- Uns dias fora. Tempo.
- Tempo pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
- Ei, é o tempo, não é a chuva. Não há ligação entre os dois.
- Será mesmo?
- O tempo não tem "cara" de infância, não cheira a mato molhado, não tem som de acalanto.
- É, pode ser que não mesmo. Mas ele pode ser assustador e também nosso maior aliado; ele cai dos céus em nossas cabeças, sem pedir licença, sem perguntar se estamos preparados; ele destrói mas também é renascimento.
- O tempo?
- E a chuva.
- Sabe de uma coisa?
- Não.
- Você precisa mesmo de um tempo.
- Pra pensar?
- Não !!! Tempo pra não pensar. Só o tempo, passando, curando, serenando.
P.S.: Eu vou mas volto, viu? Comportem-se e deixem um monte de recados pra eu pensar que fiz falta... rs... brincadeirinha... Até sábado.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Tempo, chuva e até logo
Postado por Simples Assim... às 09:19:00 26 comentários
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Post de segunda
Em menos de uma semana ouvi a mesma pergunta 3 vezes, feita por pessoas diferentes, em situações absolutamente diferentes:
- O que você quer?
É, acho que essa foi a frase da semana (passada). Não pensem que não atentei para o fato de que é uma frase interrogativa. A minha frase da semana é uma pergunta, e mais, uma pergunta que não foi feita por mim. Foi feita para mim. Então, minha frase da semana não é minha. Não fui eu que formulei. Ah, pára com isso, não é? Não vamos entrar nessas questões agora.
O assunto em questão é: O que eu quero?
Eu quero tantas coisas:
- Quero que as pessoas criem menos problemas pra si mesmas, pra mim, pro mundo.
- Quero que eu crie menos problemas pra mim mesma, pros outros, pro mundo.
- Quero que o Bush vá ver se o Bin Laden está na esquina.
- Quero parar de tropeçar em fios (é sério... acredita que eu fui entregar um certificado num evento e tropecei, de novo, no fio do data show? é, eu fiz isso, num auditório lotado... rs).
- Quero esquecer umas coisas e, principalmente, lembrar de muitas outras (como, por exemplo, onde deixei os óculos ou o celular... argh...).
- Quero que as pessoas não morram, não quando ainda há tanta vida.
- Quero me sentir menos impotente diante do inevitável.
- Quero ser mais disciplinada, mais organizada, mais responsável.
- Quero que as pessoas sejam menos complicadas, menos obscuras, menos pesadas.
- Aff... Essa lista não tem fim (felizmente).
Eu não quero coisas mais específicas? Não faço planos concretos?
Sim. Sim. Mas o fato é que... Bom, como eu disse, vivo tropeçando em fios. Vamos combinar que olhar pro horizonte é mais atraente que ficar olhando pro chão. Já sei, já sei, pra chegar ao horizonte, há que se caminhar até lá, e ficar tropeçando torna o caminho mais demorado (pra não falar das outras conseqüências).
É, talvez eu devesse mesmo me preocupar mais com cada passo e menos com a viagem (melia, aposto que sacou o duplo sentido...rs). Talvez eu devesse sempre me questionar o que quero a cada segundo. Isso, certamente, resolveria alguns conflitos com os outros, evitaria até alguns conflitos comigo mesma. Mas será que se fosse assim, eu ainda seria eu? Não sei.
Confesso que acho que os nossos "defeitos" nos definem tanto quanto nossas qualidades. O grande lance é perceber até que ponto vale à pena nós nos apegarmos a nós mesmos.
Viajei, não é? O que você esperava de um post de segunda? rs
Postado por Simples Assim... às 11:29:00 5 comentários
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
Ela, a roda-gigante
Mais um giro de 360º em uns segundos. Ela não sabia o que a surpreendia mais. A mudança ou a capacidade de ainda se surpreender com mudanças. Sensação estranha. Atordoada. Angustiada. Perdida. Ela quis gritar, não havia voz. Ela quis chorar, não havia lágrimas. Só o vazio. Vazio de guarda-roupa depois de faxina. Vazio que dá eco.
Ela quis abrir os olhos. A boca abriu sem querer. Sorriso. Ela riu de si mesma, do grito mudo, da lágrima seca. Ela riu da sua inércia, do seu cansaço, da sua desistência. Era patético ficar sentada na cadeirinha vendo a roda-gigante dar voltas e mais voltas. Preguiça de acreditar? Medo do equilíbrio? Incapacidade de andar em linha reta? Não importa. Ela era patética de um jeito ou de outro. Ou de outro.
O despertador. Hora de acordar. Ela podia até brincar de construir e destruir, criar e estragar, gostar e perder. Mas, a noite, amante infiel, sempre insistia em partir e deixá-la à mercê da claridade brutal de mais um dia. A luz do dia. Essa sim tinha voz e sabia gritar.
Hora de acordar. O sonho já havia acabado mesmo. Havia um milhão de coisas a fazer. Ela precisava esquecer a lágrima que se recusou a rolar, o grito que preferiu calar, e seguir em frente. Afinal, ela precisava construir, criar, gostar. E depois? A roda... a girar, girar, girar...
Postado por Simples Assim... às 20:58:00 6 comentários
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Quem é mesmo o delinqüente?
Estava aqui procurando notícias toscas pra fazer uma postagem (que ficará pra depois) e eis o que acho: "Ladrão devolve carro com criança dentro."
Sério !!! Dá pra acreditar ???? Imagina só...
O pobre do ladrão estava trabalhando (à noite, hora extra, entende o sacrifício?) e, depois de muito procurar (cor, modelo, estado de conservação, kit gás, sem alarme), encontra o carro perfeito. Cuidado, muito cuidado. Abrir sem ser notado, sem amassar a porta, sem danificar a fechadura. Pronto. Porta aberta. Partida. Agora é entregar logo o carro, receber (a ninharia) do receptador (aquele explorador) e pronto. Mais um dia de trabalho encerrado.
Só falta uma quadra. Quase chegando. Olhadinha no banco de trás. Seria ótimo encontrar um presentinho para a patroa ou para as crianças. Criança !!! Um menino dormindo no banco de trás. Ele não acredita. Isso não está acontecendo.
Vira a esquina. Não vai mais entregar o carro ao receptador. Procura um orelhão. Encontra. Polícia. "Acabo de roubar um carro. Encontrei um menino dormindo no banco de trás. Sou ladrão, não sou um desalmado. Não faço mal a crianças. Tenho os meus meninos em casa." Avisa onde deixou estacionado o carro, não sem antes recomendar ao policial que se apresse. A criança pode acordar e ficar assustada.
Anda uns metros. Esconde-se e aguarda. Meia hora depois, a viatura chega. Uma mulher chorosa e um homem careca acompanham os policiais. A mulher pega a criança nos braços. Felizmente, o inocente nem acordou. Vida de ladrão é curta e dura. Mas ele vai morrer em paz, nunca fez uma criança chorar.
Hora de ir pra casa. Bolso e estômago vazios. Cabeça cheia. Onde fomos parar, meu Deus? Que mundo é esse? Pais deixam crianças abandonadas em carros no meio da rua, em plena madrugada.
O casal esquecido (cidadãos honrados) ouve o policial explicando delicadamente que teria que comparecer à delegacia no dia seguinte pra prestar esclarecimentos sobre o fato. Enquanto isso, o meliante caminha e pensa se conseguirá chegar em casa a tempo de levar os filhos até a porta da escola.
P.S.: Está certo, eu dei uma viajada, mas a notícia é real. Ou seria surreal?
Postado por Simples Assim... às 12:51:00 6 comentários
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Confissões e reflexões
- Queria que vc soubesse uma coisa.
Eu também queria saber uma série de coisas. Por que ele complica tanto? Por que ironiza quando eu falo sério? Por que se entristece quando eu revido a brincadeira? Afinal de contas, ele é frio demais ou sensível demais? Acho que ele é louco demais.
- Eu te adoro, por isso sou tão complicado.Se não gostasse tanto de você, eu seria “facim, facim”... rs.
Ele me adora. Foi isso que eu ouvi? Ele me adora e por isso é complicado? Então se não gostasse de mim, ele seria menos duro comigo? Facinho? Não, não mesmo. Ele nunca seria facinho. Mas, que ele podia ser menos complicado, ah, isso podia.
- Então... saiba que você é tudo o que falam, mas é o que eu falo também.
Ahn? Então quando ele dizia que eu não tinha todas aquelas qualidades que meus amigos falavam, era tudo mentira? Ai, que fofo. Espera aí. Ele estava falando sério quando me chamava de mimada, fria, egocêntrica. Aff... Nunca sei se ele me irrita ou me encanta.
- Eu te adoro mais pelos seus defeitos do que pelas suas qualidades.
Ele decididamente me encanta. Chato, inconveniente, irritante. Mas adorável.
- Gostar de quem só tem qualidades é fácil, gosto de HUMANIDADE.
Ele gosta de humanidade? Pois eu gosto mesmo é dele e do seu jeito meio irônico, meio doce e absolutamente sem jeito.
Postado por Simples Assim... às 19:21:00 3 comentários
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Meu querido diário
Vivo explicando que meu blog não é um diário. Também não é só ficção. Na verdade, isso aqui é uma sopa, tem de tudo um pouco. Uma sopa de letras. E nem pense na dieta da sopa.
Voltando ao assunto. O blog não é um diário. Mas, como eu não tenho muito problema em parecer contraditória, hoje o post poderia muito bem começar com o bom e velho "meu querido diário".
Sério, hoje o post é um desabafo. Melhor escrever que bater com a cara na porta, não é? Está bem, forcei, não bateria a cara na porta, flagelos com chicote também estão fora de cogitação. Então, melhor desabafar aqui, me xingar e encher a paciência de vocês.
Perdi meu celular. Ou melhor, perdi mais um celular. Perder coisas é algo recorrente na minha vida. Quando as pessoas brincam "se a cabeça não estivesse grudada você a perderia", chego mesmo a pensar "talvez sim". Esqueço as coisas nos lugares, esqueço nomes, rostos, esqueço até de mim mesma.
Mas, a história dos celulares é mais séria. Detesto celular !!! Detesto ficar horas procurando o telefone perdido dentro da bolsa, berrando, enquanto as pessoas em volta me olham com aquela cara de "será mesmo que ela não consegue achar uma coisa que grita e vibra dentro de sua própria bolsa?". Detesto a mania das pessoas te ligarem mil vezes até que você atenda. Se não atendi nas três primeiras vezes, deve ser por que não pude, não é óbvio isso? Detesto ainda mais aquela perguntinha básica "Onde você está?". Oras, cadê o respeito à privacidade alheia? Por que não simplesmente perguntar "Pode falar agora?" ou "Estou atrapalhando?"? Ou nem perguntar nada, se a pessoa te atendeu é porque pode falar, não é?
Bom, voltando ao celular. Numa dessas minhas temporadas na casa dos meus pais, perdi o telefone. Tive que comprar logo outro. Meus clientes já estavam tendo uma síncope nervosa, por não conseguir falar comigo. Qualquer dia vou explicar a relação (insana) dos meus clientes com o telefone.
Uns dias depois de comprar o celular novo, minha mãe me liga e diz que encontrou o meu. Mas, como já tinha comprado outro e ter dois celulares nem pensar (tortura dupla já é masoquismo demais), dei o telefone velho de presente. O que acontece agora?
Perco o celular novo. E eu nem tinha acabado de pagar !!! Aliás, tinha acabado de pagar a segunda (SEGUNDA) prestação. Pensando bem, eu mereço mesmo a "portada na cara", quanto ao chicote é muito sado-maso pro meu gosto.
Querem saber do que mais? Maior que minha irritação por ter perdido um celular que nem paguei, é a raiva de me saber obrigada a comprar mais um obejto de tortura. A cada novo celular me lembro de que não sou bem eu que mando nessa espelunca aqui (espelunca=minha linda vida).
Preciso trabalhar. Preciso estar em contato com o mundo o tempo todo. Preciso de uma porcaria de um celular novo. Preciso parar de perder as coisas. E isso é uma missão tão importante quanto impossível !!!
Postado por Simples Assim... às 17:01:00 4 comentários
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Idílios virtuais
Depois dos flertes entre a mocinha na janela e o rapaz encabulado parado do outro lado da rua, os namoros no portão, a troca de papéis entre homens e mulheres (caça, caçador? bobagem, agora o negócio é tiro pra todo lado), além de todas as outras variantes sexuais e sentimentais, agora nos deparamos com uma outra forma de conhecer, gostar e (pasmem) se relacionar.
Idílios virtuais. Relações baseadas em outras regras, outros conceitos, mas, no fim, do outro lado dos fios e cabos, pessoas. Pessoas são sensíveis. Pessoas são contraditórias. Pessoas são complicadas. Mas, acima de tudo, pessoas são engraçadas. São personagens vivas que tiveram a ousadia de pular pro lado de cá. A vida real.
Portanto, depois de algumas boas histórias (viu o "hi"? vida real, queridos, virtualmente real) ouvidas, eu tinha que escrever sobre isso...
Um encontro, vários desencontros e salsicha enlatada
- Olá !!!
- Oi.
- Quanta animação.
- Eu respondi, oras. O que você quer mais?
- Não quero nada. Aliás, não quero mais nada de você. Ainda está no trabalho?
- Estou.
- Sai a que horas?
- Às 6, como sempre.
- Você realmente não quer conversar hoje, não é?
- E não estamos conversando?
- Estamos.
- Então.
- Ontem pensei em você, em nós.
- Foi?
- Foi.
- Ahn.
- Ahn? O que significa “ahn”?
- Ahn é ahn. Não significa nada.
- Entendi. Nada. Quer saber? Desisto. Com você agora só falo de amenidades.
- Amenidades? E eu lá tenho cara de homem de “amenidades”?
- Pra mim, agora tem. Por falar nisso, estou com vontade de comer salsicha enlatada.
- Então seu conceito de amenidades envolve salsicha enlatada? Bom, melhor eu te lembrar salsicha que novela das seis.
- Que mente suja. Nem tinha pensado no duplo sentido?
- Não? Duvido.
- Está certo, eu pensei, mas estava falando só no sentido “comível” da salsicha.
- Então.
- Bobo.
- Sabe de uma coisa? O fato de eu não falar, não quer dizer que eu não sinta sua falta.
- Você é louco? Eu falando de salsicha e você lembra que sente minha falta.
- Eu não lembrei. Nunca esqueci.
- É?
- É.
- Se é assim, quando vier me ver, terá que trazer salsicha enlatada.
- Umas esperam flores, outras, bombons e você, salsicha.
- Digamos que meu gosto é meio duvidoso. Afinal, gosto de você.
- Eu também gosto de você, especialmente nos momentos em que não falo isso.
Postado por Simples Assim... às 13:55:00 7 comentários
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Achou a "graça"?
Um dia inteiro de palestras, 500 jovens divididos em 3 grupos. Corpo cansado. Mente em ebulição. Voz? Já era. Disposição? Renovada. Sabe de uma coisa? Sou mesmo teimosa feito mula empacada. Não largo essa "estranha mania de ter fé na vida".
Cheguei em casa assim, como aqueles atletas que depois de quilômetros de corrida, arrastam-se em direção à linha de chegada. Banho. Longo, quente, muito quente. Caixa de e-mails, afinal o mundo não parou pra acompanhar minha preguiça. Ótimo, e-mail da minha amiga/irmã (aliás, saudade). Piadinha. Lá vem...
Gargalhada. É tão boa assim a piada? Nem sei. Talvez só estivesse esperando uma oportunidade pra rir. Aqueles risos solitários, como quem ri pra vc mesma.
Boa ou não, aí vai a tal piada. Faço questão de te repassar a oportunidade de rir sozinho olhando pra uma tela de computador. Viu como sou gente boa?
Chega de embromação e vamos ao sorriso (ou não)... rs.
Cada um com seu cada um
Um casal recém casado vai viver em sua nova casa. O homem diz:
- Se quer viver comigo, as regras são:
1) Segundas e terças-feiras à noite, vou jantar com os amigos;
2) Quartas-feiras à noite, cinema com o pessoal;
3) Quintas e sextas à noite, cerveja com os colegas de trabalho;
4) Sábados, pescaria com a turma, retornando domingo pela manhã;
5) E, aos domingos, deito cedo para descansar.
Se quer... Quer... Se não quer... Azar!
Então a mulher responde:
- Pra mim só existe uma regra:
Aqui em casa tem sexo todas as noites. Quem está, está. Quem não está... Azar!!!!!!!!!!!!!
Postado por Simples Assim... às 15:41:00 5 comentários
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
O motivo
Vontade. Vontade de ser, de ter, de saber, de conhecer, de esquecer.
Ser que transcende, que não se apega, não se limita, não se deixa aprisionar pelas amarras que lhe são impostas. Pelos outros, por si mesmo. Ser o que não foi antes. Ser o que já foi e se perdeu pelo caminho. Ser o que nem se supunha capaz. Ser de verdade. Há verdade?
Ter tudo aquilo que pode realmente aproveitar. Ter o essencial e o supérfluo também. O além que não sobra. Ter telhado de vidro que permita contar estrelas. Ter chão de nuvens que apare o tombo. Ter coragem pra viver. Ter medo pra se manter vivo. Há vida?
Saber pouco. O pouco que o leve a querer mais. O pouco que o faça acordar todos os dias, e não só abrir os olhos. O pouco que é a alavanca pra outro olhar, outra tentativa, outra oportunidade. Há oportunidade?
Conhecer outras pessoas, outros lugares, outras situações. Conhecer as mesmas pessoas, os mesmos lugares, as mesmas situações. Conhecer sob outra perspectiva. Há perspectiva?
Esquecer o que ficou pra trás. O excesso de bagagem. Esquecer pra não lotar. Abrir vagas pra novos inquilinos. Esquecer pra poder lembrar. Esquecer o fracasso e guardar o aprendizado. Esquecer o erro e guardar o conserto. Esquecer a briga e guardar o motivo. Há motivo?
Há motivo. Motivo pra ser, pra ter, pra saber, pra conhecer, pra esquecer. A verdade é que são motivos. Vida. Oportunidade. Perspectiva... VONTADE !!!
Postado por Simples Assim... às 07:18:00 6 comentários
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Mais uma metáfora
A falta de ar. Lá estava ela de novo. Com seu sorrisinho de lado, como quem diz: "Vim pra te ensinar umas coisinhas." Ela ensinava mesmo. Talvez não ensinava, mas fazia lembrar. Às vezes é bem útil lembrar alguns detalhes importantes.
Respiramos o tempo todo, isso nos mantém vivos, ainda que não tenhamos consciência. O fato de não termos consciência não faz com que a necessidade não exista. Aliás, nossa falta de consciência não altera nada à nossa volta, desconfio de que nem dentro de nós.
E se tivéssemos "consciência", respiraríamos melhor? Boa pergunta. Acredito que não. Talvez não mudaria nada. Talvez tivéssemos só mais cuidado. Talvez...
Eu vou pensando, tentando respirar, tentando existir, tentando resistir. Ela não pensa. Ela simplesmente existe. Há falta. A falta de ar. A falta de consciência. A falta.
Postado por Simples Assim... às 16:02:00 7 comentários
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Leveza e profundidade
Já falei aqui sobre minha relação com livros. Pois bem, o que direi agora (assim como todo o resto) não será nenhuma novidade. Pra mim, livros são como pessoas. Eles passam por minha vida de diversas formas. Provocam variados efeitos.
Às vezes deixam-se ficar por mais tempo, sem pressa, até que tudo que há a ser compartilhado seja devidamente descoberto e aproveitado. Outras vezes, passam tal qual ventania, intensa e breve, deixando-me, a princípio atônita e depois revigorada diante da necessidade de reconstrução. De um jeito ou de outro, livros deixam sempre marcas em mim, umas mais superficiais, outras tão profundas que parecem que sempre estiveram lá.
"A menina que roubava livros", de Markus Zusak (Editora Intrínseca). Essa foi minha companhia fiel e arrebatadora dos últimos dias. Com ele, chorei 3 vezes. Sorri incontáveis vezes. Refleti desde a primeira palavra. Ainda continuo refletindo... ainda continuo sentindo... ainda...
Postado por Simples Assim... às 18:00:00 8 comentários
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
A verdade banhada de luar
De repente, despertou. Os olhos abriram-se antes mesmo que ele se desse conta de que estava acordado. Será que estava realmente acordado? A cabeça doeu, sentiu um gosto amargo. Pensou que devia ser a isso que a mãe se referia quando falava em "gosto de guarda-chuva na boca". Sim, agora tinha certeza, ele estava acordado. Ele sentia dor e podia pensar. É, ele ainda estava vivo.
Olhou pro lado, viu a mulher que ressonava silenciosa. Suas curvas pareciam colinas banhadas de prata pela luz da lua que vazava por entre as frestas da janela. Seus seios fartos, suas coxas, seus olhos cerrados, sua respiração pausada, todas as suas partes lhe davam ares de deusa. Teve vontade de tocar sua face. Não tocou. Ela podia acordar. Ele não saberia o que dizer.
Tentou lembrar seu nome. Sabia que ela o tinha dito entre a segunda e a terceira doses. Não lembrou. Resolveu não pensar mais nisso. Ao amanhecer, ela iria embora e ele a esqueceria, assim como seu nome. Preferiu fixar sua atenção no que sabia que não esqueceria. O luar e as partes de deusa.
Fechou os olhos cansados de tatear a mulher. Não dormiu. Pensou em levantar, fazer um café. Seu corpo não deu qualquer sinal de reação. Dormir. Precisava dormir. Não conseguiu. O que fazer?
Lembrou dos desenhos animados. Carneirinhos pulando uma cerca num dia de céu azul. Achou a idéia ridícula, apropriada e ridícula. Esperou os bichinhos começarem o pula-pula. Não vieram. Só o que viu chegando perto da tal cerca foram mulheres. Elas começaram a saltar. Achou que seria ofensivo contá-las. Resolveu dar-lhes nomes. Ana, Bia, Camila... Deixou-se ficar admirando o espetáculo das encantadoras mulheres saltitantes.
De repente, ela veio vindo, com seu andar de quem sabe exatamente onde quer chegar. Parou diante da cerca. Não pulou. Ao invés disso, subiu e sentou num de seus pilares. Com olhar seguro e desafiador, esperou a próxima da fila. Não apareceu ninguém. Todas as outras foram dando passos vacilantes na direção oposta. Não haveria mais saltos, nem sonhos.
A voz dela ecoou por todo o quarto: "Cansei." Ela cansara e fora embora. Ele se perguntou por que não impedira a partida. Resposta fácil. Medo. Abriu os olhos. Não a encontrou, só a mulher sem nome. A voz foi apenas uma lembrança. Retalhos do dia em que ela partira. Dia em que ele podia ter pedido pra que ela ficasse. Ele não pedira.
Virou-se de lado. Quis espantar a imagem dela sentada em cima da cerca, tal qual uma rainha em seu trono caramelo. Não conseguiu. A verdade já estava ali. Deitadas em sua cama, entre ele e a mulher vestida de luar, encontrou três certezas: Ele a deixara ir embora porque a amava. Ele tinha medo do amor. Ele não conseguiria dormir.
Postado por Simples Assim... às 14:11:00 5 comentários
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