, tão efêmeras depois do corte
Murchariam e me deixariam apenas
Pétalas secas e o cheiro de morte
Você podia me trazer bombons
Mas o sabor excessivamente doce, enjoativo
Não combina com você
Também não combina comigo
Você podia me trazer seu coração
Mas foi honesto e não ofereceu
O que não pode dar de presente
À medida que nunca te pertenceu
Beleza, doçura, sentimentos
Guarde pra outras pessoas, outros momentos
Palavra é tudo que você tem a oferecer
Palavra é tudo que eu poderia receber
Mas flores, tão efêmeras depois do corte
Murchariam e me deixariam apenas
Pétalas secas e o cheiro de morte
Você podia me trazer bombons
Mas o sabor excessivamente doce, enjoativo
Não combina com você
Também não combina comigo
Você podia me trazer seu coração
Mas foi honesto e não ofereceu
O que não pode dar de presente
À medida que nunca te pertenceu
Beleza, doçura, sentimentos
Guarde pra outras pessoas, outros momentos
Palavra é tudo que você tem a oferecer
Palavra é tudo que eu poderia receber
Nuvens de algodão
Quarta-feira, 7 horas, pista do Galeão, manhã fria, céu azul, nuvens de algodão, fila pra embarcar, desconhecidos à frente e atrás, aviões passando...
Não estava indo pra casa, tampouco vinha de casa. Não mesmo? Afinal, onde é minha casa? Será que há mesmo o tal "lar, doce lar"? Será?
Sentia-me em paz, não me afligia mais o que deixara pra trás, ainda não pensava no que me esperava no ponto de chegada. Estava ali, no meio do caminho, partindo, indo, e a sensação de movimento me trazia uma estranha calma, eu diria mesmo, leveza.
É, naquele momento, eu me sentia em paz, desprovida de grande euforia, mas também de qualquer agonia. Vontade só de me deixar levar, um degrau de cada vez, sem pressa, sem atropelo, curtindo a segurança que encontrei no meio daquela aparente instabilidade.
Agora, estando em "casa", não me sinto mal, bom estar aqui. Mas a lembrança daquele momento ainda me faz sorrir, fecho os olhos e ainda sinto o calor do sol no rosto, o som das turbinas, as nuvens de algodão...
Ihhh... Acabo de lembrar que um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão... Sorte a minha que não acredito em verdades absolutas, muito menos, estou sempre à procura de chaves que "abrem" prisões... rs.
Sorte? Azar? Apenas nuvens de algodão...
Não estava indo pra casa, tampouco vinha de casa. Não mesmo? Afinal, onde é minha casa? Será que há mesmo o tal "lar, doce lar"? Será?
Sentia-me em paz, não me afligia mais o que deixara pra trás, ainda não pensava no que me esperava no ponto de chegada. Estava ali, no meio do caminho, partindo, indo, e a sensação de movimento me trazia uma estranha calma, eu diria mesmo, leveza.
É, naquele momento, eu me sentia em paz, desprovida de grande euforia, mas também de qualquer agonia. Vontade só de me deixar levar, um degrau de cada vez, sem pressa, sem atropelo, curtindo a segurança que encontrei no meio daquela aparente instabilidade.
Agora, estando em "casa", não me sinto mal, bom estar aqui. Mas a lembrança daquele momento ainda me faz sorrir, fecho os olhos e ainda sinto o calor do sol no rosto, o som das turbinas, as nuvens de algodão...
Ihhh... Acabo de lembrar que um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão... Sorte a minha que não acredito em verdades absolutas, muito menos, estou sempre à procura de chaves que "abrem" prisões... rs.
Sorte? Azar? Apenas nuvens de algodão...
Ainda bem que a porta estava entre-aberta...
Preciso confessar uma coisa: não gostei do último post. Achei-o incompleto, limitado. Não encontrei as palavras pra expressar exatamente o que me passava pela cabeça. Quando acabei de escrever, tive a sensação de que não estava acabado, mas que também não sabia como escrever o que ainda se passava na minha cabeça.
Isso, às vezes, acontece comigo. Parece que meus pensamentos correm tão rápido que não consigo acompanhá-los.
Antes, quando isso acontecia, eu costumava ficar angustiada. Mas, de uns tempos pra cá, tenho aprendido que não preciso acompanhar de tão perto a mim mesma (só pra não perder a mania de ditos populares, "galinha de casa não se corre atrás"... rs... gostou da comparação?... rs... rs). Então, hoje, quando me sinto lenta demais pra captar minhas próprias mensagens, puxo uma cadeira, sento e fico olhando, tal como espectadora que tem a certeza de que, até o fim da novela, todas as perguntas serão devidamente respondidas (ainda que isso nem sempre aconteça).
Foi o que fiz ontem, domingo, ócio mental absoluto, mas vontade de escrever. Coloquei-me diante do pc e me abandonei por aqui, por alguns minutos, batucando no teclado fragmentos do que fervilhava em minha cabeça. ("batucando no teclado"... Adorei essa expressão que roubei do blog do meu irmão. Alguém nessa família tinha que ser inspirado, né? rs)
Ao acabar, você já sabe o que senti, mas resolvi postar assim mesmo, afinal adoro guardar guardanapos rabiscados com partes amorfas que, um dia, poderão compor algo que faça algum sentido (ou não).
Só que a vida é bem generosa comigo e hoje, ainda com a cabeça pesada da ressaca do domingo, abri o blog pra dar uma olhada e eis o que encontro, os comentários de meus queridos (e caridosos) leitores.
Tenho que dizer, vocês tiraram "leite de pedra". Foram além do que eu havia escrito. Sempre ouvi minha avó falando sobre "dar liga" na massa. Sabem o que é isso? Fazê-la uniforme, homogênea, pronta pra ser manuseada. Foi o que vocês fizeram com aquele monte de ingredientes perdidos que eu tinha jogado, displicentemente, na vasilha.
Estou feliz, feliz por não ter apagado o post, assim como já perdi várias idéias loucas que rabisquei em pedaços de papel, e, principalmente, feliz por ter amigos inspirados por perto. Portanto, só me resta imitar o balconista da padaria e dizer: "Voltem sempre !!!"
Isso, às vezes, acontece comigo. Parece que meus pensamentos correm tão rápido que não consigo acompanhá-los.
Antes, quando isso acontecia, eu costumava ficar angustiada. Mas, de uns tempos pra cá, tenho aprendido que não preciso acompanhar de tão perto a mim mesma (só pra não perder a mania de ditos populares, "galinha de casa não se corre atrás"... rs... gostou da comparação?... rs... rs). Então, hoje, quando me sinto lenta demais pra captar minhas próprias mensagens, puxo uma cadeira, sento e fico olhando, tal como espectadora que tem a certeza de que, até o fim da novela, todas as perguntas serão devidamente respondidas (ainda que isso nem sempre aconteça).
Foi o que fiz ontem, domingo, ócio mental absoluto, mas vontade de escrever. Coloquei-me diante do pc e me abandonei por aqui, por alguns minutos, batucando no teclado fragmentos do que fervilhava em minha cabeça. ("batucando no teclado"... Adorei essa expressão que roubei do blog do meu irmão. Alguém nessa família tinha que ser inspirado, né? rs)
Ao acabar, você já sabe o que senti, mas resolvi postar assim mesmo, afinal adoro guardar guardanapos rabiscados com partes amorfas que, um dia, poderão compor algo que faça algum sentido (ou não).
Só que a vida é bem generosa comigo e hoje, ainda com a cabeça pesada da ressaca do domingo, abri o blog pra dar uma olhada e eis o que encontro, os comentários de meus queridos (e caridosos) leitores.
Tenho que dizer, vocês tiraram "leite de pedra". Foram além do que eu havia escrito. Sempre ouvi minha avó falando sobre "dar liga" na massa. Sabem o que é isso? Fazê-la uniforme, homogênea, pronta pra ser manuseada. Foi o que vocês fizeram com aquele monte de ingredientes perdidos que eu tinha jogado, displicentemente, na vasilha.
Estou feliz, feliz por não ter apagado o post, assim como já perdi várias idéias loucas que rabisquei em pedaços de papel, e, principalmente, feliz por ter amigos inspirados por perto. Portanto, só me resta imitar o balconista da padaria e dizer: "Voltem sempre !!!"
Por que não fechar a porta de uma vez?
Algumas pessoas têm a capacidade de me fazer pensar. Nem sei exatamente por que isso acontece. Já parei pra pensar o que elas têm em comum. Se tivesse encontrado, talvez tivesse descoberto o que faz minha cabeça funcionar, e isso seria muito útil. É, eu disse útil, porque, muitas vezes, assim como uma mula empacada, minha cabeça se recusa a rumar pra qualquer lugar que seja, não vai pra trás, muito menos, pra frente.Mas nem era sobre isso que eu queria escrever, o assunto em questão é a porta.
Ricardo perguntou "por que não deixar a porta fechada de uma vez?" (comentário ao post anterior). Isso me fez pensar na minha relação com portas. Você deve estar achando que eu pirei de vez. Talvez tenha mesmo, então não vou tentar te convencer do contrário... rs.
Nem vou me alongar muito agora, talvez escreva mais sobre isso, talvez em poesia (algumas coisas não cabem nos "limites" da prosa). Mas, por enquanto, ficam aqui minhas impressões parciais.
Tenho uma certa simpatia por portas, elas trazem proteção, aconchego. Acho que as portas são as grandes cúmplices dos amantes, as grandes confidentes dos sentimentos.
Portas trancadas têm algo de definitivo que me traz um certo pesar, embora, muitas vezes, a tranca nem seja por desilusão, esconderijo, solidão. Mas, enfim, é a isso que me remetem portas trancadas.
Portas fechadas me trazem um certo respeito. Não sou o tipo de pessoa que gosta de olhar em frestras, não costumo ter interesse em olhar furtivamente o que há por trás de uma porta. Não por moralismo, educação, boas maneiras. A palavra é respeito mesmo, e uma certa solidariedade. Intimidade, solitária ou compartilhada, é algo que realmente prezo.
Portas abertas me remetem a um certo desespero, assim como gargalhadas desmotivadas, uma pureza excessiva no olhar.
Mas portas entre-abertas realmente são as minhas preferidas, não pelo que escondem, mas pelo que convidam.
Portas entre-abertas permitem a chegada, a partida, o retorno, o começo, o fim, o recomeço... São o poder da escolha, faz com que ir e vir sejam mais sinceros, plenos, efetivos.
Portas entre-abertas podem ser a não certeza, e isso gera insegurança, mas é a possibilidade, e isso gera esperança. E isso, por si só, já é um bom motivo pra não fechar a porta de uma vez.
Bom, disse que não me alongaria muito. Domingo não é meu dia mais "inspirado". Mas o assunto é interessante e sinto que tenho mais a dizer sobre isso, por isso, me despeço, deixando a porta-entreaberta...
P.S.: Obrigada pela imagem, Dani (e desculpe pelo furto). Está vendo como textos tão diferentes podem ser representados pela mesma imagem? Acaba de me vir à cabeça que os textos não são tão diferentes assim. Pessoas... portas... entradas... saídas... pessoas...
Regresso
Me diz, querida
O que vc fez da sua vida?
Me conta por onde andou
Sei que sorriu, sei que chorou
Me diz, querida
Se sentiu falta do chá fumegante
À beira dos contos e dos poemas,
Se lembra dos gemidos, da tela do cinema
Não chore assim, querida
Não precisa contar o que te fez sangrar
Já li todas as respostas que queria
Na eloqüência e imensidão do seu olhar
Não chore assim, querida
Ocupa o vazio do abraço em que não cabe outro corpo, além do seu
Fica enquanto cura as feridas que o mundo te fez
Só não esqueça de deixar a porta entreaberta mais uma vez
Reconhecimento...
Já é tarde. Ou cedo? Sou péssima nesse tipo de definição, aliás sou péssima em qualquer tipo de definição. Mas, eu não poderia ir dormir sem fazer um breve comentário.
Layout novo. Viram? Melia disse que é a minha cara. Será a orquídea? (rs)
Ainda há algumas alterações a serem feitas, mas estou gostando muito. Acho que esse é meu preferido de todos que já usei. Aliás, vou ter que achar isso por muito tempo porque gastei os parcos neurônios que ainda me restavam pra conseguir baixar layout, baixar programa pra baixar layout, aff... rs.
Enfim, valeu à pena, gostei da combinação de cores. E gostei, principalmente, da idéia: uma flor que desabrocha à sombra de palavras, e se utiliza das mesmas para se deixar ver sim, mas só em partes.
Mas, estou fugindo do assunto que me trouxe aqui. Esse post serve (e se serve... trocadilho terrível...rs) para agradecer a paciência inesgotável de Melia ao me ensinar a dar ao blog uma carinha mais apresentável (afinal, nem só de conteúdo vive um blog, né?...rs).
É fato que sou uma negação com máquinas e confesso que tenho até um certo orgulho (besta) disso, um certo prazer em me manter uma retrógrada apegada a "amigos, livros e discos" (casa no campo, lembra?).
Só que encontrei um ser tão teimoso quanto eu. Enquanto eu teimava em fazer tudo errado, Melia teimou em me fazer entender e insitir. E, felizmente, quem ganhou essa "batalha" foi ela. Só que a vida não é nada justa e quem ganhou o prêmio fui eu.
Ao usar o tal programa a meu favor, a favor de minhas distoantes e dissonantes palavras, senti uma satisfação enorme. Sabe criança que consegue andar de bicicleta a primeira vez? Uma sensação meio louca e contraditória, de repente o medo do desconhecido se foi e você agora só sente o prazer da conquista, o vento no rosto.
Pois é, Melia foi aquela pessoa que segura firme a bicicleta e ainda te incentiva a dar suas próprias pedaladas por aí. Há algo de desprendimento e altruísmo nisso tudo. Será que é isso que os inspirados chamam de amizade?
Não importa o nome, nem o tamanho do gesto, segurar uma bicicleta, baixar um programa, isso te parece muito pequeno, não? Sou assim mesmo, só consigo ver realmente grandeza nos gestos simples, inesperados, espontâneos.
E vc, nem deve se surpreender, não é mesmo? Já avisei que sou absolutamente patética... rs.
Layout novo. Viram? Melia disse que é a minha cara. Será a orquídea? (rs)
Ainda há algumas alterações a serem feitas, mas estou gostando muito. Acho que esse é meu preferido de todos que já usei. Aliás, vou ter que achar isso por muito tempo porque gastei os parcos neurônios que ainda me restavam pra conseguir baixar layout, baixar programa pra baixar layout, aff... rs.
Enfim, valeu à pena, gostei da combinação de cores. E gostei, principalmente, da idéia: uma flor que desabrocha à sombra de palavras, e se utiliza das mesmas para se deixar ver sim, mas só em partes.
Mas, estou fugindo do assunto que me trouxe aqui. Esse post serve (e se serve... trocadilho terrível...rs) para agradecer a paciência inesgotável de Melia ao me ensinar a dar ao blog uma carinha mais apresentável (afinal, nem só de conteúdo vive um blog, né?...rs).
É fato que sou uma negação com máquinas e confesso que tenho até um certo orgulho (besta) disso, um certo prazer em me manter uma retrógrada apegada a "amigos, livros e discos" (casa no campo, lembra?).
Só que encontrei um ser tão teimoso quanto eu. Enquanto eu teimava em fazer tudo errado, Melia teimou em me fazer entender e insitir. E, felizmente, quem ganhou essa "batalha" foi ela. Só que a vida não é nada justa e quem ganhou o prêmio fui eu.
Ao usar o tal programa a meu favor, a favor de minhas distoantes e dissonantes palavras, senti uma satisfação enorme. Sabe criança que consegue andar de bicicleta a primeira vez? Uma sensação meio louca e contraditória, de repente o medo do desconhecido se foi e você agora só sente o prazer da conquista, o vento no rosto.
Pois é, Melia foi aquela pessoa que segura firme a bicicleta e ainda te incentiva a dar suas próprias pedaladas por aí. Há algo de desprendimento e altruísmo nisso tudo. Será que é isso que os inspirados chamam de amizade?
Não importa o nome, nem o tamanho do gesto, segurar uma bicicleta, baixar um programa, isso te parece muito pequeno, não? Sou assim mesmo, só consigo ver realmente grandeza nos gestos simples, inesperados, espontâneos.
E vc, nem deve se surpreender, não é mesmo? Já avisei que sou absolutamente patética... rs.
De Bebel a Rakelly...
É bem verdade que não tenho visto novelas nos últimos tempos. Não, não sou uma aficcionada por séries norte-americanas que foge da cafonice de se assumir "noveleira". Não sou fã de FRIENDS e sou assumidamente piegas. Também não é falta de tempo, ando gastando tempo com coisas ainda menos produtivas.
Pois é, não vejo mais novelas diariamente simplesmente porque não preciso fazê-lo pra "acompanhar" a estória. É só ver um dia na semana, ou então olhar a chamada nos intervalos comerciais. De uma forma ou de outra, vc acaba entendendo tudo que aconteceu nos dias em que vc não assistiu.
Acho que todo brasileiro, por genética ou repetição mesmo, tem a capacidade de prever quase tudo que acontecerá no próximo capítulo. Ou vai dizer que nunca soube o que a mocinha responderia ao vilão antes mesmo dela falar?
Então, por isso mesmo, ando meio longe dos folhetins televisivos, mas, como já disse, isso não quer dizer que estou destualizada sobre o que está acontecendo, de forma que até vou me sentir à vontade (afinal estou no MEU blog...rs) pra fazer uma observação.
De uns tempos pra cá, eu andava meio preocupada com um fenômeno que via se alastrar pelas telas de tv (e por todo o resto). Eu o chamava de "movimento do é bonito ser feio". Não queridos, não falo de atributos físicos. Vou explicar...
Vi, por repetidas vezes, o preconceito, a desonestidade, a covardia e tudo o de pior que há em cada um de nós ser coberto por uma camada bem grossa de simpatia, carisma e até certa ingenuidade. Uma Sandrinha que humilha os pais pobres. Um Agostinho que furta, corrompe e mente, tudo isso travestido de modelo de brechó. Uma Bebel que fez o que quis não só com as outras personagens, mas com esse país inteiro.
Ah, está certo, não estou aqui pra tentar te convencer de que essas personagens não têm muito de mim, de vc e até da sua vizinha velhinha de olhos doces que passa os dias tricotando roupinhas pra doar a campanhas de agasalho. Muito pelo contrário, eu mesma disse que essa podridão há dentro de todos nós.
O que me preocupou não foi ver isso tudo exposto na tv, até porque isso sempre esteve lá, e sim ver essas figuras quase transformadas em heróis nacionais. Pense bem: Bebel foi a grande mocinha da novela das oito, afinal ela saiu do nordeste com "uma mão na frente outra atrás" e chegou a Brasília, até depôs em CPI, oras. Ah, se ela mentiu, corrompeu, armou e enrolou, qual o problema? O que importa é que chegou "lá". E viva Maquiavel !!!
Já sei o que vc deve estar pensando, novelas refletem a realidade, um mundo corrompido de pessoas corrompíveis. E além do mais, não dava mais pra engolir aquela visão maniqueísta das novelas em que mocinhos não tinham nem espinhas ou dor de barriga e bandidos eram piolhentos e fedidos. Concordo com vc, mas continuo achando que essa não era a melhor resposta pra tudo isso.
O bom disso tudo é que os "fenômenos" passam tão rapidamente quanto estrelas (de)cadentes, e o movimento "é bonito ser feio" não está mais na crista da onda. Sandrinha e Bebel morreram, embora suas almas (penadas) ainda voltem de vez em quando pra nos assombrar... rs.
Agora, estamos bem diante de outro fenômeno de audiência, eu ainda não o denominei, talvez ele passe antes que eu o faça (ando pouco inspirada ultimamente), mas bem poderia ser "humanamente encantadoras".
Elas são muito "defeituosas" pra ocuparem o papel de mocinha da trama, afinal a mocinha não pode apresentar claros sinais de alto grau de retardo mental, nem pode estar mais pra palhaça do que pra princesinha. Mas, isso não as impede, e na verdade, talvez sejam exatamente seus defeitos tão humanos que as alçaram à posição de destaque que ocupam hoje.
Confesso que preferia ver as crianças educando-se por outros meios que não os televisivos, muito menos as novelas. Mas, não levo tanto jeito assim pra Pollyanna, sei que não é bem assim que as coisas funcionam.
Então, se o impacto perturbardor que as novelas e suas personagens têm nesse país é um fato consumado, melhor que Rakelly (é assim que se escreve?) e Elzinha tenham destronado Bebel e Sandrinha. Aliás, tenho que confessar que acho que Rakelly é uma caricatura perfeita e cômica de algumas pessoas que conheci. Fora que o "biscoito fino" fica muito mais bonitinho na boca das crianças que a "catigoria" de outrora.
Moralista, eu? Será? Nem sei mais. Esse é um dos termos cujo significado anda muito confuso nos últimos tempos.
Enquanto tento descobrir o que sou, vou aguardando as cenas dos próximos capítulos...rs.
Pois é, não vejo mais novelas diariamente simplesmente porque não preciso fazê-lo pra "acompanhar" a estória. É só ver um dia na semana, ou então olhar a chamada nos intervalos comerciais. De uma forma ou de outra, vc acaba entendendo tudo que aconteceu nos dias em que vc não assistiu.
Acho que todo brasileiro, por genética ou repetição mesmo, tem a capacidade de prever quase tudo que acontecerá no próximo capítulo. Ou vai dizer que nunca soube o que a mocinha responderia ao vilão antes mesmo dela falar?
Então, por isso mesmo, ando meio longe dos folhetins televisivos, mas, como já disse, isso não quer dizer que estou destualizada sobre o que está acontecendo, de forma que até vou me sentir à vontade (afinal estou no MEU blog...rs) pra fazer uma observação.
De uns tempos pra cá, eu andava meio preocupada com um fenômeno que via se alastrar pelas telas de tv (e por todo o resto). Eu o chamava de "movimento do é bonito ser feio". Não queridos, não falo de atributos físicos. Vou explicar...
Vi, por repetidas vezes, o preconceito, a desonestidade, a covardia e tudo o de pior que há em cada um de nós ser coberto por uma camada bem grossa de simpatia, carisma e até certa ingenuidade. Uma Sandrinha que humilha os pais pobres. Um Agostinho que furta, corrompe e mente, tudo isso travestido de modelo de brechó. Uma Bebel que fez o que quis não só com as outras personagens, mas com esse país inteiro.
Ah, está certo, não estou aqui pra tentar te convencer de que essas personagens não têm muito de mim, de vc e até da sua vizinha velhinha de olhos doces que passa os dias tricotando roupinhas pra doar a campanhas de agasalho. Muito pelo contrário, eu mesma disse que essa podridão há dentro de todos nós.
O que me preocupou não foi ver isso tudo exposto na tv, até porque isso sempre esteve lá, e sim ver essas figuras quase transformadas em heróis nacionais. Pense bem: Bebel foi a grande mocinha da novela das oito, afinal ela saiu do nordeste com "uma mão na frente outra atrás" e chegou a Brasília, até depôs em CPI, oras. Ah, se ela mentiu, corrompeu, armou e enrolou, qual o problema? O que importa é que chegou "lá". E viva Maquiavel !!!
Já sei o que vc deve estar pensando, novelas refletem a realidade, um mundo corrompido de pessoas corrompíveis. E além do mais, não dava mais pra engolir aquela visão maniqueísta das novelas em que mocinhos não tinham nem espinhas ou dor de barriga e bandidos eram piolhentos e fedidos. Concordo com vc, mas continuo achando que essa não era a melhor resposta pra tudo isso.
O bom disso tudo é que os "fenômenos" passam tão rapidamente quanto estrelas (de)cadentes, e o movimento "é bonito ser feio" não está mais na crista da onda. Sandrinha e Bebel morreram, embora suas almas (penadas) ainda voltem de vez em quando pra nos assombrar... rs.
Agora, estamos bem diante de outro fenômeno de audiência, eu ainda não o denominei, talvez ele passe antes que eu o faça (ando pouco inspirada ultimamente), mas bem poderia ser "humanamente encantadoras".
Elas são muito "defeituosas" pra ocuparem o papel de mocinha da trama, afinal a mocinha não pode apresentar claros sinais de alto grau de retardo mental, nem pode estar mais pra palhaça do que pra princesinha. Mas, isso não as impede, e na verdade, talvez sejam exatamente seus defeitos tão humanos que as alçaram à posição de destaque que ocupam hoje.
Confesso que preferia ver as crianças educando-se por outros meios que não os televisivos, muito menos as novelas. Mas, não levo tanto jeito assim pra Pollyanna, sei que não é bem assim que as coisas funcionam.
Então, se o impacto perturbardor que as novelas e suas personagens têm nesse país é um fato consumado, melhor que Rakelly (é assim que se escreve?) e Elzinha tenham destronado Bebel e Sandrinha. Aliás, tenho que confessar que acho que Rakelly é uma caricatura perfeita e cômica de algumas pessoas que conheci. Fora que o "biscoito fino" fica muito mais bonitinho na boca das crianças que a "catigoria" de outrora.
Moralista, eu? Será? Nem sei mais. Esse é um dos termos cujo significado anda muito confuso nos últimos tempos.
Enquanto tento descobrir o que sou, vou aguardando as cenas dos próximos capítulos...rs.
Repassado
Continuando a série "descobertas na casa da mamãe", hoje me deparei com duas caixas onde foram guardados todos os meus "restos mortais" (ou seriam "vitais"?). Cartas, poemas rabiscados em pedaços de papel, guardanapos, fotos, postais...
Tive a nítida sensação de estar me lendo, lendo quem fui, "as várias existências pelas quais passei até chegar a essa", parafraseando um cara qualquer (ô mania de roubar idéias alheias...rs).
Senti-me cúmplice de mim mesma, solidária às minhas dores de outrora, chorei as mesmas lágrimas, mas agora era como se estivesse chorando por uma dor que não é mais minha, dor de alguém muito próximo, muito querido.
Não pense que foi uma experiência dolorosa, também ri muito, ri de mim e ri pra mim. Além de me sentir uma privilegiada. Fato: sempre estive rodeada por pessoas incríveis.
Enfim, me deu um gosto de passado na boca, e pasmem, esse gosto é doce, agradável... Está certo, pode ser que algumas coisas não sejam digeridas com facilidade, mas, como já disse num post anterior, nada que um bom antiácido não resolva...rs.
Mas, o maior "achado" dessa "expedição à selva" foi o meu caderno de poesias. Fofo !!! Poemas escritos aos 10, 11, 12 anos. Embora, fofo não seja um termo adequado pra falar de uma menina de 10 anos que escreve um poema que acaba num suicídio... rs... vai entender... rs.
O fato é que, aos poucos, vou passar pro blog umas poesias "garimpadas" no meu caderninho (algumas são sofríveis...rs). E aí vai a primeira, que nem é tão antiga...
Tive a nítida sensação de estar me lendo, lendo quem fui, "as várias existências pelas quais passei até chegar a essa", parafraseando um cara qualquer (ô mania de roubar idéias alheias...rs).
Senti-me cúmplice de mim mesma, solidária às minhas dores de outrora, chorei as mesmas lágrimas, mas agora era como se estivesse chorando por uma dor que não é mais minha, dor de alguém muito próximo, muito querido.
Não pense que foi uma experiência dolorosa, também ri muito, ri de mim e ri pra mim. Além de me sentir uma privilegiada. Fato: sempre estive rodeada por pessoas incríveis.
Enfim, me deu um gosto de passado na boca, e pasmem, esse gosto é doce, agradável... Está certo, pode ser que algumas coisas não sejam digeridas com facilidade, mas, como já disse num post anterior, nada que um bom antiácido não resolva...rs.
Mas, o maior "achado" dessa "expedição à selva" foi o meu caderno de poesias. Fofo !!! Poemas escritos aos 10, 11, 12 anos. Embora, fofo não seja um termo adequado pra falar de uma menina de 10 anos que escreve um poema que acaba num suicídio... rs... vai entender... rs.
O fato é que, aos poucos, vou passar pro blog umas poesias "garimpadas" no meu caderninho (algumas são sofríveis...rs). E aí vai a primeira, que nem é tão antiga...
Paradoxalmente eu
Sinto-me leve,
Tanto quanto me permitem as carnes, os ossos,
A matéria cujo destino já está traçado... o pó
A leveza vem d'alma
Pura e simplesmente essência
Forma-se um paradoxo, assim nasce um poeta
Sinto-me bela,
Tal qual a flor abrindo-se silenciosamente
Tal qual o sol renascendo em seu caminhar permanente
Tal qual o rio correndo de encontro à nascente
Sou coadjuvante da vida
Partícula de todo um contexto
E me saber parte me faz ser o todo
Mesmo sem motivo, sem pretexto
Forma-se outro paradoxo, assim vive o poeta
Sinto-me livre
Já não preciso de linhas limitadas e finitas
Exalo, transpiro e vivo minha arte
Troco versos por amores
Rimas por vivências
Palavras por sorrisos e lágrimas
Renasço para e pela vida, assim morre o poeta
Enfim acabo com um paradoxo.
* Escrito em 12/08/2002.
Tanto quanto me permitem as carnes, os ossos,
A matéria cujo destino já está traçado... o pó
A leveza vem d'alma
Pura e simplesmente essência
Forma-se um paradoxo, assim nasce um poeta
Sinto-me bela,
Tal qual a flor abrindo-se silenciosamente
Tal qual o sol renascendo em seu caminhar permanente
Tal qual o rio correndo de encontro à nascente
Sou coadjuvante da vida
Partícula de todo um contexto
E me saber parte me faz ser o todo
Mesmo sem motivo, sem pretexto
Forma-se outro paradoxo, assim vive o poeta
Sinto-me livre
Já não preciso de linhas limitadas e finitas
Exalo, transpiro e vivo minha arte
Troco versos por amores
Rimas por vivências
Palavras por sorrisos e lágrimas
Renasço para e pela vida, assim morre o poeta
Enfim acabo com um paradoxo.
* Escrito em 12/08/2002.
Dessa vez, o jornal trouxe uma boa nova (ou seria bossa nova?)...
Tenho uma revelação a fazer... (que rufem os tambores)...
EU SOU PATÉTICA, ABSOLUTAMENTE PATÉTICA !!!
Posso até ouvir vcs: "Ahhhhhhhh !!!!!"... e pensando "Cadê a novidade?"
Tudo bem, não é mesmo novidade, mas enfim, foi uma boa forma de iniciar o post... rs. Mas, deixa eu explicar o motivo dessa revelação.
Estava eu no banheiro (seja educado e nem imagine fazendo o que... rs)... Então, estava no banheiro e vi um jornal em cima da pia, puxei o jornal, pensando no quão apropriado era ler jornal no banheiro. Atualmente, tenho achado o jornal quase um vaso sanitário (lugar onde descarregamos nossas sujeiras e colocamos sachês cheirosos pra disfarçar o mau cheiro... rs)... Tudo bem, peguei pesado, esse tom não combina mesmo com o momento "sweet" desse post. Continuando a história...
Quando eu puxei o jornal, vi, em cima da pia do banheiro da casa da minha mãe, um grande amor da minha adolescência, que achei ter perdido numa das minhas várias mudanças de caminho. Ele estava ali, bem diante dos meus olhos, e só sabe do que estou falando quem já reencontrou um amor do passado, daqueles de quem vc se perdeu antes que tivesse "gastado" toda sua paixão, antes que tivesse compartilhado tudo que sonhou compartilhar.
Toquei nele, senti o seu cheiro, reparei de novo nas suas partes que mais me atraíam, achei outras mais. Chorei, chorei copiosamente, de alegria, de tristeza, de emoção. Pensei no passado, nas noites mil em que dividimos sonhos, dores, ilusões. Fiz planos pro futuro, desejei explorar cada faceta que eu podia ver agora e que não podia perceber há 10 anos atrás, só pra compensar aquelas que a "maturidade" me impediria de ver.
De repente, lembrei que não era mais uma menina, que não passaria mais noites agarrada a uma coletânea de poesias, ainda que de Vinícius. Lembrei que eu não precisava mais possuir pra amar. Percebi que era realmente bom poder rever aquelas páginas amareladas, sombras das lágrimas que derrubei, mas que toda aquela beleza que descobri há anos, agora já fazia parte de mim.
Bom, confesso que, desde o reencontro, não desgrudei dele, às vezes me pego procurando por ele só pra ter certeza de que ainda está ali. Mas já estou pensando em deixá-lo ir. Os livros, assim como as pessoas, não merecem o claustro. A sua beleza, as suas delícias precisam ser aproveitadas por outras pessoas. Só assim eles terão realmente existido.
Agora vc deve estar achando que pensar assim me faz uma pessoa destinada à solidão. Pode até ser. Às vezes, me sinto realmente só, mas quem é que nunca se sente assim?
A solidão é nossa sina, não é possível nascer sem cortar o cordão umbilical. Talvez esse seja o primeiro ensinamento que a vida gentilmente nos dá. "Marvin, agora é só vc."
Então, se a solidão é inevitável, o melhor é aproveitar intensamente os encontros (e reencontros), ainda que isso signifique chorar com um livro nas mãos em um local nada romântico (se bem que um banheiro pode ser bem romântico, dependendo do ponto de vista... rs).
Além disso, só o que nos resta é esperar o que encontraremos "embaixo do jornal de amanhã".
EU SOU PATÉTICA, ABSOLUTAMENTE PATÉTICA !!!
Posso até ouvir vcs: "Ahhhhhhhh !!!!!"... e pensando "Cadê a novidade?"
Tudo bem, não é mesmo novidade, mas enfim, foi uma boa forma de iniciar o post... rs. Mas, deixa eu explicar o motivo dessa revelação.
Estava eu no banheiro (seja educado e nem imagine fazendo o que... rs)... Então, estava no banheiro e vi um jornal em cima da pia, puxei o jornal, pensando no quão apropriado era ler jornal no banheiro. Atualmente, tenho achado o jornal quase um vaso sanitário (lugar onde descarregamos nossas sujeiras e colocamos sachês cheirosos pra disfarçar o mau cheiro... rs)... Tudo bem, peguei pesado, esse tom não combina mesmo com o momento "sweet" desse post. Continuando a história...
Quando eu puxei o jornal, vi, em cima da pia do banheiro da casa da minha mãe, um grande amor da minha adolescência, que achei ter perdido numa das minhas várias mudanças de caminho. Ele estava ali, bem diante dos meus olhos, e só sabe do que estou falando quem já reencontrou um amor do passado, daqueles de quem vc se perdeu antes que tivesse "gastado" toda sua paixão, antes que tivesse compartilhado tudo que sonhou compartilhar.
Toquei nele, senti o seu cheiro, reparei de novo nas suas partes que mais me atraíam, achei outras mais. Chorei, chorei copiosamente, de alegria, de tristeza, de emoção. Pensei no passado, nas noites mil em que dividimos sonhos, dores, ilusões. Fiz planos pro futuro, desejei explorar cada faceta que eu podia ver agora e que não podia perceber há 10 anos atrás, só pra compensar aquelas que a "maturidade" me impediria de ver.
De repente, lembrei que não era mais uma menina, que não passaria mais noites agarrada a uma coletânea de poesias, ainda que de Vinícius. Lembrei que eu não precisava mais possuir pra amar. Percebi que era realmente bom poder rever aquelas páginas amareladas, sombras das lágrimas que derrubei, mas que toda aquela beleza que descobri há anos, agora já fazia parte de mim.
Bom, confesso que, desde o reencontro, não desgrudei dele, às vezes me pego procurando por ele só pra ter certeza de que ainda está ali. Mas já estou pensando em deixá-lo ir. Os livros, assim como as pessoas, não merecem o claustro. A sua beleza, as suas delícias precisam ser aproveitadas por outras pessoas. Só assim eles terão realmente existido.
Agora vc deve estar achando que pensar assim me faz uma pessoa destinada à solidão. Pode até ser. Às vezes, me sinto realmente só, mas quem é que nunca se sente assim?
A solidão é nossa sina, não é possível nascer sem cortar o cordão umbilical. Talvez esse seja o primeiro ensinamento que a vida gentilmente nos dá. "Marvin, agora é só vc."
Então, se a solidão é inevitável, o melhor é aproveitar intensamente os encontros (e reencontros), ainda que isso signifique chorar com um livro nas mãos em um local nada romântico (se bem que um banheiro pode ser bem romântico, dependendo do ponto de vista... rs).
Além disso, só o que nos resta é esperar o que encontraremos "embaixo do jornal de amanhã".
Layout e "layin"... rs
Como vc já deve ter percebido, mudei o layout (mais uma vez) do blog. Não estava muito satisfeita com o outro, assim como não estava com o anterior, nem com o anterior ao anterior... aff...
Já sei o que vc deve estar pensando: "Essa garota nunca está satisfeita com nada !!!"... Bom, vc tem mesmo uma certa razão, a sensação de que as coisas sempre estão inacabadas, em constante mutação (não necessariamente para melhor), é algo recorrente em mim.
Se vc já está procurando sua agenda de telefones pra me indicar um bom terapeuta, calma aí. Essa eterna insatisfação não é algo que me angustia, me deprime, pelo menos, não na maioria das vezes (rs). Acho até que é isso que me impulsiona, faz com que eu esteja sempre "caminhando".
Aliás, essa conversa me fez lembrar de uma frase que li no (interessante) livro no qual ando viajando (entre paradas e recomeços) há uns meses: "Mesmo se estivermos no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos parados no mesmo lugar." (O Mundo é Plano, darei mais detalhes quando acabar de ler)
Mas, voltando ao assunto, essas várias mudanças no layout do blog pode ter sido motivada por outra coisa, minha total, absoluta e vergonhosa ignorância "tecnológica". Daí, a cada conversa, aprendo uma nova ferramenta com meus queridos e generosos amigos. (Será que são mesmo generosos ou estão me ajudando em causa própria? Afinal esse caderninho de anotações é tão deles quanto meu... rs... Não, não... Acredito mesmo no altruísmo deles, até porque tenho uma prova disso a cada visitinha...rs.)
Mas, só pra confirmar que não me contento com a primeira solução, acaba de me ocorrer outro motivo pras mudanças no blog.
As pessoas costumam dizer que temos, em nós, várias facetas. Mas, sem exageros (será mesmo?), tenho a nítida sensação de que eu, mais que vários aspectos, tenho várias pessoas autônomas dentro de mim. Digo isso porque não me sinto lidando com diferentes partes de mim dialogando entre si, como num time formado por vários jogadores. É mais que isso, sinto que meus vários "eus" vão se alternando, como naqueles revezamentos do atletismo, sabe?
Já sei, já sei, agora sim vc está correndo pra pegar o número do analista (até eu agora, ao ler isso, pensei seriamente em comprar uma camisa de força)... rs. Mas não há por que se preocupar, os componentes de um revezamento, entre eventuais trombadas, acabam se entendendo muito bem.
É, queridos, acho que esse é o real (ou seria melhor dizer, atual? rs) motivo.
Um dia escolho um layout e ele me parece "a minha cara", alguns dias depois até reconheço que ele era mesmo a minha cara, mas já não é mais. Lembro o quanto o achei adequado, até o reconheço familiar, mas sinto como se fosse uma roupa que não "cabe" mais em mim, apesar de linda, como um amor que não me faz mais suspirar, apesar de saudoso... aff, só eu mesmo, misturar roupas e amores... rs.
Bom, alegre e vibrante, singelo e delicado, moderno e frio, nostálgico e meio fora de moda... enfim... Cada um dos layouts era sim a minha cara... Está certo, pode ser que nenhum deles seja mesmo a minha cara... Talvez eu olhe no espelho e ainda não consiga ver a minha cara... Talvez eu nem tenha cara... Talvez... rs.
Já sei o que vc deve estar pensando: "Essa garota nunca está satisfeita com nada !!!"... Bom, vc tem mesmo uma certa razão, a sensação de que as coisas sempre estão inacabadas, em constante mutação (não necessariamente para melhor), é algo recorrente em mim.
Se vc já está procurando sua agenda de telefones pra me indicar um bom terapeuta, calma aí. Essa eterna insatisfação não é algo que me angustia, me deprime, pelo menos, não na maioria das vezes (rs). Acho até que é isso que me impulsiona, faz com que eu esteja sempre "caminhando".
Aliás, essa conversa me fez lembrar de uma frase que li no (interessante) livro no qual ando viajando (entre paradas e recomeços) há uns meses: "Mesmo se estivermos no caminho certo, seremos atropelados se ficarmos parados no mesmo lugar." (O Mundo é Plano, darei mais detalhes quando acabar de ler)
Mas, voltando ao assunto, essas várias mudanças no layout do blog pode ter sido motivada por outra coisa, minha total, absoluta e vergonhosa ignorância "tecnológica". Daí, a cada conversa, aprendo uma nova ferramenta com meus queridos e generosos amigos. (Será que são mesmo generosos ou estão me ajudando em causa própria? Afinal esse caderninho de anotações é tão deles quanto meu... rs... Não, não... Acredito mesmo no altruísmo deles, até porque tenho uma prova disso a cada visitinha...rs.)
Mas, só pra confirmar que não me contento com a primeira solução, acaba de me ocorrer outro motivo pras mudanças no blog.
As pessoas costumam dizer que temos, em nós, várias facetas. Mas, sem exageros (será mesmo?), tenho a nítida sensação de que eu, mais que vários aspectos, tenho várias pessoas autônomas dentro de mim. Digo isso porque não me sinto lidando com diferentes partes de mim dialogando entre si, como num time formado por vários jogadores. É mais que isso, sinto que meus vários "eus" vão se alternando, como naqueles revezamentos do atletismo, sabe?
Já sei, já sei, agora sim vc está correndo pra pegar o número do analista (até eu agora, ao ler isso, pensei seriamente em comprar uma camisa de força)... rs. Mas não há por que se preocupar, os componentes de um revezamento, entre eventuais trombadas, acabam se entendendo muito bem.
É, queridos, acho que esse é o real (ou seria melhor dizer, atual? rs) motivo.
Um dia escolho um layout e ele me parece "a minha cara", alguns dias depois até reconheço que ele era mesmo a minha cara, mas já não é mais. Lembro o quanto o achei adequado, até o reconheço familiar, mas sinto como se fosse uma roupa que não "cabe" mais em mim, apesar de linda, como um amor que não me faz mais suspirar, apesar de saudoso... aff, só eu mesmo, misturar roupas e amores... rs.
Bom, alegre e vibrante, singelo e delicado, moderno e frio, nostálgico e meio fora de moda... enfim... Cada um dos layouts era sim a minha cara... Está certo, pode ser que nenhum deles seja mesmo a minha cara... Talvez eu olhe no espelho e ainda não consiga ver a minha cara... Talvez eu nem tenha cara... Talvez... rs.
Te amo-te...
Amo-te a tal ponto
que aceito que ofereças a outras
teu prazer, teu gozo, teu sexo,
desde que reserves só pra mim
teu íntimo, tuas ilusões, até teus restos.
Amo-te a tal ponto
que suporto teu silêncio, tuas feridas,
o peso de teu corpo cansado,
o descontrole de tua alma aflita,
a angústia de teu coração tumultuado.
Amo-te a tal ponto
que ensurdeço se me renegas,
emudeço quando te ausentas,
enlouqueço à tua espera.
Amo-te a tal ponto
que te aceitaria como meu salvador,
mesmo sabendo que todo o meu tormento
foste tu, não outro que causou.
P.S.: O que é o poeta (ou pretenso poeta) senão um ladrão de sentimentos alheios, e até os seus próprios?... Ouvi umas confissões (que não são de adolescente) e me veio à cabeça essas palavras vãs... Presentinho pra vc, amiga.
que aceito que ofereças a outras
teu prazer, teu gozo, teu sexo,
desde que reserves só pra mim
teu íntimo, tuas ilusões, até teus restos.
Amo-te a tal ponto
que suporto teu silêncio, tuas feridas,
o peso de teu corpo cansado,
o descontrole de tua alma aflita,
a angústia de teu coração tumultuado.
Amo-te a tal ponto
que ensurdeço se me renegas,
emudeço quando te ausentas,
enlouqueço à tua espera.
Amo-te a tal ponto
que te aceitaria como meu salvador,
mesmo sabendo que todo o meu tormento
foste tu, não outro que causou.
P.S.: O que é o poeta (ou pretenso poeta) senão um ladrão de sentimentos alheios, e até os seus próprios?... Ouvi umas confissões (que não são de adolescente) e me veio à cabeça essas palavras vãs... Presentinho pra vc, amiga.
Série Tudo Bem...
Desenhos e frases de autoria dos alunos de minha querida e observadora amiga.Foi paixão à primeira vista. Por isso, pedi licença para copiá-los. Espero que vc curta tanto quanto eu.
Não é impressionante a clareza de raciocínio de uma criança?
Enfim, como sou ousada (imprudente, talvez), vou me aventurando a comentar.
Bom, se vc for bem esperto, vai ficar com as frases e imagens das crianças e ignorar minhas idéias vãs... rs.
Perder as coisas de vez em quando...
Ter um amigo invisível...
Usar óculos...
É queridos, uso óculos sim. Miopia e astigmatismo. Isso explica várias coisas, não?Detalhe importante, uso "óculos pra longe". Por isso, quando eu não estiver vendo o que te parece bem claro, o problema pode ser apenas a distância... rs.
Vale ressaltar que, depois de muito resistir, aprendi a gostar de meus óculos. E, como sou fiel a tudo que conquista meu afeto, "lentes de contato: tô fora !!!".
Ter orgulho da gente mesmo...
Ter vindo de um lugar diferente...
Precisar de alguma ajuda...
Ser diferente...
Diferente? Bom, pra comentar sobre quem é diferente, eu primeiro vou ter que descobrir quem é o "padrão". Algo me diz que a única coisa que vou descobrir, aliás, descobrir não, confirmar, é que todos somos diferentes. Então ninguém é diferente porque ninguém é igual... rs...
Não faz sentido? Será mesmo?
Ainda bem que tenho minha amiga Melia pra entender todas as minhas idéias sem sentido... Será que somos iguais? rs... rs... Contradições... rs
Sentimentos, incoerências e antiácidos...
Caro e provocativo leitor,
Li (várias vezes) seus comentários e tenho algumas observações a fazer:
Primeiro, não posso deixar de dizer que ler os comentários aos meus posts vem sendo ainda mais prazeroso que escrevê-los. Não sei se é sorte minha ou é só o espírito altruísta de meus amigos, mas o fato é que vcs têm tornado isso aqui um ambiente bem interessante (ao menos, pra mim). Feitos os devidos agradecimentos...
Bom, querido e desafiador leitor, ao ler seu comentário, o primeiro questionamento que me veio à cabeça foi: Será mesmo que existem mentiras e verdades? E se existem, será que as minhas verdades são mais mentirosas que as suas?
Ainda em relação ao assunto, complemento dizendo que minhas mentiras são sempre de boa-fé, lembre-se que sou uma boa moça, temente a Deus e que ainda acredita que não precisará comprar seu terreninho no céu parcelado em 30 anos pela Caixa Econômica (posso morrer antes, aí já viu, né? "defunto homeless" ninguém merece)... rs.
Continuando, querido leitor, vc se engana quando pensa que eu nunca quis entender o outro. De tanto ouvir isso, tenho mesmo me convencido do meu egocentrismo, mas isso não quer dizer que não procuro saber o que se passa na cabeça (e quem sabe até no coração) de algumas queridas figurinhas. Confesso que esse meu interesse muitas vezes é meio egoísta, entender o outro também é uma forma de enriquecer meus parcos conhecimentos sobre o mundo, as pessoas, sobre mim mesma, fora que torna a convivência bem menos tumultuada.
Trecho preferido dos comentários (íntegra nos dias 30 de junho e 2 de julho): "Se o "outro" não entende, será tragado para o interior da autora e sufocado no íntimo dela, sem dó e sem piedade, dilacerado. O outro perderá sua autonomia, sua existência e enfim, transformar-se-á, numa mera "lembrança"..."
Está vendo como as pessoas só vêem imagens pré-concebidas? Aos olhos de meu inspirado leitor, não pareço uma esfinge? Decifra-me ou... rs...
Oh, quem me dera ter o poder de devorar certas existências, domar certas feras, tragar pra dentro de mim certas pessoas. Infelizmente, não sou a menina do poema, no máximo, uma menina, talvez nem isso...
Por fim (espero que seja só um recomeço depois de "séculos de silêncio"), como vc já sabe, coerência nunca foi o ponto forte de meus devaneios que agora ouso postar aqui, portanto, não espero encontrá-la nos comentários dos meus queridos visitantes. Se o assunto for sentimento então... Coerência seria, no mínimo, um entrave desnecessário...
Portanto, sagaz leitor, caso a sua verdade seja mesmo verdadeira e eu possa tragar pra dentro de mim qualquer desavisado que ouse se aproximar, não será nada mau "devorar" seus sentimentos incoerentes (pleonasmo? será mesmo?). É claro que o risco de indigestão não está descartado, mas tudo bem, enquanto aguardo sua próxima visita, vou renovando meu estoque de antiácidos... rs.
Li (várias vezes) seus comentários e tenho algumas observações a fazer:
Primeiro, não posso deixar de dizer que ler os comentários aos meus posts vem sendo ainda mais prazeroso que escrevê-los. Não sei se é sorte minha ou é só o espírito altruísta de meus amigos, mas o fato é que vcs têm tornado isso aqui um ambiente bem interessante (ao menos, pra mim). Feitos os devidos agradecimentos...
Bom, querido e desafiador leitor, ao ler seu comentário, o primeiro questionamento que me veio à cabeça foi: Será mesmo que existem mentiras e verdades? E se existem, será que as minhas verdades são mais mentirosas que as suas?
Ainda em relação ao assunto, complemento dizendo que minhas mentiras são sempre de boa-fé, lembre-se que sou uma boa moça, temente a Deus e que ainda acredita que não precisará comprar seu terreninho no céu parcelado em 30 anos pela Caixa Econômica (posso morrer antes, aí já viu, né? "defunto homeless" ninguém merece)... rs.
Continuando, querido leitor, vc se engana quando pensa que eu nunca quis entender o outro. De tanto ouvir isso, tenho mesmo me convencido do meu egocentrismo, mas isso não quer dizer que não procuro saber o que se passa na cabeça (e quem sabe até no coração) de algumas queridas figurinhas. Confesso que esse meu interesse muitas vezes é meio egoísta, entender o outro também é uma forma de enriquecer meus parcos conhecimentos sobre o mundo, as pessoas, sobre mim mesma, fora que torna a convivência bem menos tumultuada.
Trecho preferido dos comentários (íntegra nos dias 30 de junho e 2 de julho): "Se o "outro" não entende, será tragado para o interior da autora e sufocado no íntimo dela, sem dó e sem piedade, dilacerado. O outro perderá sua autonomia, sua existência e enfim, transformar-se-á, numa mera "lembrança"..."
Está vendo como as pessoas só vêem imagens pré-concebidas? Aos olhos de meu inspirado leitor, não pareço uma esfinge? Decifra-me ou... rs...
Oh, quem me dera ter o poder de devorar certas existências, domar certas feras, tragar pra dentro de mim certas pessoas. Infelizmente, não sou a menina do poema, no máximo, uma menina, talvez nem isso...
Por fim (espero que seja só um recomeço depois de "séculos de silêncio"), como vc já sabe, coerência nunca foi o ponto forte de meus devaneios que agora ouso postar aqui, portanto, não espero encontrá-la nos comentários dos meus queridos visitantes. Se o assunto for sentimento então... Coerência seria, no mínimo, um entrave desnecessário...
Portanto, sagaz leitor, caso a sua verdade seja mesmo verdadeira e eu possa tragar pra dentro de mim qualquer desavisado que ouse se aproximar, não será nada mau "devorar" seus sentimentos incoerentes (pleonasmo? será mesmo?). É claro que o risco de indigestão não está descartado, mas tudo bem, enquanto aguardo sua próxima visita, vou renovando meu estoque de antiácidos... rs.
Ou não...
Há dias em que se tem tanto a dizer que a única opção viável é calar...
Silêncio intenso, eloqüente, desesperado...
Paradoxos são meus salvadores da pátria e algozes furiosos...
Sinto que estou chegando num limite...
O que me espera do outro lado da marca?
O que resta após uma explosão?
Há vida após uma erupção?
Infinitas perguntas...
E as respostas?
O silêncio as encontrará... Ou não... rs.
Essas foram as frases perdidas que consegui pescar no meio de um turbilhão... Não espero que vc entenda, não há o que compreender num espirro... ou há?
Silêncio intenso, eloqüente, desesperado...
Paradoxos são meus salvadores da pátria e algozes furiosos...
Sinto que estou chegando num limite...
O que me espera do outro lado da marca?
O que resta após uma explosão?
Há vida após uma erupção?
Infinitas perguntas...
E as respostas?
O silêncio as encontrará... Ou não... rs.
Essas foram as frases perdidas que consegui pescar no meio de um turbilhão... Não espero que vc entenda, não há o que compreender num espirro... ou há?
Sutilezas...
Ela sorriu como de costume,
não mostrava os dentes,
nem suas verdadeiras intenções.
Ele sorriu de volta,
boca, olhos e alma escancarados,
aparentes despretensões.
Ela não sabe quando se desarmou,
entreabriu uma porta e
meio sem jeito o chamou.
Ele percebeu o convite, mas pressentiu,
sua entrada, ainda que consentida,
poderia assustar a arredia menina.
Ela cansou de esperarar
o moço reticente, cheio de pesar,
resolveu sair, trazê-lo pra dentro de si.
Ele estendeu suas mãos, deixou-se levar,
desde que a viu sorrindo de lado,
sabia que aquela menina seria seu eterno lar.
não mostrava os dentes,
nem suas verdadeiras intenções.
Ele sorriu de volta,
boca, olhos e alma escancarados,
aparentes despretensões.
Ela não sabe quando se desarmou,
entreabriu uma porta e
meio sem jeito o chamou.
Ele percebeu o convite, mas pressentiu,
sua entrada, ainda que consentida,
poderia assustar a arredia menina.
Ela cansou de esperarar
o moço reticente, cheio de pesar,
resolveu sair, trazê-lo pra dentro de si.
Ele estendeu suas mãos, deixou-se levar,
desde que a viu sorrindo de lado,
sabia que aquela menina seria seu eterno lar.
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